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Por que os idosos sentem tanta dor?

Alterações nas juntas causam dor e podem resultar da obesidade, de desvios posturais de coluna e de joelho

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Desmitificar a associação entre dor e velhice é preciso. O envelhecimento da população está diretamente ligado ao aumento de doenças e incapacidades que, em muitos casos, podem estar relacionadas à dor. Apesar da alta prevalência, por ser uma sensação subjetiva, a dor muitas vezes é subdiagnosticada e subtratada em idosos, especialmente naqueles com baixa capacidade cognitiva.

A médica geriatra Karol Bezerra Thé, coordenadora do Comitê de Dor no Idoso da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), ressalta que a dor não é normal no processo de envelhecimento. “A dor no idoso jamais deve ser considerada normal e, por mais que doenças crônicas de saúde, que geram dor, acompanhem o processo natural do envelhecimento, ela não é consequência natural do passar dos anos”, diz. Estima-se que de 25% a 50% das pessoas com mais de 60 anos apresentem queixas de dor. E esse número sobe para 45% a 85% nos idosos que vivem em lares. “As mais comuns são as musculoesqueléticas, havendo uma predominância das causadas por osteoartrite (dores nas juntas e na coluna). A osteoartrite pode atingir 80% das pessoas com mais de 65 anos de idade e causar uma dor significante. O câncer é outra causa importante de dor nessa faixa etária”, diz a médica geriatra Paula Rosana Godel Voss, do Hospital Angelina Caron.

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Ainda segundo ela, há várias condições que aumentam as chances de se desenvolver alterações nas juntas e, consequentemente, a dor. Entre as mais importantes estão obesidade, idade, sexo feminino, desvios posturais de coluna, desvios de joelho, carregar cargas pesadas, exercícios físicos mal feitos, genética, diabete, intolerância ao glúten, traumatismos ou lesões, hipotireoidismo, movimentos repetitivos e/ou excessivos, infecções e hipermobilidade articular decorrente da maior flexibilidade nas articulações. “No consultório de geriatria o que é mais visto são os dores decorrentes dos desgastes gerados pela própria idade, pelo trabalho que a pessoa realizava quando jovem e também pela obesidade”, diz Paula.

O idoso pode não relatar o sintoma de dor por medo de se tornar um peso para a família devido a uma maior demanda de cuidado, seja na rotina do dia-a-dia, seja durante o processo de diagnóstico nas consultas médicas, medo de realizar exames diagnósticos e da possibilidade de ter uma doença potencialmente grave e até mesmo medo relacionado ao vício e efeitos adversos das medicações analgésicas. Além disso, pode acreditar ser normal sentir dor ao chegar nessa fase da vida.

Karol Bezerra Thé, médica geriatra coordenadora do Comitê de Dor no Idoso da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).

Tratamento
Prevenir é a melhor terapia, mas em idosos avançados, isso muitas vezes não é mais possível. “Há várias e modernas terapias desenvolvidas, bem como novos medicamentos, mas a individualização do tratamento deve ser imperativa. O pilar do tratamento em qualquer doença é sempre a alimentação. A dieta saudável não sai de moda, é sempre atual, acessível a
qualquer bolso e dá bons resultados”, diz Paula. Hoje, há dietas específicas que aliviam bastante a dor articular, muitas vezes até reduzindo ou suspendendo o uso de medicamentos.
“Em segundo lugar, vem a atividade física, independentemente da idade do indivíduo, pois já existem estudos bem documentados da importância dela na redução da dor e prevenção de
dores futuras”, comenta Paula. A fisioterapia, com suas várias linhas e novas técnicas e estratégias para controle da dor, também tem um papel importante, além de novos medicamentos
e suplementos. “O uso deles requer avaliação médica individualizada para um melhor sucesso terapêutico, livre de efeitos colaterais e interações medicamentosas”, diz a médica.

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Em todos os casos, o tratamento deve ser instituído de forma integral e impecável, visando reduzir a ocorrência de complicações. O idoso que tem dor crônica e não tem sua condição dolorosa avaliada e tratada adequadamente, apresenta consequências que podem repercutir negativamente na sua qualidade de vida. “Toda dor deve ser valorizada e deve ser investigada até que se saiba a causa, para que seja submetida ao correto tratamento. A dor está entre os principais fatores que limitam a possibilidade de o idoso manter seu cotidiano de maneira normal, impactando
negativamente sua qualidade de vida e prejudicando, de algum modo, a realização das atividades de vida diária, bem como restringindo a convivência social, o que pode conduzir ao isolamento”, alerta Paula.

Cabe aos profissionais de saúde desenvolver a capacidade de estar atentos às demonstrações de dor que vão muito além da que é verbalizada, como os movimentos corporais, a expressão facial e o silêncio. Ainda, devem ser capazes de diagnosticar a causa, monitorar a intensidade e os indicadores de sua persistência, melhora ou piora, e utilizar e indicar estratégias para prevenção, melhora e, por fim, dominar o conhecimento sobre os medicamentos a serem prescritos.

Paula Rosana Godel Voss, médica geriatra do Hospital Angelina Caron.

 

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