Faringite é contagiosa? Veja sintomas dos três tipos

Manter boa hidratação mesmo no frio e lavar as narinas com soro fisiológico pode proteger deste tipo de inflamação

O outono chegou e o frio tem levado cada vez mais gente a emergências médicas com suspeita de faringite, uma inflamação (não necessariamente infecção) da faringe, que fica entre o nariz e a laringe, atrás da campainha, na chamada úvula. “Por ordem de ocorrência, pode ter origem alérgica, viral ou bacteriana”, diz Jemima Hirata, otorrinolaringologista da Hospital Nossa Senhora das Graças.

Uma queda brusca de temperatura predispõe de diversas formas ao surgimento desse tipo de inflamação. “Toda mucosa respiratória contém pequenos cílios que se movem e fazem a limpeza da região, eliminando poeira e micro-organismos do local. Quando esfria esse movimento fica mais lento, tornando mais lenta a remoção dessas impurezas, assim vírus e bactérias podem ficar mais tempo em contato com a mucosa, aumentando a chance de inflamar”, diz ela.

Menos umidade
Tempo frio também significa tempo mais seco, e a redução da umidade das mucosas, com menos produção de muco, que contém células de defesa, também enfraquece as defesas do sistema, predispondo a inflamações.

O frio também leva as pessoas a se fecharem mais, a reduzirem a entrada de ar, o que aumenta a chance de vírus e bactérias serem exaladas e inaladas. “Os vírus são altamente contagiosos, enquanto as bactérias são um pouco menos – é preciso contato mais próximo por um tempo maior, e muitas vezes a inflamação bacteriana decorre de bactérias já presentes em nosso organismo e que vêm à tona pela baixa de imunidade que o frio pode causar”, diz.

Ainda pelo tempo mais prolongado de contato da poeira, ácaros, fungos, etc com a mucosa respiratória, as crises alérgicas se tornam mais frequentes neste período. Retirar cobertas, roupas e blusas guardadas por muito tempo também pode resultar em crises alérgicas pelos ácaros e cheiro de mofo. “A alergia é genética, e a crise pode evoluir para uma faringite. É uma sequência: isso irrita o nariz e a garganta, aumenta a produção de  secreção que acaba escorrendo pela garganta, muitas vezes faz com que a pessoa durma de boca aberta, o que deixa a mucosa ainda mais seca, e esses fatores acabam agravando a situação.”

Diferenças
Na faringite alérgica, os sintomas geralmente são dor leve, caracterizada mais como uma irritação pelo paciente, um pigarro, a garganta “arranhando”, mas sem febre e com quadro geral geralmente bom. Isso pode estar associado a um quadro alérgico pulmonar e/ou nasal. Na faringite viral, os sintomas geralmente  estão associados a quadros de resfriado ou gripe, geralmente o paciente apresentando dor para deglutir, a garganta também ruim, mas com febre baixa, e um quadro que melhora entre 5 a 10 dias, geralmente no menor tempo.
Na faringite bacteriana, há uma febre mais alta, a queda no quadro geral, com o paciente mais fraco e cansado, e em exame físico podem ser vistas placas de pus na faringe. Para uma inflamação que não passa, transcorridos de 7 a 10 dias, vale procurar um médico.

Tem como evitar?
Sim, há como evitar faringites com algumas medidas simples, diz a otorrino Jemima Hirata. Continuar se hidratando como em dias quentes é uma delas, pois reduzimos nosso consumo de água no frio naturalmente, o que resseca mais as mucosas. Evitar ficar em ambientes fechados por muito tempo, ou pedir para abrir a janela também é uma dica preciosa, para evitar contaminações.  Deixar sempre um recipiente com água próximo de onde se está ajuda a umidificar o ambiente – e as mucosas nasais. Limpar as narinas com soro fisiológico de duas a seis vezes por dia também é uma boa medida: basta aplicar com seringa o soro, o que remove mecanicamente aquilo que em condições normais os cílios retirariam. “Existe uma adaptação gradual do nosso corpo ao frio, mas no inverno a imunidade é pior que no verão”, diz.

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