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Desgaste ósseo em joelho, quadril e coluna pode ser prevenido com ação simples

Envelhecimento não é o único fator que leva à degeneração das articulações; causas hereditárias e estilo de vida podem retardar ou acelerar as consequências

Exercitar-se é a melhor maneira de minimizar o desgaste e as dores no trio coluna, quadril e joelho. Foto: Bigstock.Exercitar-se é a melhor maneira de minimizar o desgaste e as dores no trio coluna, quadril e joelho. Foto: Bigstock.

Se você ainda não pratica uma atividade física de maneira regular, o conselho é: pare tudo que está fazendo, busque um exercício que lhe interesse e insira-o imediatamente em sua rotina.

Além dos benefícios já conhecidos, como fortalecimento do sistema cardiovascular, melhora na disposição, prevenção de diabete, depressão e obesidade, a prática é essencial para garantir a saúde e a funcionalidade das articulações.

Ou seja, exercitar-se é a melhor maneira de minimizar o desgaste e as dores no trio coluna, quadril e joelho. Isso significa dizer que os exercícios podem ser determinantes para garantir mobilidade, bem-estar e autonomia com o passar dos anos.

 

A afirmação é corroborada pelos médicos e fisioterapeutas entrevistados pelo Viver Bem para falar sobre as causas, formas de prevenção e tratamentos do desgaste nas articulações.

É por meio da dupla exercícios e alongamento a melhor maneira de garantir a mobilidade e a qualidade de vida tanto na fase adulta quanto na terceira idade.

“São cada vez mais frequentes a obesidade e o sedentarismo. O controle de peso e a prática de exercício regular, evitando atividades de impacto, ajudam, sim, a retardar os efeitos desse desgaste”, afirma Rafael Eloy, ortopedista especialista em joelho da Paraná Clínicas.

Desgaste e envelhecimento

O que é conhecido como desgaste ósseo, na verdade, refere-se à degeneração da cartilagem, que é o tecido rígido que reveste os ossos nas regiões de articulações.

“A artrose ou osteoartrite é a doença degenerativa causada por essa condição. Primeiro, temos o desgaste da cartilagem, depois o osso fica desprotegido. A palavra mais atual, usada hoje pela maior parte dos médicos, é osteoartrite, pelo fato de geralmente também observarmos um processo inflamatório”, explica o ortopedista Paulo Alencar, especialista em quadril e em joelho.

Um dos grandes mitos sobre a artrose é que ela seria uma doença exclusiva de pessoas idosas. “A condição é causada por uma pré-disposição genética e pode ser atenuada ou agravada pelo estilo de vida. Não é necessariamente uma coisa só da terceira idade”, corrobora o ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Santa Cruz, Emerson Grecca.

O envelhecimento é mais um fator para o desenvolvimento da condição, mas não é determinante.

“Conheço pessoas com 60, 70 anos que têm exames de imagem que não acusam nenhum desgaste, não tem alteração. Então, se a pessoa não tiver a pré-disposição e se souber administrar as atividades e atitudes do dia a dia, ela pode envelhecer sem a doença.”

O especialista conta que é possível começar a apresentar o comprometimento das articulações ainda jovem. “Existem pessoas com 16, 17 anos que já apresentam degeneração. Quem tem essa pré-disposição sente os efeitos desde que nasce. Claro que não é muito comum a pessoa apresentar o problema tão jovem, pois a progressão costuma ser lenta. Mas isso nos mostra que não é porque a pessoa fica velha que terá o desgaste, não necessariamente.”

Na osteoartrite, primeiramente há o desgaste da cartilagem, depois o osso fica desprotegido e há um processo inflamatório envolvido. Foto: BIgstock.

Na osteoartrite, primeiramente há o desgaste da cartilagem, depois o osso fica desprotegido e há um processo inflamatório envolvido. Foto: BIgstock.

Estilo de vida

Ainda de acordo com Grecca, atitudes do dia a dia podem favorecer ou prejudicar quem tem esse fator genético.

