Como os pais devem lidar com a crise dos 2 anos do filho

Nesta fase, denominada “Terrible Two”, crianças passam a ter mais vontades e as birras se tornam comuns. Saiba por que ocorre essa mudança de comportamento

Aos 2 anos, a criança começa a ter quereres e, mais do que isso, a ter voz e a exercitar seu poder: é uma fase que os pais precisam ter muita paciência. Foto: Bigstock.

A cena é velha conhecida de muitos pais: ao ter algum pedido negado, a criança começa a chorar, a reclamar e a fazer a famosa birra, que pode até terminar em escândalo. O comportamento, que deixa muitos membros da família constrangidos e de cabelo em pé, é mais do que normal. Quando os filhos passam da fase de bebês para serem crianças, por volta dos 2 anos, começa a fase conhecida como “terrible two” (terríveis dois, na tradução do inglês), período que pode ser complicado, mas facilmente superado.

Segundo o psicólogo comportamental Carlos Esteves, não existe uma idade determinada para esse comportamento da criança, uma vez que o desenvolvimento de cada uma depende da interação familiar e da relação com o ambiente. “Os primeiros sinais da birra surgem como forma de comunicação e relacionamento com os adultos. A criança aprende a desejar, pedir e insistir, e essa manifestação acontece quando ela percebe que o choro ou a birra funcionam para conseguir alguma coisa”, afirma.

Para a empresária e mãe de três filhos Débora Rossetto, de 30 anos, os 2 anos ficaram tão famosos porque é quando os filhos deixam de ser bebezinhos e passam a ser crianças. “Acho que isso é bem difícil para os pais, porque bebês são mais controláveis, e os pais têm mania de controle. Então, aos 2 anos, aquele anjinho começa a ter quereres e, mais do que isso, começa a ter voz e exercita seu poder”, lembra. Ela conta ainda que o grande desafio é compreender o universo e as necessidades das crianças. “O que eu percebi é que quando perdemos esse momento de entender o que está acontecendo, vem um descontrole, tanto deles quanto nosso, dos pais. Aí tudo fica mais complicado”, aponta.

Cotidiano
Esse exemplo que os pais passam para os filhos por meio do comportamento cotidiano é a chave para entender as reproduções que eles fazem, de acordo com a psicóloga Giovana Tessaro. “Controlar a ansiedade dos pais é o principal. Eles precisam controlar a sua própria frustração e sua raiva”, conta. Ela indica exercícios com expirações mais longas (o famoso contar até dez) para que os pais se acalmem diante de situações difíceis. Para Esteves, isso também ajuda o pai a antecipar a birra ou comportamentos agressivos, evitando o escândalo.

 

DICAS

Nessa fase, a criança começa a aprender a se relacionar com o ambiente e as situações. É preciso estimular a paciência e controlar as frustrações para que ela entenda o que está acontecendo. Veja algumas práticas que ajudam nessa fase:

  • Interação
    Promova a participação. Inclua a criança na rotina da casa. Ensine a ela como guardar os sapatos, como deixar o quarto arrumado e também insira seu filho em tarefas mais lúdicas e divertidas como cozinhar. Ele irá aprender a conviver de uma forma mais participativa, ter responsabilidade e entender a hora certa para fazer o que quiser.
  • Disciplina
    Seja firme. É importante não mudar de opinião ou comportamento diante das insistências das crianças. Se ela aprender que chorando o pai mudará de opinião, ela irá repetir isso em outras situações. Nessa hora, é preciso deixar claro o porquê da negação e as consequências de um mal comportamento, e não ceder apenas para que a criança pare de chorar.
  • Preveja
    Antecipe a birra. Procure acompanhar de perto as motivações para os desejos do seu filho. Entenda como ele percebe o mundo e explique tudo ao máximo, para que ele entenda as dinâmicas da família, as diferenças entre outras crianças e como ele pode se adaptar a isso.
  • Paciência
    Explique. Tenha paciência com seus filhos e converse sobre as situações que acontecem na vida dele. Se ele fizer algo errado, repreenda, mas explique o porquê da bronca. Não espere que ele obedeça apenas por que você está mandando. Se ele entender o que está acontecendo pode não repetir aquilo outras vezes.

8 recomendações para você

Deixe seu comentário