Saúde e Bem-Estar

Raquel Derevecki

Sensação permanente da boca seca, mesmo bebendo água, pode indicar diversas doenças

Raquel Derevecki
30/04/2019 08:00
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Se você toma água, mas a sensação de boca seca persiste, é necessário atenção. Foto: Bigstock

Você toma água, mas a sensação de boca seca persiste. Além disso, sente dificuldade para engolir, a língua parece queimar, os lábios racham e o mau hálito é frequente.Esses sintomas podem indicar uma condição chamada xerostomia, que atinge centenas de pessoas devido ao estresse, depressão, efeitos de medicamentos e até doenças como diabetes, hipotireoidismo, hepatite C e Aids.
De acordo com a consultora de higiene bucal Érika Vassolér, a xerostomia ocorre quando as glândulas responsáveis pela produção de saliva não funcionam adequadamente. “Por isso, além da sensação de estar com a boca seca, a pessoa também pode apresentar dificuldade ao falar, engolir e até para sentir o gosto de alguns alimentos”, explica.
Na maioria das vezes, segundo ela, esses sintomas são momentâneos devido à apreensão em uma reunião, algum problema familiar ou mesmo após falar muito, dormir com a boca aberta e ingerir pouco líquido. Nessas situações, basta realizar a hidratação adequada e aguardar algumas horas até a boca voltar ao normal. No entanto, se o problema for recorrente, é preciso atenção.

“Se a boca seca aparece com frequência causando desconforto, é necessário ficar atento porque isso pode indicar problemas de saúde mais sérios”, alerta Érika.

Para o advogado Mauricio Gavanski, por exemplo, a sensação revelou seu elevado nível de estresse e exaustão emocional. Funcionário de um escritório de advocacia, o curitibano de 48 anos estava acostumado a atender inúmeros clientes, viajar quatro dias por semana, passar pouco tempo com a família e nunca descansar. “Mas aquela rotina não era saudável e meu organismo mostrou isso”, relata o morador do Atuba, que passou a conviver com a xerostomia em 2016.
Segundo ele, sua boca ficava tão seca durante o trabalho que os lábios começaram a descamar muito e a ingestão frequente de líquidos durante todo o dia não ajudava. “Quando eu ia escovar os dentes, por exemplo, parecia que eu jogava água em terra seca. A boca estava farelenta”, relata o advogado, que também começou a conviver com a halitose. “Percebi o hálito alterado e comecei a ficar bem preocupado achando que estava com diabetes”.
Foto: Pixabay
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Maurício procurou acompanhamento médico, realizou diversos exames e percebeu que os resultados estavam normais. “O que eu tinha era um quadro de xerostomia causado por fatores emocionais”, recorda o advogado, que iniciou o tratamento e diminuiu sua carga de trabalho.

O tratamento

Para isso, o curitibano passou por um exame salivar que indicou o grau da disfunção nas glândulas responsáveis pela produção de saliva. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), Cláudia Christianne Gobor, esse teste avalia a condição do paciente e mostra o tratamento mais indicado para seu caso.

“Algumas pessoas precisam de um estímulo mecânico nas glândulas salivares, outras necessitam de estímulos elétricos para retomar a produção salivar, de sessões a laser para oxigenação dessas glândulas e há ainda pacientes que têm resultados com a aplicação da acupuntura”, comenta a especialista.

Para o advogado, uma sessão a laser no valor aproximado de R$ 150 e a mudança no seu ritmo de trabalho foram suficientes para a correção do problema. “Já estou há seis meses sem sentir aquele desconforto de conviver com a boca seca”, comemora.

Prevenção de cáries

Além de engolir com facilidade, escovar os dentes livre da sensação de secura na boca e falar sem se preocupar com a halitose, o paciente que trata a condição da xerostomia também evita a proliferação de cáries e o surgimento de outros problemas. “Isso porque a saliva faz mais do que simplesmente manter a boca úmida”, afirma a cirurgiã dentista Anna Carolina de Pauli.
Segundo ela, a secreção aquosa transparente presente na boca é essencial na digestão dos alimentos ao possibilitar a mastigação e deglutição, além de proteger os dentes das cáries e prevenir infecções ao controlar as bactérias da boca. “Por isso, o cuidado e atenção com as disfunções na produção de saliva são necessários”, orienta.
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