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Adolescente fica cego após sete anos comendo batatas fritas e pão branco

Consumo em massa de junk food e popularidade do veganismo podem estar por trás de problemas relacionados à má nutrição; variar a dieta é a chave, dizem especialistas

O garoto foi diagnosticado com transtorno restritivo da ingestão de alimentos, caracterizado pela aversão a certas texturas alimentares. Foto: Bigstock.O garoto foi diagnosticado com transtorno restritivo da ingestão de alimentos, caracterizado pela aversão a certas texturas alimentares. Foto: Bigstock.

Um caso de birra extrema para comer pode ter causado cegueira em um adolescente do Reino Unido, de acordo com um relatório publicado nesta segunda-feira (02) pelo Annals of Internal Medicine.

Quando Denize Atan, principal autora do estudo, encontrou o menino de 17 anos de idade no Bristol Eye Hospital, a visão do jovem estava se deteriorando havia dois anos.

Mas o que mais a chocou foi por quanto tempo o comportamento alimentar do paciente havia persistido. “Quando eu o conheci, ele tinha seguido a mesma dieta por aproximadamente sete anos”, diz Denize.

“Ele comia uma porção diária de batatas fritas de lojas Fish n´Chips e também aperitivos estilo Pringles, além de pão branco, fatias de presunto processadas e salsicha”, diz o estudo, que adverte que a dieta pode ter causado efeitos irreversíveis no sistema nervoso do adolescente, incluindo na visão.

O menino havia sido tratado pela primeira vez três anos antes por seu médico de família após queixar-se de “muito cansaço”.

Segundo o relatório do médico, ele tinha uma alimentação extremamente e acabou não tomando medicamentos.

Testes iniciais mostraram que ele apresentava baixos níveis de vitamina B12 e anemia macrocítica, que foram tratados com injeções de vitamina B12 e “aconselhamento alimentar”.

Aos 15 anos, a audição do garoto começou a falhar e, em seguida, surgiram as complicações da visão. Os médicos não conseguiram determinar o que estava causando nenhum dos sintomas.

Ele comia uma porção diária de batatas fritas de lojas Fish n´Chips e também aperitivos estilo Pringles, além de pão branco, fatias de presunto processadas e salsicha. Foto: Bigstock.

Ele comia uma porção diária de batatas fritas de lojas Fish n´Chips e também aperitivos estilo Pringles, além de pão branco, fatias de presunto processadas e salsicha. Foto: Bigstock.

Após dois anos de perda progressiva da visão, o garoto foi declarado cego. Testes adicionais descobriram que sua deficiência de vitamina B12 não havia diminuído.

Ele também teve reduzido o nível da densidade mineral óssea, tinha altos níveis de zinco e baixos níveis de cobre, selênio e vitamina D.

O diagnóstico foi duplo, de acordo com o relatório: neuropatia óptica de origem nutricional e transtorno restritivo da ingestão de alimentos, que começa na metade da infância e não é motivado por questões estéticas ou de peso, mas pela aversão a certas texturas alimentares e o medo de possíveis consequências ruins de comer.

A neuropatia óptica nutricional, que Atan disse ser causada com mais frequência por má absorção de nutrientes, uso de certos medicamentos e mesmo alcoolismo, é uma disfunção no nervo óptico que, se detectada precocemente, é reversível, mas pode levar a danos permanentes e cegueira se não tratado.

“Deficiências nutricionais são cada vez mais comuns, mas não cegueiras de fundo nutricional”, disse a médica. “A cegueira é uma complicação incomum, mas grave, de má nutrição”.

Em um comunicado de imprensa da Universidade de Bristol na segunda-feira, Atan, que também é consultor sênior de oftalmologia na Bristol Medical School e líder clínico de neuro-oftalmologia no Bristol Eye Hospital, disse: saúde física e o fato de que a ingestão de calorias e o IMC não são indicadores confiáveis do estado nutricional “.

Os pesquisadores dizem que a neuropatia óptica nutricional pode se tornar mais prevalente por causa do consumo em massa de junk food e da “crescente popularidade do veganismo” que não é regularmente complementada com vitamina B12.

“Não existe um único alimento que forneça vitaminas e minerais de que você precisa — variedade é a chave”, disse Atan.

Ela espera que o caso do adolescente sirva como uma advertência, levando à inclusão generalizada da história da dieta em exames clínicos de rotina.

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