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Pais devem desafiar os filhos na volta às aulas

Conheça os principais erros na hora de fazer as tarefas de casa e saiba como estimular a criança a aprender

Ter material escolar novo e escrivaninha limpa não é o que vai fazer seu filho pequeno adquirir bons hábitos de estudo neste ano letivo. Para instigá-lo a estudar melhor, são boas dicas transformar as tarefas em jogos que o desafiem, equilibrar corretamente sua presença e ausência durante as atividades e não deixar que a lição ultrapasse uma hora.

As escolas de hoje são diferentes daquelas em que você estudou. Não se trata mais de memorizar sem entender ou copiar sem pensar, agora a prioridade é a qualidade da interação entre o aluno e o professor. Os erros da criança – sejam em sala de aula, ou nas tarefas feitas em casa – fazem parte do caminho da aprendizagem. Fazer as lições para os filhos ou corrigir as respostas erradas pode mais prejudicar do que ajudar as crianças nesse processo.

 

Ajuda certa

1) Antes de começar, sente-se com seu filho e faça perguntas que vão ajudá-lo a entender como foi o dia na escola e qual é a proposta da tarefa que os professores passaram.

2)“O que você fez na escola hoje?”. Ao perguntar ao seu filho como foi o dia na escola e o que ele fez, não se contente apenas com “brinquei” ou “nada”. Pergunte: “Mas do que você brincou? Como era a brincadeira?”. Assim você terá noção das matérias que aprendeu no dia.

3) “Quais disciplinas você teve aula hoje? O que os professores ensinaram?”. Há escolas e professores que, ao darem a tarefa, explicam em sala de aula como a atividade deverá ser realizada. Confirme com a criança se esses dados foram repassados em sala.

4) “Por onde você começaria a resolver essa questão? O que você faria primeiro? E depois?”. Essas perguntas simples ajudam a entender o que a criança sabe, o que ela não sabe, se ela está segura para arriscar algum palpite ou se é preciso pesquisar mais sobre aquele tema antes de tentar responder.

 

Desafie

A criança só gosta de brincar porque a brincadeira tem um desafio embutido. Para estimulá-la a estudar, destaque o desafio daquela atividade. Descobrir diferentes animais que têm quatro patas, além do gato e cão da família, é uma provocação interessante, ao mesmo tempo em que é a resposta à tarefa de ciências, por exemplo.

Divida

Pais devem dividir a ajuda ao filho de acordo com suas afinidades, o que torna a tarefa mais agradável para todos. Por exemplo: enquanto o pai cuida da língua portuguesa, a mãe ajuda o filho a entender a matéria de geografia, por exemplo.

 

“Os pais que fazem a criança refazer a tarefa do jeito que eles acham certo, acabam por subestimá-la, o que também acontece quando usam a chantagem para alcançar esse objetivo.”

Luciana Maria Rodrigues, assessora pedagógica de educação infantil e 1º ano da Editora Positivo.

 

Os 4 erros dos pais

O erro número um dos pais, mesmo sem perceberem, é “fazer” a tarefa para os filhos. No afã de quererem ajudar, eles atropelam enunciados e tentam resolver de uma forma que lhes foi ensinada há muito tempo. Quem perde é a criança, pois o professor fica com a dúvida se ela aprendeu ou não. Compreenda o enunciado e a forma como a tarefa deve ser resolvida, deixe a criança tentar sozinha e, caso não consiga, leve os resultados errados de volta à escola.

O segundo erro mais comum é subestimar a capacidade da criança. Quando os pais falam à criança que a resposta errada acontece por falta de esforço, isso faz com que a criança se sinta incapaz, minando a autoconfiança. Caso isso esteja ocorrendo, em vez de chamar a atenção o correto é explicar que o esforço leva a resultados melhores, e incentivá-la a tentar novamente.

Estabelecer recompensas atreladas às notas do boletim estão em terceiro lugar entre os erros. Ao falar que a criança ganhará aquele brinquedo ou passeio se ela tirar a nota máxima na prova, o bom desempenho no estudo deixa de ter um valor em si, que passa a ser atribuído a um outro objeto. Mostre para a criança que aprender a ler a fará poder escrever um bilhete sozinha ou mesmo ler as instruções do videogame sem ajuda. Premiar a criança por um bom resultado, no entanto, é saudável, mas avalie se você está realmente ajudando-a a construir sua própria escala de valores, e se ela consegue diferenciar um comportamento do outro.

Acerte no elogio

Elogiar errado é o quarto equívoco cometido pelos pais. Dizer ao seu filho que ele é muito “inteligente”, “talentoso” ou “tem o dom” cria mais estresse na criança, que sente que precisa manter esses rótulos. O elogio é muito bem-vindo quando foca no esforço e na habilidade em resolver problemas. Fazer elogios rasos, da boca para a fora, destroem ao invés de construir, principalmente porque a criança sabe o que ela faz bem e no que ela precisa melhorar.

 

1 hora

Este é o tempo máximo que as crianças pequenas devem se dedicar às tarefas da escola, pois é o período de concentração delas. Se a tarefa não ficar pronta nesse tempo, ela deverá ser entregue incompleta. Isso dará ao professor uma noção da dificuldade daquela atividade ou da dificuldade que a criança teve em resolver as questões.

