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Saúde e Bem-Estar

Adoçantes não emagrecem e nem trazem benefícios à saúde

Pesquisadores europeus fizeram um levantamento nos estudos existentes sobre adoçantes e verificaram falta de dados que comprovem os benefícios

  • PorAmanda Milléo
  • 11/01/2019 04:00
Adoçantes podem não trazer os efeitos esperados pelos consumidores, como emagrecimento (Foto: Bigstock)
Adoçantes podem não trazer os efeitos esperados pelos consumidores, como emagrecimento (Foto: Bigstock)| Foto:

Não há evidências convincentes de que os adoçantes melhorem a saúde ou ajudem no emagrecimento, segundo alerta um levantamento realizado por pesquisadores europeus e divulgado no início de janeiro na revista científica British Medical Journal (BMJ).

A pesquisa verificou 56 estudos isolados que avaliaram a ação e os efeitos dos adoçantes em diferentes parâmetros da saúde, em pacientes com saúde normal ou apenas sobrepeso. Por exemplo, foram observados o impacto do produto no Índice de Massa Corporal (IMC), no controle glicêmico, na saúde oral, no comportamento alimentar e até no surgimento de cânceres e doenças cardiovasculares. No caso, nem de forma positiva ou negativa, o adoçante gerou algum impacto nessas questões.

Por mais que não tenham dados concretos que provem os benefícios dos adoçantes, os pesquisadores alertam que não é possível descartar a possibilidade de que eles causem algum mal à saúde dos consumidores:

“A maioria dos resultados não mostrou diferenças entre os grupos expostos aos adoçantes e aqueles que não foram expostos. (…) Danos potenciais a partir do consumo de adoçantes não podem ser excluídos. Estudos futuros devem avaliar os efeitos dos adoçantes com um período de duração apropriado”, trazem os pesquisadores na publicação.

>> Um dos adoçantes mais comuns no Brasil, sucralose pode causar problemas na tireoide

Não abandone o adoçante, ainda

Embora os dados ressaltados pela pesquisa europeia sejam importantes, eles devem ser olhados com cautela, conforme explica Mario Carra, médico endocrinologista presidente do departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Portanto, não deixe o adoçante de lado na mesa, e nem troque pelo açúcar.

“Para avaliar se algum produto traz um transtorno à saúde e vida das pessoas, ou não, os estudos devem ser de longa duração. E essa comparação trouxe situações em diferentes trabalhos com pequeno prazo de duração. Com relação ao açúcar, já sabemos os efeitos dele no metabolismo, na saúde, mas o adoçante não dá para saber isso, porque o uso dele é pequeno, em pequenas quantidades”, explica o especialista, que também é endocrinologista do hospital das clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).

Da mesma forma, ao olharem apenas aos grupos de pessoas com a saúde normal, ou com sobrepeso, a pesquisa exclui o impacto do produto em segmentos da sociedade que podem, sim, ter um benefício importante. Entram nessa categoria os pacientes diabéticos ou com problemas cardíacos.

“O diabético não deve usar açúcar porque, se ele fizer uso, vai precisar de uma quantidade de medicamentos maior para o controle da doença. Além disso, o adoçante colabora de uma forma geral na redução do consumo de açúcar pelo brasileiro”, reforça o endocrinologista.

>> O adoçante estévia que você usa não é tão saudável quanto parece

Adoçante, menos caloria

Das ações que podem ser esperadas dos adoçantes, segundo o endocrinologista Mario Carra, é a redução na quantidade de calorias que a pessoa ingere — o que nem sempre pode levar a um emagrecimento, dependendo de como a pessoa se alimenta nas outras refeições e dos hábitos de vida que leva.

Da quantidade considerada ideal, vale o cuidado:

Até três gotas de adoçante em três alimentos, por dia. Por exemplo, se tomar três cafés no dia, uma gota por café. 

Se for na versão envelope, um envelope, três vezes por dia. Cada café, um envelope apenas. 

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