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Brasil tem a segunda maior incidência de hanseníase no mundo; conheça tratamento

Janeiro é o mês em que os médicos dermatologistas reforçam os cuidados e sequelas da hanseníase, antigamente conhecida por lepra

(Foto: Bigstock)

No primeiro dia de 2018, um garoto de 11 anos natural de Sorriso, no Mato Grosso, morreu de hanseníase, uma das doenças infecto-contagiosas mais antigas no mundo. E o fato ocorreu  justamente no Janeiro Roxo, mês escolhido por associações médicas, em parceria com Ministério da Saúde, para alertar e conscientizar a população sobre o doença — desde 2009, o Brasil conta com o Dia Nacional da Hanseníase, no último domingo de janeiro.

Hoje, mesmo com os alertas para a doença, o Brasil tem a segunda maior incidência de hanseníase: são mais de 15 casos por 100 mil habitantes, com destaque aos estados de Mato Grosso (que registra o maior número deles), Pará, Maranhão, Tocantins, Rondônia e Goiás. Os estados no Sul têm uma prevalência menor.

Mais diagnósticos

Os números expressivos da doença, no entanto, não indicam um cenário necessariamente ruim: são resultado de um maior controle e diagnóstico da doença que, quanto mais precocemente identificada, maiores são as chances de evitar as sequelas.

A hanseníase tem cura, mas exige tratamento intenso do paciente, com administração de medicamentos entre seis meses a um ano. O tratamento é gratuito e fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A causadora, a bactéria Mycobacterium hansen, costuma gerar sinais até cinco anos depois do contato com alguém doente, e essa é a principal forma de transmissão da doença.

“A transmissão se dá a partir de uma pessoa doente sem tratamento para outra, após um contato próximo e prolongado, especialmente os de convivência domiciliar. Se tiver um contato casual com alguém que tem hanseníase, dificilmente essa pessoa passará a doença para você“, explica Camila Scharf, médica dermatologista coordenadora do ambulatório de Dermatoscopia do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba.

Por ser uma doença que permanece por um bom tempo silenciosa, os sinais na pele tendem a demorar a aparecer, dependendo do tipo (multibacilar ou paucibacilar, conforme a quantidade de bacilos ou bactérias). Assim, o portador pode transmitir a bactéria sem nem saber que está doente.

Dos sintomas mais comuns, fique atento às manchas na pele, com a formação de lesões que perdem a sensibilidade ao calor, dor e tato. “A primeira sensibilidade que se perde é da temperatura. As pessoas, às vezes, se queimam e não sentem. Pode ter também alterações nos nervos e a pessoa reclama de fraqueza, derruba as coisas e não sente. São sinais bem variados”, explica Janyana Marcela Doro Deonizio, médica dermatologista do serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR).

Sequelas preocupantes

A grande preocupação dos médicos e pacientes é com as possíveis sequelas que podem surgir com a demora no tratamento, visto que muitas são permanentes. “Quando a doença atinge o nervo, pode levar a alterações sensitivas, motoras, gerando deformidades nas articulações das mãos. O paciente pode ter dificuldade de movimento em alguma parte do corpo e enervação das glândulas, o que prejudica a lubrificação da pele”, explica a médica Janyana.

Crianças e adultos

Embora não haja uma idade limite para desenvolver a infecção, crianças e idosos portadores de outras doenças são pacientes que, mais comumente, têm respostas exacerbadas à bactéria.

“A hanseníase não favorece o surgimento de outras doenças, porém muitas vezes as condições sanitárias favorecem”, explica Camila Scharf, médica dermatologista, em referência ao falecimento de um menino de 11 anos, com hanseníase do tipo multibacilar, no Mato Grosso, no início de 2018.

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