Integral

Se a criança passa a manhã tendo as aulas tradicionais e a tarde com atividades de contraturno na escola, se certifique com os professores e coordenadores se ela terá um tempo dedicado às tarefas do ensino regular ao longo do dia. Exigir que a criança passe o dia na escola e somente à noite faça as tarefas, em casa, pode ser muito cansativo para ela.

 

Lições para aprender

Monte uma rotina

Os pais são a primeira referência sobre organização, e esquematizar uma rotina pode ser muito benéfico. Escreva em um papelão – a primeira agenda da criança – como será o dia desde acordar: ir ao banheiro, tomar o café da manhã, assistir a um desenho, fazer a lição de casa. Lembre-se de separar uma pausa ao fim de uma ou duas tarefas para repouso. Se a criança não tiver uma rotina fica mais difícil entender e perceber o que é esperado dela.

Estudos em outro lugar

Ter um espaço especial para os estudos é importante, mas não precisa ser fixo. Se um dia a criança quiser estudar no quintal ou na cozinha, não há problemas, desde que isso não seja uma atitude frequente e que não a disperse com facilidade para outras atividades. Pergunte o que ela achou do novo local e se conseguiu se concentrar como deveria. Uma criança de sete anos de idade, por exemplo, pode responder de forma honesta.

Distância necessária

A presença constante do pai ou da mãe na hora da tarefa vai depender de cada criança. Há aquelas que precisam de um dos pais colados com eles do começo ao fim da atividade. Cabe aos pais se distanciarem aos poucos, ao longo do ano, até que ele fique apenas no início ou para tirar as dúvidas dos enunciados. Quando menos perceber, a criança fará a tarefa sozinha, e esse é um dos principais objetivos da atividade, desenvolver uma autonomia de estudo.

Televisão, não!

O computador, no caso de crianças que estão aprendendo a ler e escrever, pode ser um recurso interessante de pesquisa mesmo durante as tarefas. Direcione aos sites corretos e mostre como ele pode fazer a pesquisa sozinho. Avalie se a criança se dispersa muito com esse ou outro dispositivo tecnológico. No caso da televisão, que não permite pesquisa rápida e é um meio mais passivo que o computador, o ideal é mantê-la longe do ambiente de estudos.

 

O papel dos pais

A persistência em uma atividade escolar depende mais do adulto do que da criança. Começar bons hábitos é fácil, o difícil é mantê-los, e isso vale para os estudos também. Quanto mais tempo os pais conseguem manter o estímulo aos estudos das crianças, maior será a chance de que ele se fixe. A persistência, nesse caso, depende muito mais da ação dos pais – que deverão insistir na rotina de estudos – do que da criança, quando for muito nova.

Os pais devem estar por dentro do dia da tarefa, isso porque nem toda escola manda tarefa para a casa todos os dias, ou divide entre os dias da semana as tarefas das diferentes disciplinas. Cabe aos pais se informarem com a escola como é a programação, bem como saber qual é a política da escola caso ela seja entregue incompleta.

Outra ferramenta útil para toda a vida acadêmica é saber gerenciar o estudo. Isso significa que a criança precisa ser capaz de avaliar qual é o melhor momento e lugar para estudar, estimar quanto tempo cada tarefa vai levar e saber distribuir as pausas entre as atividades. Isso é ter bons hábitos, que podem ser estimulados pelos pais, ao ajudarem a buscar as respostas.

Se os pais não souberem como ajudar o filho ou perceberem que aquilo que estão fazendo não é bem uma ajuda, eles podem e devem buscar a escola para ter orientações e achar o equilíbrio.

Lembre-se que o tempo de brincar também deve estar presente no cronograma de atividades, e que se a criança tem atividades de manhã, tarde e à noite no colégio, vendo as mesmas pessoas, com os mesmos amigos, isso acaba tornando a escola e o estudo chatos.

 

Pare de comparar

Cada filho é único, mesmo quando são criados juntos. Mesmo que um irmão seja melhor na escola que o outro, os pais não devem recorrer à comparação para “estimular” a criança aos estudos. Dolorosa, a comparação pode mais prejudicar o ensino do que ajudar.

 

Decepção

Receber elogios pode ser muito positivo, mas os pais precisam ensinar aos filhos como trabalhar com a decepção. Diga a eles: “Fico feliz que você aprendeu tal matéria, mas em outras você não está tão bem assim e pode usar a mesma dedicação”. Todo mundo sabe lidar com o sucesso, mas nem todos conseguem crescer na frustação e ansiedade.

 

Fontes: Antonio Rodriguez, consultor de aprendizagem, escritor e educador norte-americano; Graciela Inchausti de Jou, doutora em psicologia do desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisadora associada ao programa de pós graduação em Psicologia pela mesma instituição; Dinamara Machado, diretora da escola superior de educação do centro universitário Uninter; Luciana Maria Rodrigues, assessora pedagógica da Educação Infantil e 1º ano da Editora Positivo; Anabela Almeida Costa e Santos Peretta, psicóloga escolar e professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia; Luiz Alberto de Souza, assistente da Gibiteca de Curitiba.

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