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Saúde e Bem-Estar

Descoberta da imunoterapia contra o câncer recebe Nobel de Medicina

Estratégia que remove o \"disfarce\" dos tumores para que o próprio organismo lute contra a doença recebeu a premiação máxima

  • PorFolhapress
  • 01/10/2018 07:28
Tasuku Honjo e James P Allison ganharam o Nobel pelas descobertas relacionadas ao tratamento. Foto: Sam YEH/AFP.
Tasuku Honjo e James P Allison ganharam o Nobel pelas descobertas relacionadas ao tratamento. Foto: Sam YEH/AFP. | Foto: AFP

O Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2018 foi para o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo pelas descobertas ligadas ao combate do câncer com drogas que aceleram a função do sistema imunológico, a chamada imunoterapia.

A estratégia pode ser traduzida como remover o “disfarce” do tumor para que o próprio organismo lute contra a doença.

A descoberta, de acordo com o Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia, formou um quarto pilar no tratamento contra o câncer, diferente de tudo que havia até então, como quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Hoje, a lista de cânceres que a imunoterapia combate cresce: há estudos que mostram a eficácia da imunoterapia contra melanomas, câncer de pulmão, cabeça, pescoço, bexiga, linfomas, câncer de rins, câncer de pele, entre outros.

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A pesquisa teve grande desenvolvimento nas últimas décadas e aumentou a efetividade de tratamentos contra vários tipos de câncer que não respondiam bem às drogas que existiam antes, como melanoma, câncer de pulmão e câncer de rim, por exemplo, diminuindo drasticamente a taxa de mortalidade relacionada a eles.

Sistema imunológico

Pioneiro na área, o imunologista americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, teve a ideia de tentar soltar o “freio” do sistema imunológico conhecido como CTLA-4, um receptor presente na célula T, responsável por reconhecer células que não são normais no organismo.

Esse “freio” é como uma armadilha imposta pelas células cancerígenas, para que as células de defesa não reconheçam os tumores e, portanto, não o destruam. A estratégia para conseguir isso foi preparar um anticorpo que se ligasse ao receptor, impedindo que esse freio molecular pudesse ser ativado. Com isso, Allison conseguiu curar camundongos que tinham melanoma. O anticorpo ipilimumab (comercializado como Yervoy, da Bristol-Myers Squibb) age da mesma forma em humanos.

Terapia que fortalece o sistema imunológico para que o próprio organismo combata o câncer venceu o prêmio máximo da medicina (Foto: Bigstock)
Terapia que fortalece o sistema imunológico para que o próprio organismo combata o câncer venceu o prêmio máximo da medicina (Foto: Bigstock)

Outro freio molecular, cuja inibição pode gerar efeitos ainda mais dramáticos, de acordo com o comitê do Nobel é o PD-1. Fruto da pesquisa liderada pelo médico e imunologista Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, o bloqueio do PD-1 também abriu uma avenida de possibilidades, com possivelmente menos efeitos colaterais do que a terapia anti-CTLA-4.

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Entre as drogas hoje comercializadas que agem no funcionamento do PD-1 estão o nivolumab (Opdivo, também da Bristol-Myrers Squibb) e o pembrolizumab (Keytruda, da MSD). Ambas foram aprovadas recentemente, em 2014.

Uma consequência natural do desenvolvimento dessas pesquisas foi a combinação das duas terapias, a qual gerou uma resposta ainda maior do que aquelas obtidas individualmente. Esse conhecimento se consolidou na última década, e cada vez mais tipos de câncer são tratados com a chamada imunoterapia.

Curiosidades do Nobel:

Outras descobertas notáveis premiadas pelo Nobel de Medicina ou Fisiologia são a da insulina (1932), da relação entre HPV e câncer (2008), a da fertilização in vitro (2010), a de que existem grupos sanguíneos (1930) e a de como agem os hormônios (1971). Confira outras curiosidades sobre a premiação:

Brasil tem Nobel? A única pessoa nascida no Brasil que recebeu um Nobel foi o britânico Peter Medawar, pela descoberta das bases da tolerância imunológica adquirida, ou seja, a capacidade de fazer o sistema imunológico de um organismo não reagir a certos fatores.

Nobel de 2017. No ano passado, levaram o Nobel cientistas pioneiros nos estudos dos mecanismos moleculares por trás do ritmo circadiano -ou relógio biológico- que funciona dentro das células. Foram agraciados os americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young.

Como escolhem o ganhador. A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea. O prazo para o comitê receber as indicações foi dia 31 de janeiro. Geralmente são centenas de indicados.

Podem indicar nomes membros do Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, biologistas e médicos ligados à Academia Real Sueca de Ciências, vencedores dos Nobéis de Fisiologia ou Medicina ou de química, professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas e acadêmicos e cientistas selecionados pelo comitê do Nobel -autoindicações são desconsideradas.

A cerimônia de premiação propriamente dita dos vencedores deste ano só ocorre em dezembro. Entre as descobertas premiadas no passado estão as da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953), e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).

Mais premiações

Nesta terça (2) e quarta-feira (3) serão anunciados, respectivamente, os prêmios nas áreas de física e de química. Os dois são distribuídos pela Academia Real Sueca de Ciências. O Nobel da Paz, dado por um comitê escolhido pelo Parlamento Norueguês será anunciado na sexta (5); o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, apelidado como Nobel de Economia, será anunciado na próxima segunda (8) e também fica a cargo da Academia Real Sueca de Ciências.

Quanto ao prêmio de literatura de 2018, a Academia Sueca afirma que pretende anunciar o ganhador somente em 2019. Esse tipo de atraso já aconteceu outras sete vezes na história -1915, 1919, 1925, 1926, 1927, 1936 e 1949-, e em cinco ocasiões ele foi, de fato, entregue no ano seguinte, junto com o vencedor daquele ano.

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