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Voluntários têm papel essencial na prevenção do suicídio; saiba como ajudar

No mês de prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, o Viver Bem descobriu como se tornar um voluntário de defesa da vida em Curitiba

Para se tornar um voluntário do CVV, pessoa deve ter mais de 18 anos e ser um bom ouvinte (Foto: Bigstock)

Ser um bom ouvinte e escutar com atenção as histórias da pessoa na outra linha pode ser o primeiro passo para quem deseja se voluntariar a uma ONG de defesa e proteção, como o Centro de Valorização da Vida (CVV). Mas, não é suficiente. É essencial que o voluntário aprenda como ouvir e não deixe espaço para conselhos, julgamentos ou constrangimentos.

“O voluntário está lá para ouvir, conversar, acolher a pessoa, acreditar naquilo que ela está falando, mas não está lá para influenciar ou direcionar. O voluntário tem que aprender a ter muita serenidade, porque não é incomum que as pessoas liguem chorando, bravas, agitadas e, aos poucos, vão se acalmando”, explica Quintino Dagostin, porta-voz e voluntário do CVV Curitiba há 20 anos.

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas, todos os dias.

Para aprender a ouvir, os voluntários do CVV passam por diferentes cursos. No curso inicial, com duração de três dias, geralmente à noite, a pessoa aprende a olhar a sociedade como um todo e onde ela se enquadra e se encaixa nessa comunidade.

No segundo dia, o voluntário aprende a se conhecer, a entender o que precisa ter para ser um voluntário e, no terceiro dia de curso, são ensinadas as características das pessoas que, geralmente, ligam ou entram em contato. “Podem ser voluntários todos que se propuserem a ouvir e a acolher. O curso ajuda a pessoa a se sentir segura para acolher quem liga”, reforça Quintino.

O curso é gratuito e ministrado por outros voluntários. É importante lembrar que os futuros voluntários devem participar dos 3 dias. Caso falte em algum, não poderá continuar.

Tive depressão, posso ser voluntário?

Todos podem passar por algum tipo de transtorno em algum momento da vida e isso não é nenhum impeditivo para se voluntariar ao CVV, segundo Quintino. “Se a pessoa souber se conhecer e se cuidar, ela tem condições de ser voluntário, sem problemas”, reforça o voluntário de Curitiba.

Da mesma forma, não é incomum que a pessoa que foi atendida pelo CVV em outra oportunidade queira se tornar voluntário mais para frente. Ou mesmo quem vá à sede da entidade para conhecer quem o atendeu. “O voluntário sempre fala o seu nome nos atendimentos, mas a pessoa que liga nem sempre dá essa informação, até porque as conversas são sempre anônimas. Para o voluntário, interessa apenas conversar, sem saber quem é a pessoa do outro lado”, explica Quintino.

Quero ser voluntário em Curitiba

Em Curitiba, o próximo curso será realizado nos dias 18, 19 e 20 de setembro. Quem tiver interesse deve entrar em contato pelo telefone 141, deixar nome, telefone e e-mail. Na véspera do curso, os responsáveis avisarão o local, que varia conforme a quantidade de participantes.

Antes de fazer o cadastro, existe uma exigência: os voluntários devem ter mais de 18 anos de idade. Não há restrições de formação – psicólogos, médicos podem participar, desde que não atuem como profissionais.

“Temos professores, médicos, dentistas, psicólogos, aposentados, como eu. Há ainda donas de casa, estudantes acadêmicos. Quem não pode ir até a sede recebe um outro curso para fazer os atendimentos via e-mail ou Skype”, explica Quintino, voluntário há 20 anos em Curitiba.

Serviço:

CVV – Centro de Valorização da Vida

Tanto o contato via chat, Skype, quanto via e-mail é feito pelo site do CVV: www.cvv.org.br. Por telefone, o interessado pode ligar no número 141, ou diretamente no posto da sua região. Em Curitiba, o CVV está localizado na Rua Carneiro Lobo, 35. Bairro Água Verde. O telefone para contato é (41) 3342-4111.

“A pessoa que está pensando em suicídio sempre dá sinais verbais. O que acontece é que quem está perto nem sempre leva a sério”

Um dos mitos mais compartilhados quando pensamos em suicídio e depressão é “se a pessoa fala muito sobre o assunto, não vai fazer nada”. Pelo contrário, se ela comenta algo sobre o fim da vida, pode se tratar de um pedido de socorro e quem estiver próximo deve prestar atenção, conforme alerta Raquel Tatiane Heep, médica psiquiatra da Prefeitura Municipal de Curitiba e professora do curso de Medicina da Universidade Positivo.

“É um pedido de socorro. Se ela está falando é porque em algum momento isso passou pela cabeça dela. O suicídio é um crescente. Você não acorda um dia com vontade de morrer. Primeiro vem a vontade de sumir, de andar sem rumo, de desaparecer, as despedidas dos amigos e parentes. Então a pessoa verbaliza, com frases que indicam uma autoeliminação”, explica a médica.

Outros sinais indicados na fala de quem pode estar em risco de cometer algo contra a própria vida, a psiquiatra lembra a desesperança. “A pessoa não vê mais saída, ela para de fazer planos. Você pergunta a ela como será o Natal e ela diz que não vai ter Natal. É um discurso sem futuro”, reforça. A associação com drogas e álcool também é um sinal de alerta – tanto porque o álcool e as drogas podem ser causa de doenças e transtornos mentais, quanto consequência dos mesmos.

“A pessoa com depressão que não procura ajuda médica e a família não compreende, ela afoga as mágoas no álcool. Usa-o como remédio para esquecer, para se tornar mais sociável. O adolescente com dificuldades em interagir com outras pessoas usa a maconha para ser mais legal e isso desencadeia outra doença, como a esquizofrenia”, afirma Heep.

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