Como evitar a pneumonia, doença que afeta 2 milhões de pessoas por ano no Brasil

A pneumonia é uma doença infecciosa aguda, que causa febre alta, tosse, dor no peito e, em quadros mais graves, pode levar a óbito.

A vacina antipneumocócica, que combate a doença, apresenta-se de três formas: a pneumo 10, a pneumo 13 e a pneumo 23. Saiba em quais casos elas são indicadas. (Foto: Bigstock)

As temperaturas começaram a cair e surge uma série de transtornos relacionados à saúde. É a época do ano em que há maior incidência de doenças respiratórias como a gripe, rinite, bronquite, sinusite e até mesmo a pneumonia, uma doença infecciosa aguda, que causa febre alta, tosse, dor no peito e, em quadros mais graves, pode levar a óbito.

A pneumonia afeta mais de 2 milhões de pessoas todo ano no Brasil e cerca de 70% deles adquirem a forma da doença causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, mais conhecida como pneumococo, diz o professor de pneumologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodney Frare.

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“Nessa situação, é problemático quando crianças e idosos fazem um quadro mais grave da doença, a bacteremia, que acontece quando tem bactéria circulando no sangue, o que é muito grave”, ressalta o pneumologista.

A pneumonia causada pelo pneumococo é a forma da doença adquirida na comunidade. “É o tipo de doença em que o indivíduo adquire na sua vida cotidiana, no trabalho, na escola, no transporte”, diz o pneumologista.

Há ainda outras maneiras de contrair a doença, seja por meio de microorganismos atípicos, forma que acomete mais os jovens; seja pelo germe Staphylococcus, adquirida comumente em hospitais; seja pelo vírus influenza H1N1. O último caso pode ser evitado com a vacina da gripe.

Então, além de ser prevenida com cuidados mais simples como se agasalhar, lavar as mãos e evitar ambientes fechados com aglomerações, a pneumonia também pode ser prevenida com a imunização.

A vacina antipneumocócica, que combate a doença, apresenta-se de três formas: a pneumo 10, a pneumo 13 e a pneumo 23. Segundo Frare, os números se referem a quantidade de sorotipos da bactéria pneumococo, ou seja, a doença é a mesma, mas o germe desencadeador pode provir de várias famílias.

Mais potente, a 13-valente abrange os sorotipos mais agressivos. Como ela possui memória imunológica, em princípio, pode ser aplicada uma única vez. A 23-valente tem duração limitada e são necessárias reaplicações a cada cinco anos. A 10-valente, por sua vez, é destinada a crianças menores de 2 anos e está no calendário de vacinação infantil.

A pneumonia afeta mais de 2 milhões de pessoas todo ano no Brasil e cerca de 70% deles adquirem a forma da doença causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae. Foto: Bigstock.

A pneumonia afeta mais de 2 milhões de pessoas todo ano no Brasil e cerca de 70% deles adquirem a forma da doença causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae. Foto: Bigstock.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, a vacina 10-valente é oferecida para as crianças nos postos de saúde. Enquanto a 23-valente é encontrada nos Centros de Referências Imunobiológicos Especiais (CRIEs) e requer encaminhamento médico. A 13-valente é aplicada apenas nas clínicas particulares e seu preço médio é R$250.

Porém, a vacinação não é indicada para toda a população. Segundo o pneumologista Luiz Geraldo Pelanda, o público alvo principal são idosos e portadores de doenças crônicas cardiorrespiratórias. Ele também explica que a vacina não protege apenas contra a pneumonia.

“Elas são imunizantes ao pneumococo e essa bactéria também pode ser a causa de otite, sinusite e até meningite, por isso é importante que os grupos de risco sejam imunizados”, ressalta o médico.

A outra boa notícia é que não precisa ter medo. De acordo com o pneumologista, a vacina é inócua não provoca dor e seus efeitos colaterais são raríssimos. Ainda segundo Pelanda, as vacinas são destinadas a formas mais graves da pneumonia, já que as mais brandas podem ser facilmente controladas, destacando também que o nível de prevenção é de 90%.

Mas, ele alerta que, quem tem suspeita de pneumonia não deve procurar tomar a vacina. “No momento em que estiver com os sintomas, deve-se ir rapidamente ao atendimento emergencial. A vacina não ajuda se a pessoa já estiver em um quadro de pneumonia, é preciso tratar”, explica.

Vacinar para proteger

A vacina é uma das intervenções mais eficazes quando se trata de prevenção – e, por isso, ela é entendida e analisada pelos profissionais de saúde como benéfica sob os aspectos econômico e da saúde pública. É o que explica a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), Isabella Ballalai, sobre a importância de imunizar.

“A pneumonia tem um impacto muito grande, tanto na vida das pessoas, quanto nos custos que essa doença gera para a saúde. Ela é uma das principais causas de hospitalização de pessoas com 60 anos e cada dia internado é um custo tanto para o sistema de saúde que ela utiliza – público ou particular – quanto para sua própria vida. A doença pode impactar na sua qualidade de vida depois da internação e, dependendo da idade, pode significar parte da sua independência. Por isso, a imunização é tão importante”, diz Ballalai.

Imunização para idosos

Se o frio e a umidade afetam a saúde de muitos jovens e adultos, eles pode ser altamente prejudicial aos mais velhos. Por isso, os idosos estão entre o principal grupo de risco para contrair doenças respiratórias.

Isso porque, com o passar da idade, o organismo passa por um processo de enfraquecimento de seu sistema imunológico. É o que explica o médico geriatra Rubens de Fraga Jr., que ressalta a importância da vacinação do idoso para prevenção de doenças.

“Alguns idosos nunca foram vacinados quando crianças ou então, algumas vacinas ainda não existiam. A imunidade pode diminuir com o tempo e o estilo de vida, as condições de saúde e trabalho que levamos, podem nos tornar mais suscetíveis às infecções, especialmente do pneumococo. Vacinar o idoso melhora sua qualidade e expectativa de vida”, diz Fraga.

O médico explica ainda que, segundo as diretrizes do Calendário de Vacinação para o Idoso da SBIm, a imunização pode ser feita de três maneiras: “Uma dose da vacina 13-valente, seguida, dois meses depois de uma dose 23-valente; para os que já receberam uma dose da 23-valente, recomenda-se esperar um ano para a aplicação da 13-valente e cinco anos para a aplicação da segunda dose 23-valente; ou ainda, quem já recebeu duas doses 23-valente, pode tomar a 13-valente também um ano depois.”

Ele ressalta ainda que é preciso consultar o médico para serem avaliados os casos e receber o encaminhamento para adquirir cada dose.

Os principais sintomas da pneumonia

*Tosse;

*Dor no tórax;

*Alterações da pressão arterial;

*Expectoração com secreção amarelada;

*Falta de ar;

*Confusão mental;

*Estado de fraqueza e cansaço constante;

*Febre alta (mas ausência de febre não descarta a doença).

Fonte: Ministério da Saúde/Fiocruz

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