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Doce de leite será incluído na merenda das crianças no Rio Grande do Sul; nutricionistas alertam para riscos

Embora existam várias receitas, o doce de leite é produzido basicamente a partir da mistura de leite, açúcar e água, favorecendo o surgimento de doenças crônicas, como obesidade e diabete 

Governador do Rio Grande do Sul sancionou projeto de lei que inclui nas merendas das crianças da rede pública de ensino o doce de leiteGovernador do Rio Grande do Sul sancionou projeto de lei que inclui nas merendas das crianças da rede pública de ensino o doce de leite Foto: Bigstock

Crianças da rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul passarão a receber na merenda escolar uma sobremesa diferente: doce de leite. A ideia, transformada em um Projeto de Lei aprovado pela Assembleia Legislativa, recebeu a sanção do governador Eduardo Leite, que ignorou as críticas e o pedido de veto dos nutricionistas do estado.

Doce de leite na merenda da escola, conforme os especialistas, favorecerá o aumento da obesidade infantil e do risco de doenças crônicas não-transmissíveis. Logo, as despesas públicas com a saúde também deverão aumentar.

Embora existam várias receitas, o doce de leite é produzido basicamente a partir da mistura de leite, açúcar e água. Ou, do ponto de vista nutricional, gorduras e açúcares.

“O doce de leite é um produto com carga glicêmica alta e que sofre vários processos e adição, muitas vezes, de amido e de conservantes. Por isso, é um tipo de preparação que pode ser evitada. É importante acostumar os pequenos a consumirem alimentos com baixo teor de açúcar”, explica Dagmarcia David, nutricionista do programa Tá na Mesa, serviço vinculado ao Priori, da Paraná Clínicas, cujo objetivo é estimular a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis em crianças entre os seis e 12 anos.

Para crianças, o consumo total de açúcar deve se limitar a 25 g por dia, o que representa apenas seis colheres de chá.

“O açúcar presente naturalmente nas frutas, verduras, legumes e leite fresco não deve ser computado nesta restrição. O consumo destes alimentos in natura deve ser promovido e estimulado para toda a população, em todas as faixas etárias. Entre os benefícios de se controlar a ingestão diária de açúcares estão a melhoria do controle do peso corporal, prevenção do sobrepeso e obesidade, de doenças crônicas não-transmissíveis, em especial o diabete, e a diminuição de cáries nos dentes”, explica a nutricionista.

Geleia no lugar do doce de leite

A infância e a adolescência são estágios fundamentais para a formação de hábitos alimentares saudáveis, de acordo com a especialista, e é o momento também da prevenção à obesidade e outras doenças.

“A obesidade pode começar na infância, e o excesso de açúcar é um grande fator de risco. Além disso, o consumo habitual de balas, doces, biscoitos açucarados, geleias, refrigerantes, achocolatados e açucarados em geral, provoca na boca a presença de um excesso de açúcares de moléculas pequenas, favorecendo a proliferação de bactérias, a formação de cáries e a inflamação nas gengivas”, alerta.

Os bolos e biscoitos também devem ser consumidos com cautela. Boa parte dos açúcares ingeridos pela população brasileira está escondida em alimentos ultraprocessados, como refeições prontas, sucos industrializados e refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, etc.

“O açúcar adicionado é um problema pois é considerado fonte de caloria vazia, que não vem acompanhada de outros nutrientes. Bem diferente daquele proveniente das frutas e do leite, por exemplo. O açúcar é uma fonte de glicose rapidamente absorvida e o abuso ou o excesso gera o risco de o excedente ser depositado pelo corpo de outras formas, como gordura no fígado ou aumento de triglicerídeos”, explica a nutricionista.

Para substituir o doce de leite, uma boa alternativa são as geleias preparadas sem a adição de açúcar, aproveitando ainda as frutas da estação. Confira quais são as frutas da estação aqui

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