Meditação: como esvaziar a mente pode mudar o padrão de comportamento

Aumento na procura por métodos de meditação tem levado as pessoas a meditarem com objetivos “errados”, segundo especialistas

(Foto: Bigstock)

A cada nova turma que abre para os interessados em aprenderem as técnicas de meditação, o professor Milton Eiti Sato sabe o que esperar. No primeiro dia, todo o espaço da sala é ocupado pelas dezenas de pessoas que se inscreveram ao curso — e esse número tem aumentado nos últimos anos. Ao longo do período, porém, as pessoas vão “sumindo”, reduzindo a presença a cada novo encontro. Quando o curso chega ao fim, sobram poucos que identificaram na meditação a prática que faltava na rotina.

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O abandono da prática, segundo Sato, se deve principalmente à motivação que levou aquela pessoa a buscar o método. “As pessoas não sabem que a felicidade que ela conquista da meditação acontece independentemente das circunstâncias. Elas podem estar ricas e serem felizes, assim como podem estar pobres e também serem felizes. Então, se elas meditam atrás de motivos egoístas, querendo fama, dinheiro, poder, beleza, podem até conseguir, mas o fim será insatisfatório”, explica o professor, que ressalta que a motivação é tão importante quanto as técnicas que você usa.

mais adequada é aquela que traga a felicidade para si, mas principalmente para quem estiver ao seu redor. “Se eu medito porque quero passar em um concurso, quero ser melhor numa competição ou quero ser promovido, ser mais saudável ou ter relações mais estáveis, essas são motivações, não erradas, mas equivocadas. Quando a meditação é para ser feliz e ajudar os demais ao redor, então tenho uma meditação positiva, budista”, explica Sato, que atua no Solar do Rosário e no Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB).

Como eu sei que estou meditando?

Foto: Bigstock.

Uma vez adaptada a motivação, outro erro que pode ser ultrapassado no início da prática é tentar fazer tudo sozinho. “Não precisa construir uma sala de meditação, comprar um tapete especial, nada disso. São as coisas simples, como falar com quem pratica. Às vezes ficamos empacados em alguma crença sobre a meditação e isso impede que a pessoa vá além. Conversar com alguém com essa experiência ajuda e aumenta a confiança na sua prática”, diz Guilherme Tanaka, professor de meditação e yoga.

Quando começou a praticar a meditação, Guilherme se sentia cada vez mais ansioso e estressado. Sócio de uma produtora audiovisual, tudo que ele pensava era em como ser mais produtivo. Então, teve contato com livros de espiritualidade e autoconhecimento.

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“Nos livros, eu lia sobre a meditação, mas não era um passo a passo. Eu entendi que isso me ajudaria a relaxar e eu só queria estar tranquilo. Comecei a praticar em momentos que achava que estava muito desesperado. Eu parava, respirava e procurava não tentar resolver nenhum problema.”

Sem controles

Por achar que estava fazendo sempre errado, Guilherme começou a se aprofundar no assunto e descobriu que a meditação era algo indescritível. “A única forma é conduzir para que a descoberta seja feita por cada um, a descoberta desse silêncio, dessa plenitude”, diz. Embora seja algo que não se explique, o professor reforça que quem já passou pela experiência pode ajudar quem está começando:

“Quem fez essa descoberta do silêncio não se confunde tanto. É como se a pessoa pudesse falar sobre um lugar que só ela visitou. Se alguém tiver dúvidas de como chegar lá, ela vai conseguir orientar melhor”, comenta.

Preste atenção: se você praticou durante 20 dias a meditação, mas não percebeu qualquer diferença, leve suas dúvidas a alguém mais experiente. “Às vezes é uma questão de visão ou de trocar o instrutor. É perda de tempo passar uma hora em silêncio se você não sabe o que está fazendo”, diz Sato.

Aplicativos: ferramentas que ajudam na meditação

Meditar, segundo o professor Milton Sato, é um processo simples, que visa o controle da própria mente. Mas, embora o conceito pareça fácil, a prática carrega dificuldades, que podem ser exemplificadas em ações que todos cometemos:

“Eu tento estudar para uma prova, mas não consigo, porque a minha mente fica atenta ao cheiro do café que está sendo coado na cozinha, por exemplo. Eu não consigo me concentrar e eu desisto, vou para uma festa encontrar os amigos. Quando chego lá, eu deveria prestar atenção na música, nas pessoas, mas minha mente volta ao estudo, com remorso, visto que eu não vou passar na prova”, relata o professor.

De nada adianta, porém, começar a meditar sem entender o processo ou se jogar nos aplicativos. Sato reforça que, para meditar, é importante ter uma orientação presencial primeiro. Só então pode buscar por aplicativos, vídeos nas redes sociais digitais ou mesmo ferramentas mais antigas, como incenso ou mesmo o relógio.

Teste prático de meditação

Se você acha que a vida é corrida demais e não há tempo para meditação, faça o seguinte exercício, proposto pelo professor Guilherme Tanaka:

“Na próxima vez que estiver em uma reunião e começar a sentir que sua atenção está desgovernada ou que você está ficando ansioso, use algumas âncoras para lhe trazer ao presente. Uma delas é fazer uma respiração longa e profunda. Cinco segundos para inspirar, segure por um instante e cinco segundos para expirar. É simples, que qualquer pessoa pode fazer e vai trazer para a realidade.”

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