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Como vai ser a batalha contra o câncer no futuro: a resposta está nos genes

Especialistas perceberam que cânceres, ainda que com o mesmo nome, não são iguais em todos os pacientes. Tratamentos, portanto, não devem ser os mesmos

Um câncer não é exatamente o mesmo entre duas pessoas diagnosticadas. Foto: Bigstock.Um câncer não é exatamente o mesmo entre duas pessoas diagnosticadas. Foto: Bigstock.

Câncer tem nome, mas também tem sobrenome, RG, CPF, endereço, título de eleitor e até de reservista. Parece brincadeira, mas os médicos oncologistas e patologistas têm descoberto cada vez mais que não é piada.

Um câncer de pulmão, por exemplo, não é exatamente o mesmo entre duas pessoas diagnosticadas — até por isso mesmo que o tratamento pode funcionar para uns, e não para outros.

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Desde 2018, com a divulgação dos resultados do estudo do genoma do câncer (onde 35 mil tumores foram  sequenciados), os especialistas descobriram mais de 3 milhões de mutações que ocorrem com a doença.

Uma delas está na fusão que acontece com os genes NTRK e que predispõe alguns organismos a proliferar mais rapidamente as células tumorais.

“Quando há essa fusão, a atividade pela qual aquele gene é responsável [no caso, a divisão celular] fica o tempo inteiro ligada. É como se alguém apertasse a campainha e o botão não voltasse, deixando tocar sem parar. A fusão nos genes NTRK envia uma mensagem para a célula tumoral: você tem que se multiplicar, e isso acontece de forma desordenada”, explica Isabela Werneck da Cunha, médica patologista da rede D’OR, de São Paulo, uma das palestrantes do Seminário Latino-americano para Jornalistas, promovido pela farmacêutica Bayer, em Miami (EUA).

Acontece que essa fusão pode acometer alguns pacientes diagnosticados com câncer e outros não — por mais que seja o “mesmo” câncer. Ou ainda, pacientes com cânceres diferentes (como pulmão e sarcoma) podem ter a mesma alteração nos genes e, portanto, se beneficiar de um mesmo tratamento.

“Outros tumores usam outros recursos. A célula tumoral é muito esperta. Ela procura descobrir como pode fazer para se proliferar mais rápido, e cada tumor escolhe seu mecanismo”, completa a especialista.

Até o momento, sabe-se que essa alteração no gene NTRK acontece mais frequentemente em alguns cânceres raros, como tumores nas glândulas salivares, e menos frequentemente em cânceres mais comuns, como pulmão, tireoide e cólon. Ao todo, somam-se 17 tipos diferentes de tumores que podem apresentar essa mutação, mas o número pode aumentar conforme o avanço nos estudos gênicos.

Medicamentos para os genes

Sabendo desses diferentes mecanismos que os cânceres adotam, novos tratamentos tendem a surgir. Isso reforça a ideia de que, no futuro, quanto mais personalizada, única e específica for a abordagem da doença, melhores serão os resultados.

No futuro, quanto mais personalizada, única e específica for a abordagem da doença, melhores serão os resultados. (Foto: Bigstock)

“É muito claro que hoje, em 2019, não cabe mais um único tratamento para todos quando falamos em medicina em geral. Na oncologia isso é um paradigma. Nós somos diferentes.

Temos que encarar que o câncer vai aparecer em cada um de nós, nos nossos pacientes, em cada órgão como um tumor diferente”, explica Gilberto Castro Junior, médico oncologista clínico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, que também esteve presente no evento.

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Aprovado pela agência reguladora norte-americana, e pelo respectivo órgão europeu, está na lista de avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil um novo medicamento que propõe esse tratamento personalizado.

O larotrectinibe, cujo nome comercial é Vitrakvi, da Bayer e Loxo Oncology, é um inibidor dos receptores de tropomiosina quinase TrkA, TrkB e TrkC e age impedindo a fusão dos genes NTRK. Assim, bloqueia a multiplicação das células do câncer.

Ainda sem previsão de data para ser comercializado no país, o medicamento mostrou bons resultados no estudo clínico, de acordo com Luz Cubillos Garzón, vice-presidente de Assuntos Médicos da divisão farmacêutica do laboratório Bayer para a América Latina.

“75% dos que receberam a medicação larotrectinibe tiveram boas respostas ao tratamento, e em 22% houve um controle definitivo sobre a doença. O remédio pode ser tomado via oral pelos pacientes e independe da idade ou do tipo de câncer, sendo indicado para crianças e adultos”, explica a especialista.

Embora estime-se que a fusão dos genes NTRK aconteça entre 0,5% a 1% dos pacientes diagnosticados com câncer, a medicação é voltada às pessoas cuja doença está em metástase, e não é usada como primeira abordagem de tratamento. Antes de ser indicada, também, é preciso que se confirme que aquele paciente tem a fusão nos genes, através de um sequenciamento genético.

“Essa foi uma das primeiras drogas aprovadas para um tratamento que independe do tipo de tumor. A outra foi o entrectinib [da farmacêutica Roche], que também tem ação contra a fusão do NTRK”, lembra Isabela Werneck, médica patologista.

*A repórter viajou a Miami (EUA) à convite do laboratório farmacêutico Bayer.

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