A prática de uma atividade física, assim como outros fatores relacionados ao estilo de vida, é uma condição atenuante e que pode postergar os efeitos da artrose.

“Você pode retardar ou acelerar um desgaste, dependendo do seu estilo de vida no dia a dia. Muitas pessoas acreditam que algum hábito pode ter sido o responsável diretamente por um caso de degeneração, mas a verdade é que quem tem a pré-disposição genética, terá a degeneração independentemente do que fizer. O que muda é quando isso aparece e em qual intensidade.”

Nesse cenário, o sedentarismo é mesmo o pior vilão. “A pessoa que tem artrose precisa de movimento. A atividade física alivia os sintomas, melhora a alimentação daquelas células e a lubrificação da cartilagem. Isso pode retardar a progressão e diminuir a dor”, sentencia.

Torção na rotina

A professora aposentada Edna Conte da Silva, de 64 anos, sofreu uma torção no joelho enquanto estava no mercado. Ela conta que já apresentava o desgaste na cartilagem. O acidente foi em 2014 e fez com que precisasse se submeter a uma cirurgia e ficasse quatro meses sem andar.

Para amenizar a dor e prevenir novos acidentes, ela passou a praticar pilates há cerca de três anos, e não pretende parar. “Me deixou mais segura e com menos dores”, afirma.

Lucia Tereza Teixeira, de 64 anos, também buscou a atividade depois de ser diagnosticada com artrose na coluna e ser submetida a uma cirurgia.

“Como tenho também princípio de artrose no quadril, sentia muita dor para tudo. Com a prática da atividade, isso mudou. “Percebi também que agora tenho uma maior consciência corporal”, diz.

A professora de pilates e fisioterapeuta Fernanda Rosa explica que o exercício atua fortalecendo os músculos, que tem a função de proteger as articulações e os ossos.

“Por isso, sempre aconselhamos a não esperar aparecer um desgaste para começar a prática de atividade física. Isso deve ser feito antes, como prevenção”, enfatiza.

Com o alongamento e o fortalecimento da musculatura, explica, o resultado são articulações mais protegidas e sem dor. “Além disso, é a garantia que a pessoa terá autonomia e força para realizar atividades simples, como subir escadas e amarrar o tênis, durante a terceira idade.”

Trio de articulações

O desgaste, embora tenha causas semelhantes e o mesmo mecanismo de desenvolvimento, pode ser percebido de forma diferente nas principais articulações. Uma pessoa que venha a desenvolver artrose na coluna não irá, necessariamente, ter problemas na articulação dos joelhos, por exemplo. O que pode acontecer é que, por se tratar de um sistema relacionado, uma disfunção em um deles pode gerar a compensação em outro.

“Indiretamente esses desgastes podem estar relacionados porque a pessoa que tem pré-disposição à artrose não necessariamente terá o desgaste apenas em um local. Agora, vamos supor que você tenha um problema de quadril que te faça caminhar em uma posição torta, isso pode fazer com que você também tenha consequências na coluna ou no joelho. A forma que você muda o teu jeito de andar e de pisar poderá sobrecarregar a coluna. Você irá acelerar um processo que já estava em degeneração”, observa Emerson Grecca.

Coluna

A artrose da coluna é a mais comum entre as três principais – coluna, quadril, joelho – porque é quase universal.

“A dor na coluna é a queixa médica mais frequente que existe. Depois dos 30 anos de idade, você faz uma radiografia e muito provavelmente irá encontrar alguma lesão. É uma questão de evolução. A curvatura da coluna humana faz com que qualquer atividade que realizamos no dia a dia leve a um quadro de dor”, observa o ortopedista Paulo Alencar.

Na região, a cartilagem mais suscetível à degeneração é a do disco intervertebral, que é onde aparece a maioria dos desconfortos relacionados ao desgaste.

“O disco, em seu estado saudável, funciona como uma espécie de amortecedor. Quando fragilizado pelo desgaste, a pressão exercida nas vértebras pode levar a uma lesão e, inclusive, extravasar para locais onde passam os nervos, que é o que chamamos de hérnia de disco”, observa.

