Carne branca também aumenta o colesterol ruim

Novo estudo mostra que o consumo de carne branca (frango) teria o mesmo impacto no colesterol ruim, ou LDL, que a carne vermelha

Carne branca pode não ser a melhor opção à carne vermelhaCarne branca pode não ser a melhor opção à carne vermelha (Foto: Bigstock)

Nos pratos de quem busca reduzir os níveis de colesterol, a carne vermelha deve ter a presença restrita — e todo mundo que já recebeu o alerta do médico sabe disso.

A alternativa popularmente conhecida sempre foi buscar fontes de proteína animal como a carne branca, especialmente o frango. Um estudo publicado em junho em uma revista científica norte-americana voltada à nutrição clínica acende o alerta: a carne de frango favorece o colesterol ruim, o LDL, tal qual a carne vermelha.

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Para chegar a esse resultado, os pesquisadores dividiram 113 participantes em dois grupos: os que receberiam uma dieta rica em gordura saturada e os que comeriam uma dieta pobre em gordura saturada.

Dentro dessas refeições, havia quem receberia carne vermelha, os que receberiam carne branca e os que seriam alimentados, durante quatro semanas, com proteínas de origem vegetal, como lentilha e tofu.

Essas dietas foram realizadas em sequência, de forma que todo mundo comesse os três tipos de proteínas durante o mesmo período de tempo.

Ao fim do estudo, percebeu-se que tanto a dieta com a carne vermelha, quanto a dieta com a carne branca impactavam nos níveis do colesterol LDL. Esse é o tipo considerado “ruim” por especialistas, por aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Um colesterol LDL alto significa maior risco de placas de gordura nas artérias, favorecendo a ocorrência de infartos e AVC (acidente vascular cerebral). 

“As pessoas pensam que comer mais carne branca vai reduzir a chance de doenças cardiovasculares, em relação à carne vermelha. Se olharmos apenas o fator do ácido graxo saturado, não há diferença. Mas é preciso lembrar que há situações em que a carne branca ganha, sim, em relação à vermelha”, explica Maria Augusta Karas Zella, médica endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia — regional Paraná.

Compare um prato de costela bovina, cheia de gordura, a um peito de frango sem pele e grelhado: a carne vermelha teria um impacto maior no teor de gordura saturada que a carne branca.

“Não é porque se trata de frango que é livre de danos. Mas é preciso lembrar que a carne vermelha, em outros estudos, tem um dano cardiovascular importante, especialmente as carnes processadas e ultra-processadas. Além disso, nesse estudo citado não foi avaliado o peixe, outra carne branca, apenas o frango, carne vermelha e proteínas vegetais”, reforça a especialista.

Abandono da carne?

Mudar as recomendações apenas com base nesse estudo não é o mais adequado, conforme explica Miguel Morita Fernandes da Silva, cardiologista mestre em Saúde Pública, médico da Quanta Diagnósticos por Imagem e diretor científico da Sociedade Paranaense de Cardiologia (biênio 2020/2021).

“É possível dizer que se você optar por uma fonte proteica na alimentação livre de carne, seja a branca ou vermelha, teria um efeito menor no aumento do colesterol LDL. Agora, se isso se traduziria em um menor risco de infarto, é outra história. O estudo não avaliou isso. Do ponto de vista de recomendação para a sociedade, ainda é cedo para dizer ‘vamos ter uma vida sem carne'”, explica o especialista, que também é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Morita lembra que além da proteína de fácil absorção, a carne é fonte de outros nutrientes, como a vitamina B12, que são benéficos à saúde. “A carne branca avaliada é a de aves, mas os peixes não foram estudados. Quando falamos em carne branca, no geral, fica a impressão que o efeito sobre o colesterol seria o mesmo, mas não temos como dizer que a carne de peixe seria incluída nesse resultado”, reforça o especialista.

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Proteína vegetal: zero colesterol

Se o impacto no colesterol LDL é menor com o consumo de proteínas de origem vegetal, a resposta é simples: não há colesterol nesses alimentos. Logo, vale incluí-los na dieta, seja em um dia sem carne, seja de forma mais frequente.

“A proteína vegetal nunca vai ser igual à animal em questão de aminoácidos e vitaminas. Quem não faz uso, precisa repor quando há deficiência. Mas é importante ressaltar que a proteína vegetal na alimentação traz junto fibras e um menor consumo de alimentos ultra processados. Fibras, legumes, leguminosas, castanhas e sementes compõem uma alimentação mais saudável, reduz o valor calórico e é uma dieta menos inflamatória”, explica Maria Augusta Karas Zella, médica endocrinologista.

Com relação a quem já tem o diagnóstico de colesterol alterado, vale conversar com o médico especialista para saber qual é a melhor dieta — o estudo norte-americano citado foi realizado com pacientes saudáveis, sem doenças crônicas associadas.

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