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 | Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo
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As mãos, pernas e braços amortecem, normalmente apenas de um lado do corpo, de uma hora para outra. A memória se confunde, a visão e a fala mudam. A partir desse ponto, a família tem 4,5 horas para levá-lo ao hospital e iniciar o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC). A rapidez no atendimento é essencial para que os sintomas possam ser revertidos, reduzindo riscos de sequelas, como a perda da mobilidade ou comprometimento da fala.

O tratamento precoce, no entanto, não cabe a todas as situações de AVC. No caso de acidentes com a formação de um coágulo bloqueando a passagem do sangue na artéria em um determinado lado do cérebro, a administração de medicamentos é eficiente para dissolver o coágulo. Se houver um rompimento da artéria ou se o AVC ocorrer enquanto o paciente está dormindo, não há como prever o tempo certo e o tratamento pode ser ineficaz. "A identificação pronta e rápida dos familiares ou das pessoas próximas é importante para que o paciente seja levado logo ao hospital, independentemente do tempo que o acidente tenha ocorrido", afirma o neurologista responsável pela UTI sobre AVC do Hospital Mar­celino Champagnat, Ivo José Marchioro.

Mesmo assustados com os sintomas do familiar que passa pelo AVC, não dar medicamentos em casa é importante para evitar sequelas. "Em um AVC isquêmico, o aumento da pressão arterial é uma tentativa do organismo de mandar sangue para onde não está chegando, devido ao coágulo. Se você normaliza ou abaixa a pressão com remédios, pode piorar a situação do paciente, que deixará uma parte do cérebro sem irrigação por mais tempo", explica Marchioro.

Perigo iminente

Apesar de os sintomas se apresentarem no momento do acidente, alguns fatores podem indicar um risco maior. O primeiro deles, conforme explica o vice-presidente da Academia Brasileira de Neurologia, Rubens José Gagliardi, é a hipertensão arterial sistêmica ou pressão alta. "Cardiopatias, disritmia cardíaca, diabete, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e algumas doenças que alteram a coagulação do sangue podem favorecer o AVC. O histórico familiar é importante também", diz.

Localização

Ao chegar ao hospital, o médico identifica, por meio de uma tomografia, a exata localização do coágulo ou o rompimento da artéria para saber as possíveis consequências. "Se é um vaso que irriga o lado para controlar a força esquerda da pessoa, ela terá fraqueza neste lado. O que determina é a área, mas existem artérias que são mais comumente acometidas, especialmente na área da fala, área motora ou sensitiva", afirma Marchioro. Em alguns casos, pequenos derrames podem alterar de forma leve a memória, deixando o paciente desorientado, mas são menos frequentes.

Jovem x idoso

A influência da idade como fator de risco para AVC existe, mas não é tão grande. Mesmo jovens podem estar predispostos ao acidente, especialmente aquelas que fazem uso de anticoncepcionais. Comparado a um homem idoso, hipertenso, com colesterol alto, o risco que uma mulher de 25 anos de idade tem de sofrer um AVC é baixo. Esse risco aumenta, no entanto, quando adiciona o anticoncepcional na equação. "O fator hormonal é muito importante quando se fala em evento vascular em jovens. Não acontece com frequência, mas não é impossível. O estrogênio desencadeia a doença pelo estreitamento das artérias, levando a uma isquemia ou formação de trombose", diz a neurologista, neurossonologista e professora UFPR, Viviane Zétola.

Optar por um anticoncepcional que utilize apenas o hormônio progesterona também não garante segurança, segundo a também diretora da Associação Paranaense de Ciências Neurológicas. "Não temos estudos suficientes para afirmar qual pode e qual não pode. Lógico que um anticoncepcional de baixa dosagem ajuda, mas se o objetivo é somente a contracepção, aconselhamos a jovem a buscar outros métodos", afirma.

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