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Birras e medos: o que fazer?
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A idade da criança ajuda a explicar o significado do medo ou da birra (Foto: Bigstock)

Até onde dizer “não”, o que significa a birra e como lidar com os medos são algumas das principais dúvidas dos pais nos consultórios de psicológicos especialistas em cuidado infantil. Para cada situação, porém, não há uma única resposta e vai depender de como aquele comportamento da criança impacta no dia a dia da família. Confira a entrevista com a psicóloga especialista em terapia cognitivo comportamental e neuropsicologia pela USP, Camila Machuca.

Qual é a principal dúvida dos pais sobre a criação dos filhos?

A questão disciplinar é uma das queixas mais amplas. Até quando eu posso dizer “não”, até onde dizer “sim”, como impor limites. A posição dos pais vai depender da frequência e intensidade do comportamento da criança. Se ela joga a comida para fora do prato toda vez que sentam para as refeições, se não impor um limite, vai ser difícil depois ensiná-la. Mas, é preciso ver se o comportamento está condizente com a idade da criança.

O que a birra representa para a criança?

A birra também está relacionada à faixa etária e a gente tem de entender por que ela acontece. Os pais convivem mais com isso com a criança na idade pré-escolar, quando está aprendendo a lidar com o “não”. Ela vai testar os pais, ver até quando eles mantêm a ordem que eles mesmos passaram. Tem comportamento de birra que é para chamar a atenção. Meu pai não me olha quando eu faço algo bonitinho, mas se eu mordo e puxo o cabelo eles falam comigo. É uma atenção negativa, mas que funciona.

Há birra que não é uma questão de mau comportamento?

Em crianças pequenas, a birra é para avisar de uma necessidade fisiológica que precisa ser suprida. Ou ela está com fome, ou sono e então faz birra. Não é mau comportamento, e os pais precisam identificar isso.

Como os pais podem trabalhar os medos das crianças?

Tem medos que são muito comuns em determinadas faixas etárias. Aos quatro anos, por exemplo, a criança ainda não distingue o imaginário do que é real, e ela tem muito medo de escuro, monstros, pessoas fantasiadas e ficar sozinho. Se ela vê uma máscara, ela não entende que é uma pessoa vestida com a fantasia.

Medos por idade

A psicóloga Camila Machuca separou os principais medos de acordo com a idade da criança, publicado no blog Maternidade Simples. Confira!

0 a 6 meses: Ruídos, barulhos fortes ou perda de segurança causam medo nas crianças dessa faixa etária.

7 a 11 meses: A criança passa a reconhecer os rostos de quem é próximo a ela e pode estranhar pessoas com quem não convive muito. Pode apresentar medo de altura também.

1 ano: Ficar longe do pais gera insegurança e o medo de que eles desapareçam. O medo se intensifica nos próximos três anos.

2 anos: Primeiras experiências da falta de controle sobre o mundo surgem aos dois anos. As crianças passam a ter medo de barulhos muito altos como trovões, trens, aspiradores, além de médicos, objetos grandes e criaturas imaginárias.

3 a 4 anos: Ainda não é fácil separar o que é imaginário do que é real, e por isso o medo de máscaras, pessoas fantasiadas de palhaços, tudo que cubra o rosto. Lugares escuros, monstros, insetos e ficar sozinho também são medos comuns.

5 anos: Agora surgem medos mais concretos, como o de se machucar, de animais e de ladrão.

6 a 7 anos: Embora tenha um senso de realidade mais claro, a criança ainda tem uma imaginação muito vívida. Medo de bruxas, fantasmas, tempestades, dormir sozinha ou que algo de ruim possa acontecer aos pais é frequente.

8 a 10 anos: Do mundo da fantasia para a realidade. Os medos agora são de aceitação social e performance, como o medo de rejeição pelos colegas, de ir mal na prova e de reprovar na escola.

Fonte: Blog Maternidade Simples.

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