Mamãe, quero ser youtuber!

Como os pais devem lidar com a escolha dos filhos de seguir uma profissão ligada ao mundo digital

Felipe Calixto, de 15 anos, criou seu primeiro canal com 11 anos e tem ajuda da mãe, Letícia. (Foto:Letícia Akemi/Gazeta do Povo)

O mundo digital parece transformar a cabeça das novas gerações numa velocidade cada vez maior. Se uma criança pequena já tem total habilidade para mexer em smartphones e tablets, é de se esperar que as profissões ligadas a tecnologia chamem a atenção dos jovens muito mais que as tradicionais como bombeiro, professor e veterinário.

O youtuber Felipe Calixto, de 15 anos, criou seu primeiro canal num site de compartilhamento de vídeos com apenas 11 anos. A vontade de gravar veio quando Felipe assistiu a um vídeo de uma mulher brincando com bonecos. “Eu achei tão legal que queria fazer o mesmo. Ganhei os bonecos e já comecei a gravar”, confessa o adolescente.

Quando Felipe começou a postar vídeos, a mãe dele, a empresária Letícia Calixto Calil, de 43 anos, achava que era somente uma brincadeira. “Ela não sabia o que era Youtube de verdade, mas fui explicando como funcionava aos poucos”, diz o filho. Em mais ou menos seis meses, Felipe conquistou um público considerável, fez outro canal – esse então mais profissional, saiu de trás das câmeras e atualmente tem mais de 240 mil seguidores.

Com toda a experiência em vídeo, conquistada na brincadeira, Felipe já deixou claro para a mãe que quer continuar fazendo seus vídeos quando ficar mais velho. Com a exposição na internet, Letícia explica que conversa bastante com o filho, pois “é difícil agradar todo mundo, ainda mais jovens de 15 anos”.

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A mãe incentiva o desejo do filho, mesmo sabendo que a profissão de youtuber é nova e não se sabe ao certo quanto tempo ela vai durar, pois as maneiras de se comunicar na internet mudam muito rápido. “Espero que dure ainda por muito tempo porque meu filho adora isso. Mesmo assim, eu gostaria que ele tivesse uma outra profissão”, conta.

Diálogo é sempre a melhor opção

Além de youtubers, outras profissões como analistas de SEO e agentes de memes também ganharam seu espaço no mercado atual. A psicoterapeuta especialista em infância e adolescência, Vera Regina Miranda, afirma que os pais devem ouvir com interesse a escolha das crianças e perguntar o que a atividade faz em si, quais as habilidades requisitadas.

Para ela, é preciso que os pais busquem informações para conhecer melhor sobre as profissões mais novas. “O mundo virou digital e é preciso saber dialogar entrando no universo do filho. Atacar suas escolhas, sem subsídios pode gerar afastamento e posterior fuga da comunicação do filho com os pais”, ressalta a especialista.

Tudo ponderado

Para a psicóloga Maria da Graça Padilha, é preciso ter limites no uso da internet. “O mundo é muito mais do que uma tela de computador, tablet, celular. É necessário incentivo aos relacionamentos ao vivo e a cores, assim como a outras atividades longe das referidas telas”, alerta. Segundo a profissional, cabe aos pais proporcionarem outras atividades, concorrentes ao mundo digital, desde que o filho é pequeno.

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