Pedro Toigo começou a desenhar sapatos aos 9 anos. Vocação virou negócio e aos 21 anos gaúcho planeja primeira expansão para Curitiba. (Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)
Pedro Toigo começou a desenhar sapatos aos 9 anos. Vocação virou negócio e aos 21 anos gaúcho planeja primeira expansão para Curitiba. (Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)| Foto:

Aos 9 anos, o gaúcho Pedro Toigo desenhou o primeiro sapato. Foi inspirado por uma linha reta de um encanamento combinada ao salto do sapato da avó enquanto andavam pelas ruas de Porto Alegre. Agora, aos 21 anos, Pedro é estilista da própria marca de calçados especializada em couro exótico, planeja a primeira expansão (para Curitiba) e tem como meta calçar os pés de Lady Gaga com uma criação que desenvolve desde os 12 anos.

Prodígio, Pedro conta que passou boa parte da infância e a adolescência desenhando sapatos. “Nos meus 15 anos, eu desenhava entre 70 e 100 sapatos diariamente. No ano seguinte eu cheguei ao meu limite e desenhava 150 a 200 sapatos por dia. Todos diferentes”, diz. A obsessão – que virou profissão – o levou a reprovar o segundo ano do Ensino Médio porque nas provas não respondia os exercícios, mas desenhava sapatos.

Na faculdade decidiu trancar o curso de Moda perto de terminar porque não se adequava aquilo que os professores esperavam dos alunos. “Queriam me ensinar a ser sustentável. Eu sou sustentável com o meu produto, não importa se uso pele de animal. Eles queriam nos ensinar a fazer vestido de saco de lixo. E eu não quero fazer isso. Quero ganhar dinheiro e quero ser feliz com que eu faço”, afirma.

As peles de píton utilizadas nos sapatos e bolsas de sua marca são provenientes da Ásia, principalmente da Indonésia, onde a carne de cobra é iguaria. Ou seja, os animais já haviam sido mortos para culinária e as peles seriam descartadas, diz Pedro. Todas as peles usadas em suas criações são certificadas pelo Ibama. Inclusive Pedro anda com cópias dos certificados para onde vai, enquanto mantêm os originais em casa e na loja, em Porto Alegre.

Lady Gaga

A cantora é a musa-inspiradora na carreira do jovem estilista. “Eu sempre fiquei louco com os sapatos que ela usava e desenhava mais a partir dela. Lady Gaga fez parte do meu crescimento”, diz. O sapato que Pedro quer entregar para Gaga começou a ser desenvolvido há 10 anos. “Eu estou desenhando esse sapato desde os meus 12 anos e só finalizei neste ano”, diz.

Sobre o projeto, Pedro faz suspense. Diz apenas que é uma bota e que vai misturar três tipos de pele: píton, crocodilo e pônei. “Vou fazer uma mistura. Vai ser uma coisa básica e muito diferente ao mesmo tempo. Eu nunca vi nada igual”, conta. A peça, de tamanho 36, já está em produção.

Pedro trabalha apenas com couro exótico, como píton, pirarucu e crocodilo. (Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)
Pedro trabalha apenas com couro exótico, como píton, pirarucu e crocodilo. (Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)

 

Negócio

A marca que leva seu nome saiu do papel em outubro de 2015, depois que soube que sua família passava por dificuldades financeiras. Para começar o negócio, Pedro procurou um curtume da região de Novo Hamburgo, na Grande Porto Alegre, com R$ 5 mil que tinha na poupança. Sensibilizado com o talento e a história do estilista, o empresário topou fazer uma parceria e receber depois das vendas das primeiras peças.

“Em uma semana eu estava com cinco pares de sapatos nas mãos. E fui batendo de porta em porta. Em um dia já tinha vendido tudo e estava com muitas encomendas. Dos cinco pares foram, 10, 20, 40 e foi indo”, conta.

Nessa época, Pedro trabalhava das 7h às 23h carregando sacolões cheios de sapatos até a casa das clientes, normalmente mulheres da alta sociedade gaúcha, dispostas a pagar pelo menos R$ 1.000 para um scarpin mais básico de pele de píton.

Em março deste ano, ele abriu a primeira loja física, onde faz atendimentos personalizados e trabalha apenas por encomenda com produção sob medida. Dos cinco pares, a marca já catalogou 5 mil peças. Além de píton, o estilista trabalha com couro de crocodilo, pirarucu e outros exóticos, combinados algumas vezes com elastano, para aumentar o conforto de quem usa. Todos as peças são produzidas “uma a uma”, como gosta de dizer.

A meta agora é trazer a marca para Curitiba e Balneário Camboriú, no litoral catarinense. Por enquanto, o plano é apostar em parcerias. A primeira acontece com a loja multimarcas Bazar Fashion, no Batel. No momento, Pedro estuda o mercado da capital paranaense para a abertura da loja própria. A meta, segundo ele, é 2018. Até lá, as paranaenses podem comprar suas criações também pelo site da marca.

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