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O que dizem as pessoas que passaram por experiência de quase-morte

Sensações como alucinações, mudança na percepção do tempo e pensamento acelerado acontecem em uma a cada 10 pessoas, diz estudo

Alucinação, sensação de estar fora do corpo e luz ao fim do túnel: sensações comuns a quem vive experiências de quase-morteAlucinação, sensação de estar fora do corpo e luz ao fim do túnel: sensações comuns a quem vive experiências de quase-morte (Foto: Bigstock)

Uma a cada 10 pessoas já teve sensações associadas a experiências de quase-morte, como alucinações visuais ou auditivas, estar “fora do corpo“, pensamento acelerado e distorção na percepção do tempo. O dado é de um estudo divulgado durante o 5º Congresso Europeu da Academia de Neurologia, ocorrido no fim de junho em Oslo, Noruega, e que envolveu participantes de 35 países.

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Foram recrutados mais de 1.034 voluntários através de uma plataforma online de crowdsourcing (modelo de criação ou financiamento coletivo). Através dessa metodologia, vieses foram eliminados durante a seleção dos participantes, que foram questionados sobre as experiências de quase-morte, caso tivessem tido. Para detalhar as sensações, os pesquisadores usaram uma escala de experiência de quase-morte, conhecida por escala de Greyson.

Do total de 289 pessoas que responderam terem tido experiências do tipo, 106 atingiram o valor de 7 na escala, indicando ser uma resposta positiva e coerente com as sensações de quase-morte. Ainda, 55% das pessoas entenderam essas sensações como algo que colocava a vida delas em risco, enquanto 45% não viram dessa forma.

Sensações de quase-morte mais comuns

Conforme o relato dos participantes, as experiências mais frequentemente citadas incluíam:

  • Percepção anormal de tempo (87%)

  • Pensamento excepcionalmente acelerado (65%)

  • Sentidos excepcionalmente vívidos (63%)

  • Sensação de estar separado ou fora do corpo (53%)

Houve ainda quem citasse ter uma sensação de paz total, sentir a alma ser “sugada” para fora, ouvir o canto de anjos, ver a vida passar diante dos olhos, e até mesmo estar em um túnel escuro com uma luz brilhante ao final. Outros também relataram sentir a presença de outras pessoas próximas a eles antes de irem dormir, ou de alguém sentado em cima do peito, impedindo o movimento da pessoa.

“Recebi visitas que não faziam sentido”

Sensação semelhante viveu Renata Folharini, de 30 anos. Dos 18 aos 21 anos, a jovem passou por experiências incomuns: teve três AVCs (Acidente Vascular Cerebral), entrou em coma diversas vezes e passou por paradas cardíacas mais de seis vezes. Nesse entra e sai da “vida”, Renata teve sensações que, embora ela não lembre de todos com detalhes, a família não esquece.

“Minha irmã conta sempre que, quando eu estava internada, eu falava que tinha recebido visitas, como Deus, Jesus, e eles tinham me dito que seria uma fase difícil, mas que ia ficar tudo bem. Eu sou meio cética, talvez fosse algo da minha cabeça ou efeito do anestésico, não sei”, relata a jovem, que aos 18 anos descobriu ter uma má-formação artério-venosa, prejudicando a irrigação do cérebro, que levou ao AVC.

Renata e a irmã, Jane Folharin Barbosa, que disse que a irmã recebia visitas divinas durante internações nos hospitais

Renata e a irmã, Jane Folharin Barbosa, que disse que a caçula recebia visitas divinas durante internações nos hospitais (Foto: Arquivo pessoal)

Renata, hostess à procura de emprego e que vive em Porto Alegre, não se lembra de ter tido nenhuma outra sensação de quase-morte além de uma possível “alucinação” no hospital, mas o médico mastologista Cícero Urban relata uma percepção diferente quando passou por uma situação semelhante há mais de 10 anos.

“Eu não tive uma experiência de quase-morte, mas passei por um problema de saúde muito grave há 13 anos. Quando recebi o diagnóstico de câncer de pâncreas, fui para a rua XV de novembro, em Curitiba, para pensar sobre a vida e eu lembro de ter ‘despertado’. Via coisas que eu não via antes, percebia e escutava melhor o ambiente, estava mais sensível às coisas ao meu redor”, lembra o médico.

Urban, que atua como oncologista clínico e mastologista, diz ainda que não ouviu de pacientes relatos semelhantes, mas isso não significa que não existam. “É um questionamento que não faz parte da anamnese [entrevista com o paciente]. Não pergunto a ele porque, se você perguntar, tem que saber o que vai fazer com a informação. E quando os pacientes têm uma situação assim, têm medo de relatar”, explica o especialista.

Será real?

Para além da questão espiritual ou religiosa, é possível explicar essas sensações de uma perspectiva da Medicina, diz Cícero Urban, médico oncologista clínico e mastologista.

“Existem algumas situações em que o Sistema Nervoso Central (SNC) pode desencadear fenômenos parecidos, mas não temos como fechar uma relação de causa e efeito”, diz o médico, que associa as sensações de quase-morte com os as experiências de sonhos:

“Temos que lembrar que quase todas as noites temos fenômenos diferentes que são os sonhos. Existem áreas do SNC que são responsáveis por isso, e também não temos uma explicação 100% de como isso ocorre”, afirma o médico, que é vice-presidente do Instituto Ciência e Fé, coordenador do curso de Medicina da Universidade Positivo, em Curitiba, e membro da câmara técnica de Bioética do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR).

O médico lembra de uma pesquisa realizada com pacientes com câncer de mama. As mulheres, antes das cirurgias, respondiam a um questionário sobre a espiritualidade. Depois, as mesmas pacientes eram questionadas com relação à sensação de dor no pós-operatório. “Comparamos uma dor física com algo que, em teoria, não teria qualquer ligação. E, para nossa surpresa, pacientes com maior espiritualidade relataram ter menor desconforto e dor no pós-operatório”, diz Urban.

“A minha tendência como médico e pesquisador é entender que esses fenômenos [de quase-morte] possam encontrar uma explicação do ponto de vista fisiológico, assim como essa situação em que medimos a espiritualidade dos pacientes. Uma pessoa que tem uma vivência melhor com os outros, com a comunidade, que entende seu papel no mundo, é alguém que vivencia melhor a doença, aceita melhor as limitações”, explica o médico. 

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