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Saúde e Bem-Estar

Nutricionistas ensinam como parar de beber refrigerante

Abandonar o hábito não é fácil, mas, com uma dose de determinação e algumas dicas, é possível

  • PorCamila Kosachenco, Agência RBS
  • 16/08/2018 07:30
Parar abruptamente pode ser ineficaz. Comece reduzindo o consumo aos poucos. Foto: Blake Wisz/Unsplash.
Parar abruptamente pode ser ineficaz. Comece reduzindo o consumo aos poucos. Foto: Blake Wisz/Unsplash. | Foto:

Na época em que criou a Coca-Cola, há mais de 130 anos, John Pemberton jamais poderia imaginar que ela se tornaria um dos refrigerantes mais populares do mundo. A fórmula do sucesso, embora ainda seja considerada secreta, não tem muito mistério: combina açúcar e gás — assim como boa parte dos demais refris disponíveis no mercado.

É exatamente essa junção que, segundo especialistas, torna a bebida tão atrativa, e até viciante.

“O açúcar propicia uma sensação de bem-estar e prazer. Isso sem contar as substâncias químicas usadas para realçar o sabor, que fazem o paladar ficar mais aguçado para o doce” diz a nutricionista Cláudia Denicol Winter, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Feevale.

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O grande problema dos refris é que essa boa sensação acaba tão rápido quanto uma latinha gelada. O consumo regular pode trazer sérios prejuízos à saúde: aumenta o risco de obesidade e de doenças metabólicas, em função da grande quantidade de açúcar, além de prejudicar a absorção de nutrientes.

A gordura e os açúcares são prejudiciais em excesso mesmo para pessoas que não passaram por cirurgias gástricas. Em pacientes operados, essas substâncias não serão digeridas corretamente. Foto: Bigstock.
A gordura e os açúcares são prejudiciais em excesso mesmo para pessoas que não passaram por cirurgias gástricas. Em pacientes operados, essas substâncias não serão digeridas corretamente. Foto: Bigstock.

Por essas e outras é que o cerco tem sido apertado contra a bebida. Fabricantes estão sendo forçados a retirar os produtos das cantinas escolares e o governo propõe aumentar os impostos sobre eles, além de acabar com a oferta livre em redes de lanchonetes.

A mais recente Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada pelo Ministério da Saúde em junho, mostrou que, entre 2009 e 2017, o consumo de refrigerante caiu 52,8% no país.

Porto Alegre revelou-se a capital que mais bebe. O percentual de adultos que afirmaram tomar refri nos cinco dias da semana foi de 23,7%, contra 6,3% em Natal — o menor índice do Brasil.

Livrar-se do hábito não é tarefa fácil. Pensando nisso, reunimos dicas de nutricionistas para diminuir ou mesmo eliminar os refrigerantes da rotina.

Por que é difícil?

Além da combinação sedutora de gás com açúcar, o consumo de refrigerante também está muito relacionado aos hábitos alimentares. “As pessoas associam o refri a determinados alimentos e pensam: ‘Vou comer batata frita ou xis, preciso tomar refrigerante’ “critica a nutricionista Cláudia Winter.
Para a nutricionista clínica Lusiana Liermann, o convívio social entre pessoas que consomem refri também pesa nessa conta.

Vá com calma

Unânimes, as nutricionistas Cláudia e Lusiana sugerem que os amantes de refrigerante reduzam gradativamente a quantidade do líquido ingerida. Conforme Lusiana, o corte abrupto pode funcionar por um tempo, mas não garante que o hábito não vai voltar mais rapidamente depois.

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“Indico ir reduzindo aos poucos o consumo. Também é bom não ter em casa, pois o que não é comprado não será consumido. Por fim, sugiro que as pessoas sejam curiosas na hora de ler o rótulo. Quando se entende do que aquilo é feito, surge um novo olhar sobre o produto, tendo argumentos para cessar o consumo. Uma boa dica é estabelecer metas: quem consome todos os dias pode começar bebendo dia sim e dia não, progressivamente, até a eliminação completa”.

Dicas para substituir

Não adianta: hidratação é só com água. Para quem está em processo de eliminação dos refris e ainda não consegue ingerir muita água, a dica é utilizar as versões saborizadas com frutas e especiarias, água de coco ou chás e sucos naturais. Aqueles que gostam da sensação do gás podem utilizar água gaseificada com sumo de limão ou casca de laranja.

Com moderação e para pessoas sem alterações de glicemia ou outras condições específicas, os sucos naturais são boas opções. “Para a população em geral, entre refri e suco, o segundo é melhor. Refrigerantes são calorias vazias, cheias de açúcar e sódio. O suco natural acrescenta nutrientes” afirma Lusiana.

Pode light, diet ou zero?

A resposta é não: eles são um prato cheio de sódio e adoçantes artificiais. “Essa troca, no caso, para eliminar os refris, não seria adequada” destaca Cláudia.

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