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“Não existe mais nada para inventar na moda”, diz Juliana Jabour

A estilista mineira, que acaba de criar a Just Kids, “marca cápsula” de moletons, diz que a moda só se reinventa. Ela esteve em Curitiba, em evento exclusivo na Namix e concedeu entrevista exclusiva ao Viver Bem

Presente em um evento exclusivo na Namix, em Curitiba, na última quarta-feira (9) para acompanhar a venda de coleções antigas da sua marca, a estilista mineira radicada em São Paulo Juliana Jabour conversou com o Viver Bem sobre a dicotomia da moda e do conceito de tendências. Ela deixou de participar da última edição da São Paulo Fashion Week (SPFW) com a marca que leva seu nome para se ajustar ao calendário em transição. Ao mesmo tempo, lançou no evento, a irreverente Just Kids, marca de moletons que fez em parceria com a ex-diretora criativa da Triton Karen Fuke.

Just Kids aliás, junta as iniciais das duas, e foi um encontro inusitado que levou à coleção, assim como acontece na carreira de Juliana desde que ela começou na moda. Aos 43 anos, ela montou a marca que leva seu nome em 2004. Estudou Política Internacional nos EUA e Moda em Londres. De volta ao Brasil, em 2003,  já mostrou sua coleção na Casa de Criadores, evento em São Paulo que lançou muitos dos mais talentosos estilistas que atuam em território nacional. De lá para cá, muitas passarelas rolaram na São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda na América Latina e Juliana também transformou e renovou o seu próprio conceito sobre moda.

Desfile da Just Kids, focada em moletons com frases irreverentes, durante a SPFW, em outubro. Foto: Agência Fotosite/divulgação

Desfile da Just Kids, focada em moletons com frases irreverentes, durante a SPFW, em outubro. Foto: Agência Fotosite/divulgação

Enquanto conversa com a reportagem, por exemplo, uma cliente apareceu com um vestido de  malha de uma coleção de 2007 da estilista. “É Antigo”? Pergunta. “Claro que não. É super atual”, responde Juliana. “Não existe antigo na moda. Não existe mais nada para inventar na moda. A moda só se reinventa”, diz. Confira a entrevista:

Você acaba de lançar uma nova marca, a Just Kids, focada em moletom e que desfilou recentemente na São Paulo Fashion Week. Fale um pouco do conceito dessa marca.

Moletom é uma das minhas matérias primas prediletas, matéria prima das quais eu sempre utilizei desde o início do meu trabalho. Me identifico muito porque é a roupa que eu gosto de usar no dia a dia. A Just Kids não é Juliana Jabor.  É uma parceria independente com a Karem Fuke, que foi minha chefe quando eu trabalhei na equipe de estilo da Triton, marca que ela foi diretora criativa por 18 anos.  A gente sempre teve vontade de fazer alguma coisa juntos e nunca rolou por conta de agenda. Em maio desse ano, ela saiu da marca, ao mesmo tempo que eu decidi pular a edição da São Paulo Fashion Week, então resolvemos fazer uma coisa juntas.

E porque você decidiu não participar da SPFW?

Porque essa edição foi uma edição de transição. Eles estão adaptando o novo calendário. Foi uma edição de alto verão, de festas e eu não tenho o foco nesse produto. Então achei mais prudente não fazer esse investimento para poder me preparar para fazer o inverno que vem, já dentro no novo calendário. Só que eu fiquei muito inquieta querendo fazer algo diferente. Então liguei para Karen e propus para fazermos uma coleção rápida, de “zoeira”.

Como assim de “zoeira”?

Ah, sem muito investimento. Uma coleção cápsula sem a necessidade de ter continuidade, sem ser ligada ao calendário. Uma coleção que podemos tanto lançar uma nova no mês que vem como daqui a dois anos. Algo que refletisse esse momento atual da rua.

Essa coleção é bem irreverente. Traz frases como “we’re not here to sell clothes“ (algo como “não estamos aqui para vender roupas”, em tradução livre e “fashion kills” que pode ser entendido como  “moda mata”. Por que frases só em inglês e por que esse conceito?

A escolha das frases também foi dentro desse contexto de “zoeira”. As frases têm uma ironia. Estão em inglês porque tiramos muitas referências da revista inglesa Blitz, que circulava nos anos 80, também tem algumas frases do Truman Capote que não tinham como ser traduzidas. Mas também tem uma palavra em português. Um palavrão bordado na manga.

"As minhas coleções sempre representam a minha vontade", salienta a estilista. Foto: Nayderon Jr./divulgação.

“As minhas coleções sempre representam a minha vontade”, salienta a estilista. Foto: Nayderon Jr./divulgação.

Esse contexto de representar o momento reflete o seu trabalho e também o seu jeito de ver a moda?

As minhas coleções sempre representam minhas vontades.  É o que eu gosto de usar e não encontro nas lojas.  Até por isso eu criei minha marca, porque sempre trabalhei para outras empresas e quando você faz isso tem que seguir uma cartilha e não dá para fazer o que realmente gosta. E moda para mim é liberdade.

E o que você acha dessa mudança do calendário das semanas de moda, do imediatismo do conceito “veja agora e compre agora”?

Acho que é muito cedo para eu ter uma opinião. Acho que no meu caso não vou conseguir me adaptar a esse formato.  Como sou uma marca pequena, não consigo fazer uma produção que ainda não foi vendida. Qualquer coisa que saia errado para mim quebra minhas pernas. Não tenho fôlego para bancar uma aposta que a gente não sabe o que vai dar.

De quão “pequena” estamos falando?

Pequena. Eu fico em São Paulo. Só atuo no atacado. Vendo minha marca em multimarcas e hoje eu tenho 20 pontos de venda. Já tive 120.

Como foi esse processo de redução?

Foi gradativo. Foi diminuindo ao longo do tempo. Mas o auge da pulverização da marca foi em 2006 a 2010 que era a época que a gente mais vendia.

E você atribui isso a uma mudança de consumo?

Eu acho que são três coisas: mudança de consumo, sim, mudança minha, pessoal, que eu quis enxugar, para trabalhar com poucos e bons clientes e também uma mudança muito grande do mercado de 2010 pra cá. Com a entrada de marcas importadas, dessa coisa de fast fashion. Hoje tem essa banalização da moda, você vai na Zara e encontra tudo (adoro a Zara, hein! Rs). Foram essas três cosias que começaram a acontecer. Eu também senti uma necessidade de enxugar. Às vezes a rentabilidade é até maior vendendo menos.

E dentro de todas essas mudanças, o que você está pensando para o futuro?

Eu quero continuar com a minha marca, continuar com o trabalho da Lez A Lez de Santa Catarina, que ocupa boa parte do meu tempo (ela está há dois anos como consultora criativa da marca catarinense). E também tem a Just Kids, cuja ideia é ser “ free kids” . Começamos a  vender essa semana em São Paulo, mas ainda não sei se vamos fazer outra em seguida ou não. Só sei que vou  continuar trabalhando bastante.

 

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