“A hérnia de disco é uma consequência do desgaste. Ela acontece porque esse disco já estava em processo de degeneração, com exceção dos casos de acidente ou causados por um impacto muito grande”, completa.

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Causa mais comum das dores na região lombar é muscular (Foto: Bigstock)

Além dessa predisposição, no caso na coluna podem ser determinantes para o desenvolvimento do desgaste atividades que sobrecarregam o disco como, por exemplo, carregar peso demais ou passar muito tempo sentado.

“Algumas atividades físicas, quando feitas de forma errada ou sem supervisão, podem causar um maior impacto no disco e atuar como agravantes. Já as atividades que alongam e que aliviam a pressão no disco são tidas como atenuantes. São aquelas que vão retardar a evolução do desgaste, como pilates, alongamento e natação”, diz Grecca.

Ele reforça que o hábito mais prejudicial quando falamos em prevenção e cuidados com as articulações é o sedentarismo.

“Não dá para falar para a pessoa não ficar sentada. Então, precisamos compensar. E isso deve ser feito com exercícios que alongam e fortalecem a musculatura que envolve a região que está em degeneração. A prevenção é esse alongamento”, conclui.

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Quadril

O ortopedista Paulo Alencar afirma que a artrose do quadril é a mais incapacitante, fazendo que com que a pessoa sofra muito com as dores e não consiga realizar tarefas simples do seu dia a dia.

“O quadril é acionado para praticamente tudo, para andar, para sentar, para se virar, para qualquer atividade esportiva e a queixas são dores nas mais diversas situações. E isso normalmente é de caráter progressivo. Por isso, a busca pelo diagnóstico e por tratamentos costuma ser maior nesses casos.”

A degeneração no quadril pode acontecer em decorrência de um traumatismo, de uma fratura ou até mesmo pelo excesso de exercícios físicos ou em quem trabalha carregando muito peso.

Pode, ainda, acontecer em decorrência de causas genéticas, que levam a um desgaste precoce. “Não existe um tratamento que reverta o desgaste na cartilagem. Você pode aliviar a dor, mas não consegue fazer a cartilagem renascer, ela não volta mais. Outra característica da doença é em relação à dor, que pode aumentar e diminuir sem causa aparente”, observa.

Em relação ao tratamento, Paulo Alencar explica que a medicação pode ser indicada na fase inicial e para alívio da dor. A partir daí, fisioterapia, alongamento, acupuntura, o que você tiver na mão para poder aliviar o sintoma e colocar a pessoa em atividade.

“Dependendo do caso, se esses tratamentos não funcionaram e a qualidade de vida estiver ruim, a indicação é o procedimento cirúrgico, que hoje já está bem menos agressivo e pode trazer resultados bastante satisfatórios”, diz Paulo. A cirurgia, assim como nos casos de joelho e coluna, consiste na colocação de uma prótese, que irá substituir a função articular.

Joelho

Rafael Eloy, ortopedista especialista em joelho da Paraná Clínicas, explica que, assim como para a coluna e para o quadril, é a soma de fatores que leva ao desgaste da cartilagem no joelho.

“Fatores genéticos, doenças reumáticas, a prática de esportes de alto impacto em excesso e acidentes podem levar a lesões na cartilagem dos joelhos. O envelhecimento entra como mais um fator, pois com o passar dos anos o desgaste vai acontecendo.”

Sedentarismo, envelhecimento, sobrepeso e a prática de exercício físico em excesso ou de forma incorreta podem levar a problemas na articulação. Foto: Bigstock.

Sedentarismo, envelhecimento, sobrepeso e a prática de exercício físico em excesso ou de forma incorreta podem levar a problemas na articulação. Foto: Bigstock.

Paulo Alencar complementa que o desgaste na cartilagem do joelho pode acontecer também em decorrência de um problema anterior. “Em um jogador de futebol que tirou o menisco ou que rompeu o ligamento, por exemplo. Nesses casos, pode ter uma alteração no comportamento do joelho, levando até ao aparecimento da artrose em uma fase mais precoce.”

