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Fábio Assunção diz que não apoia a glamourização do vício; conheça os tratamentos mais atuais

Em postagem no Instagram, o ator Fábio Assunção disse que renda da música com seu nome será revertida a instituições de atendimento a dependentes

Fábio Assunção faz acordo com músicos e renda da música com seu nome será destinada a instituições de atendimento a dependentes químicosFábio Assunção faz acordo com músicos e renda da música com seu nome será destinada a instituições de atendimento a dependentes químicos (Foto: reprodução Instagram do ator)

Com mais de dois milhões de visualizações no Youtube, o hit “Fábio Assunção“, da banda La Fúria, chegou aos ouvidos do ator, que se pronunciou nesta terça-feira (22), nas redes sociais.

Por tratar da dependência química e alcoólica do ator, Assunção fez um acordo com os músicos Gabriel Bartze e Bruno Magnata: todo o valor arrecadado com a música será doado para duas instituições, ainda não definidas, mas que tratam de dependentes químicos e alcoólicos.

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Em uma postagem no perfil do Instagram, Fábio comenta que é contra a glamourização do vício e diz que se preocupa com quem passa pela mesma situação que ele. A música traz em sua letra os dizeres: “Hoje eu vou beber, hoje eu vou ficar locão. Hoje eu não quero voltar para a minha casa não. Fábio Assunção”.

“Antes de qualquer coisa eu preciso falar com as pessoas que passam pelo mesmo problema que eu. Eu não endosso, de maneira nenhuma, essa glamourização ou zueira com a nossa dor. Minha preocupação é com quem sente na pele a dor de ser quem é. Com as suas famílias”, disse o ator na postagem publicada nesta terça-feira (22).

“Para além disso, eu quero dizer que jamais me passou pela cabeça censurar a criatividade das pessoas, quando vi a tal zueira tomar proporções gigantescas como a música. Mas entre não censurar e deixar de conscientizar, existe um abismo que não me conforta”, completa o ator, na postagem.

 

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Transcrição do vídeo Oi Gente… eu não pretendia tornar esse assunto público por vários motivos, mas a imprensa resolveu comentar e os meninos foram bem generosos fazendo o video deles explicando nosso acordo sobre a música Fabio Assunção. Antes de qualquer coisa eu preciso falar com as pessoas que passam pelo mesmo problema que eu, cada um está nesse momento em um estágio, mas nossa natureza é a mesma. Eu não endosso, de maneira nenhuma, essa glamourização ou zueira com a nossa dor. Minha preocupação é com você que sente na pele a dificuldade e a complexidade dessa doença. Minha vontade é que você tenha sempre um diálogo aberto e encontre um lugar de afeto com sua família, amigos e com a sociedade brasileira e assim merecer respeito e direito a um tratamento digno. Jamais me passou pela cabeça censurar a arte do autor e seus intérpretes, mesmo quando vi o tamanho e o sucesso q a música alcançou. Somos artistas e torço muito para que vocês conquistem cada vez mais fãs. Conheço também a luta do artista no Brasil e torço para que vocês prosperem. Mas não censurar não significa que não existe aqui uma oportunidade de conscientizar. 15% das pessoas do mundo tem problemas de adicção. É muita gente sofrendo por não conseguir controlar suas compulsões e eu acho importante lembrar a todos que isso não tá escrito na certidão de nascimento. Todo mundo começa do mesmo jeito. Achando que tudo bem. E pode não terminar tudo bem. Foi pensando nisso q eu, minha equipe de comunicação e o corpo jurídico que me atende, decidimos entrar em contato com os meninos e tornar essa história um ato propositivo de ajuda a quem precisa e de conscientização geral. 100% dos valores arrecadados com a música serão doados para as instituições A e B que vamos informar posteriormente como um ato irmanado entre quem sente essa dor e quem tem voz para ampliar a conscientização. Nós não somos super heróis. Cuide de vc, cuide de quem vc ama, cuide dos seus amigos nas festas. Seja responsável pelo todo. Lembrem q eu aqui respeito a zueira, amo a brincadeira, mas quero todo mundo bem, forte, feliz e consciente de seus atos e de sua vida. A luta é essa. Tamo junto. @gabrielbartz @brunomagnatareal

Uma publicação compartilhada por Fabio Assunção (@fabioassuncaooficial) em

Preconceito atrapalha busca por tratamento

Historicamente, a dependência química e alcoólica era muito mais vista como um erro moral do que como uma doença. Essa visão, a partir da década de 1970 para cá, mudou e é cada vez mais disseminada a noção que o dependente precisa de ajuda para o controle do vício, e não do julgamentos de terceiros.

