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Como identificar um mentiroso: psicoterapeuta mostra sinais

“A mentira é necessária como mecanismo de regulação social” , provoca o psicoterapeuta Tonio Luna, que fala sobre a multiplicação dos mentirosos em tempos de redes sociais

mentiroso-de-costasSegundo o especialista, em certo nível, todos nós inventamos algo para se auto afirmar. “Douramos a pílula” em especial, na infância e na adolescência. Foto: Bigstock.

Mentir faz parte da nossa rotina ou é deslealdade pura e simples? E quando se trata da sinceridade em um relacionamento? É com essa provocação que o psicoterapeuta curitibano Tonio Luna, instiga seus ouvintes e pacientes a falar sobre o espinhoso tema da mentira.

Em sua mais recente palestra, promovida no fim de abril pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Tonio promoveu a reflexão lembrando que em tempos onde tudo é considerado fake, a pior mentira é sempre aquela que contamos para nós mesmos.

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Em entrevista ao Viver Bem sobre o assunto, Tonio Luna explica que o interesse pela mentira é crescente, muito por conta do uso exacerbado das redes sociais. Mas ao contrário do que se pode imaginar, o profissional defende que a mentira nos é útil e serve rotineiramente como mecanismo de controle.

Confira a entrevista na íntegra:

Existe mentira boa, afinal?

A mentira muitas vezes protege e é necessário que seja dita. A gente não consegue viver em uma sociedade sem ela, porque é uma forma de regulação social. Vamos imaginar, por exemplo, um edifício em chamas. Não é prudente gritar que o prédio desabará em dez minutos. Criaria uma onda de pânico. Ou contar para os filhos pequenos que o pai está em um estágio terminal de câncer. Essa história de que a verdade deve ser dita a todo momento é relativa. Dá uma certa paz de espírito em alguns sentidos, mas por outro lado, nos cria inimizades.

A mentira passa dos limites quando não estamos protegendo alguém e, sim, tentando tirar alguma vantagem ou enganar, visando dinheiro e status. Aí a mentira passa a ser um problema. Agora, em certo nível, todos nós inventamos algo para se autoafirmar.

“Douramos a pílula” em especial, na infância e na adolescência. Algumas pessoas levam isso pra vida adulta e até patologicamente, mentem sem perceber e passam por uma situação de ridículo. Isso não causa maiores danos, mas o legal é pararmos para analisar o porquê de estarmos produzindo aquele fake, naquele momento. É uma pergunta interessante.

Você começa sua palestra provocando justamente essa questão

Sim. Por exemplo, quando você diz “eu te amo” para alguém, é sempre verdade? Você sabe o que isso quer dizer ou você está inventando algo para que a outra pessoa goste de você? Ou quem sabe, para manter um certo status? Tem muitas coisas que são socialmente colocadas.

Alguns sentimentos são assim. Outra dessas mentiras tradicionais, é a sentença “eu não estou com medo”. As pessoas mentem sobre essa sensação, dizendo que está tudo bem, que não estão sujeitas a nenhum risco. Eu trabalho com muitas mulheres em situação de abuso e boa parte delas nem fala sobre isso. É algo tão invasivo que preferem mentir e evitar que a realidade venha à tona, que a emoção seja forte demais. Ninguém quer mostrar suas fraquezas, como amor e medo, porque é difícil.

“A mentira passa dos limites quando não estamos protegendo alguém e, sim, tentando tirar alguma vantagem ou enganar”, afirma o psicoterapeuta Tonio Luna. Foto: Reprodução Facebook

E vale a pena forçar a verdade?

Depende da pessoa e do momento. Há mentiras que não valem a pena clarear ou discutir. As que sempre valem a pena investigarmos são as mentiras que contamos para nós mesmos. O importante é dar espaço para o novo, sair daquilo, rasgar a própria pele e recomeçar e não ficar repetindo as dores e padrões familiares.

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Todos nós conhecemos algum mentiroso convicto. É fácil identificá-los?

Depende do mentiroso. As pessoas em geral exibem uma certa postura que explicita o ato da mentira. Normalmente, quando a pessoa não é psicopata, ela está se estressando para contar uma mentira, porque se esforça para lembrar ou forjar detalhes de algo que pode cair por terra a qualquer instante. Então a pessoa se estressa e esses sinais podem aparecer fisicamente.

Os psicólogos farejam melhor os mentirosos?

A mentira dentro do ambiente clínico é normal. Os pacientes vêm ao consultório e mentem, distorcem, têm uma certa necessidade disso. Faz parte do atendimento. Recebemos desde aqueles que enfeitam algo, para se proteger da culpa de ter brigado por motivos fúteis com alguém, por exemplo, até as pessoas que mentem sem perceber, inventam histórias gigantescas. Também vez ou outra aparecem os psicopatas que mentem apenas pela sensação momentânea de poder e prazer. Em 20 anos de clínica, só atendi uma pessoa com esse perfil.

E quando são pegos, os mentirosos têm crise moral?

Muitos passam a vida inteira apenas colhendo frutos benéficos daquilo, porque não são pegos em suas mentiras. Outros colhem danos apenas à imagem. Temos pessoas que se põem em risco somente pelo prazer da exposição, pelo narcisismo. Mas, quando são pegas, a unanimidade é um processo de negação forte. Basta olharmos para os criminosos.

Menos de 1% admite o que fez, diz que é exagero. Isso falando da nossa sociedade. Comunidades mais rígidas, como a alemã ou a japonesa, por exemplo, em que o flagra da mentira vem fortemente aliado com a vergonha, nesses casos o mentiroso experimenta crises físicas e emocionais mais intensas.

Eu acredito que hoje nós temos mais espaços para nossas mentiras, com as redes sociais. Não é que elas façam a gente mentir mais, mas a gente tem mais espaço para poder contar nossas histórias mirabolantes e fazer propagar uma ideia. Nesse meio, as mentiras tendem a atingir mais pessoas e circular por mais tempo.

Por isso o fake está institucionalizado?

Quem dá o aval, nesse caso, é a presunção de inocência. Recebemos algo e não sabemos quem foi que falou. Repassamos mesmo assim. O fato de você só passar para frente, te dá a falsa ideia de que é inocente naquilo. A pessoa está buscando “os louros” de poder ser o primeiro a passar uma informação, um caso importante, mesmo sem ter pesquisado antes.

A inocência nesse caso não existe, porque você é responsável pelo o que compartilha. E em vez de você conseguir alguma visibilidade com aquela informação, acaba tendo grandes perdas a medida que as pessoas vão desconfiando do que você posta. Perde-se a credibilidade e ficamos conhecidos como uma pessoa fake, no meio de tantas fontes de pesquisa.

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