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Brincadeiras devem ser prescritas como remédios, defendem pediatras

Medida é defendida pela entidade médica de pediatria norte-americana por auxiliar no desenvolvimento cognitivo e social

Crianças brincandoAlém de se exercitarem, brincar ajuda no desenvolvimento social, emotivo e cognitivo das crianças (Foto: Hugo Harada/ Agência de Notícias Gazeta do Povo)

Brincar parece fazer parte da rotina de qualquer criança, certo? Não é bem assim: assustados com a quantidade crescente de crianças com as agendas cheias de compromissos, os pediatras norte-americanos publicaram um alerta: médicos devem prescrever, tal qual remédio,  a brincadeira para as crianças e também para os adultos.

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O momento é essencial para o desenvolvimento cognitivo e sócio-emocional, além de trabalhar na linguagem e nas habilidades sociais das crianças. “Quando as brincadeiras e as relações seguras, estáveis e amorosas estão em falta na vida da criança, o estresse tóxico pode atrapalhar o desenvolvimento de funções executivas e o comportamento de aprendizagem pró-social”, ressaltam os médicos norte-americanos em comunicado divulgado em agosto.

Dentre os benefícios, as brincadeiras ajudam a criança a desenvolver noções de colaboração, negociação, resolução de conflitos, defesa de si próprio, tomada de decisão, criatividade, liderança, além de aumentar os exercícios físicos.

“Brincar melhora a estrutura e a função cerebral, e promove uma função executiva, como por exemplo o processo de linguagem, permitindo que nós persigamos metas e ignoremos as distrações”, aponta o relatório.

Criança pode, e deve, ser livre para sujar

Não é difícil encontrar hoje brincadeiras estruturadas, com muitas regras e com objetivos claros e didáticos. Embora sejam atividades importantes, é preciso que a criança também tenha momentos livres, onde ela possa escolher do que e como vai brincar.

criança brincando na areia

Segundo psicóloga, crianças devem ser livres para se sujar. Foto: Markus Spiske/Unsplash.

“Não digo que tenha que sempre ser assim, mas é preciso um momento que a criança escolha o que brincar, se vai usar argila, tinta, o que for. Nada que ofereça risco, mas sem a preocupação dos pais que a brincadeira vá sujar o local. Ou, se for um jogo certo, que ela possa criar novas regras”, explica Rita de Cássia Lous, psicóloga e coordenadora do setor de voluntariado do hospital Pequeno Príncipe.

Uma vez dada a liberdade, todas as escolhas — e inclusive a responsabilidade — recaem sobre a criança, e isso é bastante benéfico.

“Ela precisa ter a opção de fazer escolhas e que ela seja respeitada por isso. Ouvir a criança é muito importante. A medida que a escolha dela for respeitada, as consequências são dela também. Ela vai brincar e, se sujar, depois vai limpar. Talvez ela não fique contente, mas isso também é importante para ela aprender com a frustração”, reforça a psicóloga.

Brincadeira terapia

Os pais que brincam junto com as crianças conseguem, inclusive, perceber sentimentos que os filhos não manifestam no dia a dia, como de tristeza ou angústia.

“A criança tem condições de colocar no brincar tanto o que traz alegria quanto o que traz tristeza, e aprende a lidar com isso. Um exemplo simples: quando eu brinco de professora e eu me sinto mal com alguma situação que ocorreu na sala de aula, eu imito na brincadeira. Isso me reestrutura”, reforça Rita de Cássia Lous, psicóloga.

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Além disso, qualquer objeto se transforma em um brinquedo pelo olhar da criança e isso também colabora na formação. “Só o ser humano consegue olhar para o objeto além da função e imaginar algo a mais, dar um valor simbólico. O cabo de vassoura que se transforma em um cavalinho. Hoje trabalhamos com brinquedos prontos, e isso não é ruim. Mas a possibilidade de se tornar algo que não é brinquedo em brinquedo também deve ser dada à criança”, explica a psicóloga.

“Tudo que a gente faz com prazer na vida adulta, como trabalhos manuais, provavelmente foi algo que a gente brincou na infância. O nosso precursor é o brinquedo, as brincadeiras” – Rita Lous, psicóloga.

Crianças precisam correr

Se a brincadeira envolve o correr, caminhar, pular e se jogar, Evando Góis, médico ortopedista e traumatologista pediátrico, prescreve no consultório. O especialista aplica há anos a regra reforçada agora pela Academia norte-americana de Pediatria, e diz que conversando e explicando aos pais, até eles entram na brincadeira.

“A criança chega ao consultório e eu não digo que vou prescrever uma atividade física, mas uma brincadeira que ela se divirta. Peço que ela escolha algo que goste e não quero que se torne um atleta profissional, mas que ela saia de casa, não fique parada”, explica o especialista, que atua no hospital Pequeno Príncipe.

Não se trata apenas do aspecto físico, conforme reforça Góis, mas também do ponto de vista social que a brincadeira beneficia. “Criam-se uns adultos meio alienados, que não sabem ter uma interação social. Quando você faz um esporte, ele pressupõe regras, um líder, que você tem que obedecer ou liderar. Tudo isso é importante”, diz o especialista.

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