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Os armários-cápsula são alternativa para quem busca mais praticidade no dia a dia. A curitibana Silvia Henz aderiu à tendência há três anos. Foto: Flavia Della Mana.
Os armários-cápsula são alternativa para quem busca mais praticidade no dia a dia. A curitibana Silvia Henz aderiu à tendência há três anos. Foto: Flavia Della Mana. | Foto:

Na época em que a redatora curitibana Silvia Henz era produtora de moda, chegava a comprar uma peça de roupa por dia, conforme o clima da cidade. Dizia para si mesma que era para seu acervo e que precisaria delas em algum momento. Três anos atrás, precisou fazer uma mudança em casa e separou apenas uma caixa de roupas para usar. Era para durar uma semana, mas durou três. Nesse momento tomou consciência de que não precisava de tudo aquilo. Decidiu então selecionar apenas algumas peças e criar seu primeiro armário-cápsula.

“Vivemos uma tendência de usufruir sem possuir e reduzir o consumo ao necessário. O legal é dizer ‘olha o que eu vivi’ e não ‘olha o que comprei’. Hoje o luxo é ter experiências e tempo, e o armário ajuda nesse sentido, você para de perder tempo com roupa”. Hoje, o armário de Silvia conta com apenas 33 peças.

O termo armário-cápsula ganhou visibilidade a partir da iniciativa da blogueira americana Caroline Joy Rector, do Unfancy, quando começou a mostrar em seu blog o projeto de viver com um número limitado de roupas. A ideia viralizou e conquistou adeptos ao redor do mundo pela praticidade e sustentabilidade. Silvia escolheu montar seu armário por estação e seleciona as peças a cada três meses. “Aprendi a comprar roupas melhores e também sobre o desgaste que elas sofrem. É comum as pessoas comprarem coisas novas todo mês, mas não tem necessidade, nada se desgasta tanto assim”, relata.

Enquanto está com um armário “em funcionamento”, Silvia não faz nenhuma compra. As roupas que não são contempladas nessa estação, ficam guardadas para as próximas. Ao todo, contando as quatro seleções do ano, a redatora não conta com mais de 90 peças no armário. Lingerie, biquíni e chinelo não entram na conta.

“A gente acha que as pessoas reparam muito, mas na verdade elas nem notam. Eu fiz um teste: fui trabalhar cinco dias com a mesma calça, blusa e sapato, só mudando os complementos. Ninguém reparou que eu estava vestindo a mesma roupa”, conta Silvia.

Após mostrar suas combinações através das redes sociais, Silvia recebeu convites para palestras e começou a atender clientes em casa prestando consultoria. “No início achei que ia chatear as pessoas que me seguem, mas foi o contrário, as pessoas começaram a se interessar“, relembra.

Foto: arquivo pessoal.
Foto: arquivo pessoal.

O impacto do consumo no planeta Essa iniciativa faz parte de uma tendência maior — a preocupação com o impacto do nosso consumo no planeta. Conceitos como minimalismo, armário-cápsula e consumo consciente estão se tornando cada vez mais comuns no universo da moda. O documentário Minimalism: a documentary about the important things, produzido e lançado pela Netflix, retrata pessoas que escolheram experimentar uma vida minimalista — ou seja, ao focar o tempo no que realmente importa, diminuíram substancialmente a quantidade de objetos materiais que mantinham consigo. Para a pesquisadora de tendências Andrea Greca, esse movimento ainda não atinge as massas e está moldando as atitudes de uma determinada classe. “Esse discurso tem aderência em um público-alvo específico, é um comportamento de elite. Na base da pirâmide de consumo, as pessoas ainda querem comprar muito”, observa.

As peças do armário de primavera de Silvia. Foto: acervo pessoal.
As peças do armário de primavera de Silvia. Foto: acervo pessoal.

O momento do desapego Silvia nota que a maior dificuldade em quem tenta aderir ao armário-cápsula é o apego emocional às roupas. “As pessoas pensam ‘ah, mas fui tão feliz com essa peça’, só que isso não significa que hoje elas seriam felizes também”. Elas, muitas vezes, também não sabem do que gostam. Outro aspecto foi entender que precisava criar um sistema de cores para a seleção das peças, pois nem sempre as preferidas combinavam entre si. “Como sempre gostei de cores mais neutras foi mais fácil”. Um pensamento comum — e errado — é de que, para começar o projeto, é preciso comprar roupas, mas é justamente o contrário. É preciso, antes de tudo, observar quais são as peças mais usadas e fazer elas conversarem entre si, de acordo com a redatora.

O método Silvia Henz:  como criar seu próprio armário-cápsula

Vá até o armário e selecione as 10 peças que você mais usou nas últimas duas semanas

Segundo Silvia, essas peças vão dar uma noção do que a pessoa realmente usa. “As vezes elas bagunçam a noção entre o que são e o que querem ser”. Nessa fase, é importante notar quais cores se repetem e assim criar a própria cartela de cores.

Faça um armário de emergência

Sem desespero: nada vai pro lixo! Depois de selecionar as peças do armário da estação, algumas outras podem ser mantidas para emergência, assim não é necessário se desfazer de todas. “Ele vai ter as peças que a pessoa mais gosta, se sente bem e seguro de si quando veste, mas nem sempre combina com as outras”, reforça.

Não mantenha roupas “de ficar em casa”

Silvia não tem roupas “de ficar em casa”, apenas pijama e roupas de ginástica. “Roupa desgastada é um desrespeito consigo mesma, assim que ela começar a dar sinais de desgaste, tem que substituir”.

Não existe armário ideal

Como nossos gostos mudam muito rápido, Silvia afirma que não existe um armário ideal, mas sim um armário possível para aquele momento. Vale lembrar também que não existe uma única regra, cada pessoa monta o armário que melhor se adapta a ela. “O armário-cápsula é pra deixar a vida leve, não existe uma polícia controlando”, complementa.

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