Médicos de Londrina criam cartilha para incentivar pacientes a perguntarem durante as consultas

Profissionais desenvolveram documento para exemplificar ações que as pessoas podem e devem ter nos consultórios

Diagnóstico correto: apenas com a participação do pacienteSaber questionar o médico durante uma consulta é uma ação cada vez mais indicada, até para a melhora no diagnóstico (Foto: Bigstock)

Entre 10% a 15% dos diagnósticos, no mundo, estão incorretos. A responsabilidade pelo acerto, porém, não recai apenas sobre os médicos e especialistas. A participação do paciente também colabora com esse número estimado em estudos, seja pela falta de uma pergunta importante no momento da consulta ou mesmo uma incompreensão dos sintomas pelo médico.

Com esse número em mente, três médicos de Londrina desenvolveram uma cartilha voltada ao empoderamento do paciente. Lá constam dicas de como a pessoa poderia se envolver mais durante as consultas e até mesmo garantir um tempo maior com o médico – situação cada vez mais escassa.

“O médico tem pouco tempo, e quando o paciente faz uma pergunta, ele pensa, faz outra consideração, explica melhor e isso transmite segurança. Quando há o diálogo do médico com o paciente, cria-se um vínculo entre eles”, explica Fabrizio Almeida Prado, médico nefrologista, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e um dos autores da cartilha e do blog Raciocínio Clínico, onde a cartilha está disponível gratuitamente ao público.

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Dos questionamentos que cabem aos pacientes, o nefrologista ao lado dos colegas médicos Leandro Diehl e Pedro Gordan, sugerem as seguintes ações na Cartilha do Paciente:

Conte sua história de maneira completa e assegure que o médico a compreendeu.

Garanta que o médico lhe examine, especialmente na primeira consulta.

Pergunte quais exames são necessários e questione a urgência de cada um.

Tire suas dúvidas sobre o diagnóstico ou tratamento indicado pelo médico.

Faça a sua parte, siga as orientações do médico e siga o tratamento até o fim.

Futuro dos pacientes

Pacientes empoderados, embora ainda sejam considerados um incômodo por alguns médicos, serão o futuro, garante Fabrizio Prado, co-autor da Cartilha para o Paciente. “Às vezes percebemos um desconforto do médico em ser questionado, porque ele não foi treinado para isso. Mas precisa aprender, faz parte da mudança cultural. Teremos pacientes cada vez mais esclarecidos e nem sempre com questionamentos errados. Muitos colaborando até mesmo no diagnóstico correto”, reforça.

Outra iniciativa como a cartilha, no Brasil, é o movimento Choosing Wisely. A partir da lista de procedimentos desnecessários em cada especialidade, pacientes e médicos conseguem tomar decisões melhores. De acordo com Guilherme Brauner Barcellos, coordenador nacional, a lógica por trás de movimentos assim está em fugir de uma relação paternalista no consultório:

“O paciente fica mais ativo no processo de decisão médica. Ele entende o panorama, os riscos, os custos, não só os financeiros, mas de tempo e o emocional de se submeter a intervenções médicas. Esta é uma nova era da medicina, e nem é uma opção, porque os pacientes já se colocam como agentes mais ativos”, explica Barcellos.

Ações complementares para os pacientes

No blog Raciocínio Clínico, os médicos de Londrina listam ainda outras atitudes positivas que tanto pacientes quanto médicos devem ter em mente na próxima consulta. Confira:

Aos pacientes:

  • Exames complementares são importantes, por isso devem ser feitos no tempo certo e com a cobrança dos resultados.
  • Não falte às consultas previamente agendadas.
  • Guarde e leve ao médico o histórico de exames e receitas.
  • Siga as recomendações de tratamento e sempre questione quando tiver dúvidas.
  • Se visitar mais de um especialista, avise o médico para que um profissional saiba o que o outro está fazendo ou pensando sobre seu tratamento. Leve os exames e peça relatórios escritos para entregar aos demais profissionais.

Aos médicos:

  • Troque a pergunta “Você tem alguma pergunta?” por “O que você gostaria de perguntar?” ou “Que perguntas você gostaria de fazer sobre (diagnóstico, exame, tratamentos ou prognóstico?”. É uma abordagem mais eficaz.
  • Lembre-se sempre de usar uma linguagem adequada.
  • Não perca a calma se não for compreendido de primeira, ou se precisar explicar novamente.
  • Questionamentos muito frequentes podem ser respondidos por meio de cartilhas ou sites de confiança. Indique-os aos seus pacientes.

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