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Tradicional marca britânica lança sapatilhas de balé para dançarinas negras

Os modelos adequados às peles negras são lançados 200 anos após as sapatilhas cor de rosa

freed-of-london-primeiras-sapatilhas-de-bale-para-bailarinas-negrasNovidade é mais um passo na luta pela igualdade racial: até hoje, bailarinas negras precisam colorir sapatilhas com maquiagem. Foto: Reprodução Instagram / Freed of London

A tradicional marca britânica Freed of London acaba de dar um salto em direção à luta pela igualdade racial. Em parceria com a companhia de dança Ballet Black, do Reino Unido, a fabricante de acessórios para bailarinas e bailarinos lançou, em outubro, sapatilhas de balé para dançarinas negras. Os modelos, disponíveis nas cores cobre e marrom, surgem 200 anos após as clássicas sapatilhas cor de rosa.

No balé, uniformidade é tradição. Para bailarinas brancas, as meias-calças e sapatilhas claras cumprem a função de alongar as linhas do corpo; elas não têm dificuldade em encontrar peças que se camuflem à sua pele. Mas esta realidade está longe de as bailarinas negras, por outro lado, precisam enfrentar todos os dias para se adequarem à regra. A dançarina Cira Robinson é uma delas. Em entrevista ao New York Times, ela conta que, durante quase 18 anos, manteve um ritual desgastante.

Ela gastava de quatro a cinco tubos de base de maquiagem por semana para pintar as sapatilhas cor de rosa do tom de sua pele. “Eu ia às lojas mais baratas e comprava bases de US$ 2,95, daquelas que você nunca teria coragem de aplicar na pele porque causariam alergia na hora”, conta.

O processo, conhecido pelo nome “pancaking”, é comum entre dançarinos negros. A técnica foi criada por Arthur Mitchell, que morreu aos 84 anos em setembro. Ele quebrou as barreiras do balé clássico nos EUA durante os anos 50 ao se tornar o primeiro bailarino negro do New York City Ballet. Em 1969, pouco mais de um ano após o assassinato do reverendo Martin Luther King, fundou a companhia Dance Theatre of Harlem. A escola é referência mundial no ensino inclusivo do balé a crianças e jovens.

A bailarina carioca Ingrid Silva integra o time da companhia há uma década. Filha de uma empregada doméstica e de um funcionário aposentado da Força Aérea Brasileira, ela passou por um caminho difícil para consolidar sua carreira. Em 2016, Ingrid postou um vídeo onde mostra como é o processo de tingir suas sapatilhas:

Muitos tons de nude

A Freed Of London não é a primeira marca a oferecer sapatilhas de balé para dançarinas negras. Há pouco mais de um ano, a norte-americana Gaynor Minder, no mercado desde 1993, tem uma ampla cartela de cores – além da cor perolada, é possível encomendar sapatilhas de três tons diferentes de marrom.

Mesmo assim, a novidade representa um marco em direção à conquista pela igualdade racial: a empresa britânica inaugurada em 1929, que teve as icônicas bailarinas Anna Pavlova e Margot Fonteyn como suas primeiras clientes, é uma das maiores fornecedoras de produtos de balé para outros países do globo. Por ser referência no meio, pode se tornar inspiração para que outras fabricantes sigam o exemplo.

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