Entre os tratamentos mais conservadores para a artrose no joelho, Eloy cita a fisioterapia, as infiltrações, o uso do ácido hialurônico, suplementação, o condicionamento físico e o fortalecimento muscular. “Alguns casos mais graves podem ter indicação de cirurgia, com uso de prótese para substituição de articulações. Depende de acordo com o grau de desgaste.”

Dores são comuns

A degeneração nas articulações tem como sinal de alerta a dor, podendo também apresentar inflamação no local. No caso da coluna, por exemplo, na medida em que o disco começa a sofrer lesões e rupturas isso provoca um processo inflamatório local.

“Há uma membrana que produz líquidos que lubrificam essas articulações. Quando esse líquido que alimentariam essas células ou não é produzido ou é reabsorvido, isso gera a inflamação. O resultado é o desconforto na região e a dor, que pode ser acentuada pelo esforço ou por determinadas atividades.”

Grecca explica que a dor mais comum é na região da lombar. “Em algumas situações ela pode causar irradiação nas coxas e até mesmo até mesmo até o pé”.

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Com o joelho, conforme afirma o médico Rafael Eloy, processo semelhante se desenvolve e a dor aparece. “Eu indicaria que se a pessoa está com dor no joelho, que procure um médico para avaliar, as vezes é só uma sobrecarga mecânica, não necessariamente um desgaste. Mas isso precisa ser investigado.” No caso do quadril, a dor pode ser ainda mais forte, sendo incapacitante.

O quanto antes se recorre ao especialista, melhores serão os resultados do tratamento. “Se você descobre uma doença degenerativa em fase inicial e muda seus hábitos, você consegue estabilizar e evitar evolução e progressão dessa doença por anos. É possível conviver muito bem com elas. Mas, em certas situações, o desgaste já está tão avançado que não existe mais a possibilidade de ser controlado através de fisioterapia ou medicação e a única opção de tratamento passa a ser cirúrgica”, relata Grecca.

Nem toda dor nas articulações é, necessariamente, causada pela degeneração. De qualquer forma, a recomendação é: se você tem uma dor, isso é um sinal de alerta e tem que ver o que está acontecendo. Às vezes você chega no médico e essa dor não tem nada relacionado com o desgaste, pode ser uma dor muscular, mas é importante ter esse diagnóstico.”

O papel do fisioterapeuta

O fisioterapeuta Guilherme Andrade explica que a fisioterapia é usada como uma das unidades do processo multidisciplinar de prevenção do desgaste articular.

“Buscamos, de uma maneira holística, encontrar fatores biomecânicos, desequilíbrios musculares, erros posturais e maus hábitos de vida que possam ser desencadeadores desse processo. A partir disso busca-se encontrar estratégias e tratamentos respeitando a individualidade de cada paciente”, explica.

Entre os fatores que desencadeiam o desgaste, em especial nas articulações do joelho e do quadril, Andrade ressalta que o excesso de carga, os desequilíbrios musculares, as alterações posturais e os exercícios realizados de maneira indevida podem gerar comprometimento articular precoce.

Em relação à coluna, ele ressalta que é necessário evitar os movimentos rotacionais com carga, os movimentos com muito peso ou com sobrecarga articular para a coluna e os erros posturais, que se referem às questões ergonômicas da forma de sentar.

“Na hora de sentar, deve-se ter um apoio para a lombar e também para o tornozelo. Quem fica muitas horas em frente ao computador, também deve estar atento às questões ergonômicas dessa atividade, com o auxílio de um profissional que irá definir, entre outras questões a regulagem da altura do monitor e a posição de mouse e teclado.”

O fortalecimento muscular é a principal medida para garantir a qualidade muscular e evitar o desgaste excessivo da cartilagem, principalmente no trio coluna, quadril e joelho.

Já o alongamento, explica Andrade, é um aliado no ganho de mobilidade e flexibilidade, auxiliando na correção dos desequilíbrios biomecânicos, melhorando, assim, a qualidade de vida.

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