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Desenhar ajuda no desenvolvimento do raciocínio e de habilidades motoras da criança

Pais devem incentivar o hábito que é a forma de comunicação que antecede a escrita

Rafael Correa Munaretto, 8 anos, se diverte com sua coleção de desenhos de dragões, corujas e tudo o que vier à sua imaginação. Fotos: Rodrigo Sóppa / Gazeta do Povo.

Coloque uma folha de papel e um lápis na mão de uma criança e pronto. Não precisa de mais nada para distraí-la por um bom tempo. Além de divertida, essa atividade simples é fundamental para o crescimento dos pequenos. “O desenho é a base do desenvolvimento da criança. À medida que o pensamento evolui, os traçados gráficos se transformam e a aprendizagem como um todo – desde a motricidade à percepção das emoções – se desenvolve”, explica Carmen Helena Campos Lago, terapeuta ocupacional e especialista em psicopedagogia da Casa do Crescer.

Durante a infância, o desenho é a forma de comunicação que antecede a escrita. Quanto maior a prática, mais fácil será para que a criança comece a traçar as primeiras letras. Mari Inês Piekas, professora do curso de desenho e pintura infanto-juvenil no Solar do Rosário, em Curitiba, busca sempre incentivar seus alunos com diversos materiais, do tradicional lápis de cor ao uso da aquarela, do nanquim e até mesmo do carvão. Depois de conhecer as técnicas, eles têm a liberdade de escolher suas favoritas. “Para a criança, o desenho é capaz de expressar sentimentos e desejos. É fundamental para que ela entenda o mundo no qual vive”, afirma.

Em conjunto com o professor, os pais têm papel essencial nesta etapa. Críticas positivas e negativas expressas com cautela, por exemplo, podem estimular os pequenos a desenvolver suas habilidades artísticas. Mari Inês acredita que é importante perceber e respeitar o que a criança gosta de fazer, caso contrário ela desiste da prática. Para Carmen, isso também é válido. “Se a criança desenha rabiscos e afirma que aquilo é uma laranja, os pais devem demonstrar compreensão pois este é o modo dela de representar a fruta. Ela olha para aquela obra e se orgulha”, explica.

”Mercadinho-galeria”
Tamyres Ohana Paolini tem apenas 11 anos e é exemplo para inúmeras crianças. Apaixonada por desenhos coloridos, ela coleciona páginas com suas obras feitas na escola e em casa. Folhas de papel sulfite e lápis de cor são matéria-prima para criar pessoas, corações, instrumentos musicais e toda a sorte de animais em sua coleção. As preferidas, porém, receberam atenção especial. Tamyres escolheu uma parede em branco do Mercado da Rosa, empreendimento dos pais Eva e Nélio Paolini, no bairro Fazendinha, para expor uma de suas inspirações: o desenho de uma girafa feita caprichosamente em tons de amarelo e alaranjado.

Tamyres Paolini, 11 anos, e Valentina Ribeiro Castilho, de 4 anos: trabalhos expostos em mercearia de bairro de Curitiba. Foto: Rodrigo Sóppa / Gazeta do Povo.

Tamyres Paolini, 11 anos, e Valentina Ribeiro Castilho, de 4 anos: trabalhos expostos em mercearia de bairro de Curitiba. 

Como o desenho ficou exposto próximo aos caixas do mercadinho, não demorou muito para que as crianças da vizinhança também quisessem mostrar ao mundo seu talento com os lápis de cor. Aos poucos, a parede se tornou um cantinho especial para os artistas mirins do bairro. Hoje conta com mais de 30 ilustrações. “Crianças de todas as idades trouxeram desenhos. Até mesmo os mais novinhos, de 2 ou 3 anos, querem participar”, conta Eva. Para ela, valorizar a dedicação das crianças aumenta a confiança e autoestima dos pequenos.

Dragões e corujas
As crianças expressam suas emoções de modos diferentes. Umas cantam, outras falam, muitas desenham. Quando são reprimidas, podem extravasar a criatividade de um modo agressivo. Foi o que aconteceu com Rafael Correa Munaretto, de 8 anos. No ano passado, os pais foram chamados pela direção da escola em que estudava, em Curitiba. Alegavam indisciplina do menino, em especial durante as aulas de artes. A mãe, Ana Cristina Correa Munaretto, 35, se surpreendeu com o caso, pois seu filho nunca havia sido agressivo.

“Ele começou a fazer terapia e a psicóloga o diagnosticou como uma criança alto habilidosa (superdotada). Como a antiga escola não soube lidar com o jeito questionador, criativo e independente do Rafa, ele começou a frequentar outra instituição que respeitasse essas características”, conta Ana Cristina. Deu certo. Hoje, na nova escola, os tempos são outros. Suas atividades extracurriculares são robótica e ginástica artística e, nas horas de folga, o garoto se espicha no chão para fazer o que mais gosta: desenhar dragões, corujas e tudo o que vier à sua imaginação.

 

COMO INCENTIVAR

As dicas de Mari Inês Piekas, professora de desenho do Solar do Rosário, para os pais incentivarem os filhos a desenhar:

  • Os pais devem dar para o pequeno um bloquinho ou um caderno de desenho para guardar os registros.
  • Forneça materiais variados, como lápis de cor, giz de cera e até mesmo carvão para os pequenos.
  • Escolha objetos do quarto da criança e peça para ela desenhá-los.
  • Selecione folhas diferentes do jardim e reproduza os modelos no papel. Uma técnica interessante é posicionar a folha de papel sobre a folha da árvore e passar o lápis de cor por cima, formando texturas com o desenho. A criançada vai adorar!
  • Durante o almoço de família, incentive a criança a desenhar retratos das pessoas.
  • Visite museus e observe a arquitetura da cidade com os pequenos. Treinar o olhar para os detalhes ajuda a desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.

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ETAPAS

Durante a infância, cada ano representa uma série de avanços no desenho da criança. As etapas a seguir são explicadas por especialistas da área, mas podem ser conhecidas por outros termos técnicos e que variam de acordo com estudiosos (como Piaget e Luquet):

De 1 a 3 anos
Os traçados são irregulares, conhecidos como garatujas. “A fase da garatuja é fundamental para o desenvolvimento do controle motor. Com o tempo, a criança consegue fechar uma forma, como um círculo, e isso é uma conquista para ela. A partir daí, surgem mais possibilidades de transformação”, explica Mari Inês.

De 3 a 4 anos
As formas são mais concretas e os desenhos se tornam reconhecíveis. Ainda que não haja proporções equilibradas, a criança consegue reproduzir um ser humano e respeita os limites da folha de papel.

De 4 a 6 anos
As inspirações surgem com as referências culturais da criança, seja a partir da televisão ou de livros infantis. É a fase das casinhas, flores, animais, super-heróis e paisagens. Há mais detalhes e realismo em cada desenho.

De 7 a 8 anos
A criança apresenta noções de perspectiva e se torna mais exigente com seu próprio trabalho. Os desenhos são mais perfeitos e representam tanto o cotidiano da criança quanto histórias de outros contextos.

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