Músicas que reforcem o consumo, bem como outros produtos midiáticos, como filmes ou seriados, podem atuar como gatilhos — especialmente entre os jovens — para a adicção, conforme lembra o médico psiquiatra Marcelo Daudt von der Heyde.

“[os produtos midiáticos atuam] tanto para a recaída quanto como um fator envolvido também no desenvolvimento das dependências, porque afeta a questão cultural da droga. A pessoa vê o álcool ou a droga, na mídia, como algo legal. É o beber, cair e levantar”, explica  Marcelo Daudt von der Heyde, professor de Psiquiatria da PUCPR. 

Isso prejudica a noção de que a pessoa perdeu o controle sobre a substância, atrasando o início de tratamentos, que dependem de certas janelas de oportunidade.

“Existem dois momentos: quando a pessoa sofre um dano na vida muito claro por conta do vício, mas não percebe. Aí a família leva a pessoa para as clínicas. Essa é chamada de fase de pré-contemplação. Outro momento, na fase de contemplação, a pessoa percebe o dano que o vício gerou na vida e tem um interesse real em parar com a substância, mesmo que seja um desejo ambíguo, um quero, mas não quero”, explica Heyde, que também é vice-presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria (Appsiq) e supervisor do serviço de residência em Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR).

Não existe cura da dependência, mas controle. “A pessoa dependente tem que saber que sempre está em risco, caso se descuide. E o acesso ao álcool é muito fácil. Ela encontra uma caixa de cerveja exposta no mercado, e isso pode servir como gatilho para aparecer a fissura”, reforça o especialista. Embora alguns tratamentos indiquem um consumo limitado da substância, a linha geral dos tratamentos indicam uma abstinência total.

“Se a pessoa faz uso de uma substância da qual ela era dependente, é muito raro que faça um uso não abusivo dela. Normalmente esse é um dos erros da recaída, achar que está segura para tomar uma taça de champagne em uma festa”, reforça Heyde.

Como definir um dependente?

Não se trata da quantidade de bebida que cada um ingere, nem da frequência, mas de como aquilo afeta e prejudica a vida da pessoa, seja na questão física, social, emocional, ou de trabalho.

“Claro que, quanto maior o uso, maior o risco de dano. Mas existem casos de pessoas que consomem pouca quantidade e são dependentes. Ou quem não faz uso todos os dias, mas só aos fins de semana, desde que gere prejuízo”, reforça Marcelo Heyde, médico psiquiatra. 

A dependência carrega três características importantes, conforme alerta Mario Louzã, médico psiquiatra, coordenador do programa de Esquizofrenia e do programa de Déficit de Atenção e Hiperatividade do Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC/FMUSP).

“Seja por uma droga ou um comportamento de dependência, a pessoa tem um desejo de consumir e desenvolve um comportamento aditivo, ou a fissura. O segundo aspecto é a tolerância. O dependente precisa de doses cada vez maiores para conseguir o mesmo efeito. Se for um jogo, a aposta tem que ser cada vez mais alta para ter a mesma excitação. O terceiro aspecto é a abstinência, os sintomas de uma brusca suspensão da atividade”, explica o especialista.

Tratamentos

A principal linha de tratamento contra dependência de álcool e drogas está na mudança do comportamento, através de psicoterapia.

“O tempo [até a pessoa atingir o controle da dependência] varia com o paciente, e muitas vezes é preciso várias tentativas. A recaída faz parte do processo, e cada vez que ela acontece é preciso entender o que levou a isso, o que deu errado, para que a pessoa se arme de estratégias que previnam uma próxima recaída”, explica Marcelo Heyde, médico psiquiatra. 

Medicamentos podem ser usados, especialmente no início do processo. Segundo Mario Louzã, médico psiquiatra, a medicação é válida no momento que é preciso deixar a pessoa abstinente da substância. “Muitas vezes, manter os primeiros dias e semanas de abstinência é muito duro. A pessoa tem sintomas físicos, muita ansiedade, angústia, irritabilidade. Os sintomas dependem de cada droga, mas a medicação pode ajudar no controle dessa abstinência”, explica o especialista.

Em um segundo momento, quando o foco está na psicoterapia, a medicação pode contribuir reduzindo o desejo de uso da substância.

Vale lembrar que a dependência não é única e exclusiva de bebidas alcoólicas ou drogas: o mesmo mecanismo de recompensa que atinge o cérebro quando a pessoa faz uso dessas substâncias é ativado quando a pessoa é dependente do uso exagerado de internet, jogos, relações sexuais, entre outros vícios.

“Ter outras atividades, que atinjam o mesmo mecanismo de recompensa, mas que sejam saudáveis atuam como protetoras, como adotar uma atividade física, um esporte de preferência”, sugere Heyde.

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