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Infecções repetidas (e mal tratadas) de garganta podem afetar cérebro e coração

Negligenciar aquela dorzinha insistente pode ser perigoso, uma vez que pode acarretar em complicações cardíacas e levar a quadros mais sérios

Febre reumática atinge principalmente crianças entre 5 e 15 anos. Imagem: Pixabay

Quando as temperaturas caem e o tempo fica mais seco ela aparece: a dor de garganta. Vista por muitos como inofensiva, é comum que pacientes optem pela automedicação para combatê-la, fazendo o uso de pastilhas e remédios que dispensam prescrição médica para a compra.

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No entanto, negligenciar aquela amigdalite insistente tende a ser perigoso, uma vez que, em casos mais graves, ela pode acarretar em complicações cardíacas e levar a quadros mais sérios, como a febre reumática.

Isso acontece por causa da bactéria Streptococcus, causa comum de infecção bacteriana na garganta que, se não for bem tratada, pode se tornar um possível gatilho para a febre reumática. Em casos em que a infeção inicial é negligenciada, cerca de 3% dos pacientes acaba desenvolvendo a condição mais grave.

50% a 80% das dores de garganta são desencadeadas por meio de infecção por vírus ou bactérias, como é o caso de amigdalites e faringites, de acordo com dados do Centro Nacional de Informação em Biotecnologia, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NCBI-NIH).

Febre reumática

A febre reumática é, por definição da Sociedade Brasileira de Reumatologia, uma doença inflamatória que pode comprometer as articulações, coração, cérebro e pele. Afeta principalmente crianças e adolescentes, na faixa etária entre os cinco e os 15 anos de idade.

De acordo com Vinícius Ribas Fonseca, otorrinolaringologista do Hospital Otorrinos Curitiba e diretor presidente da Academia Brasileira de Otorrinopediatria, crianças e jovens adultos são mais suscetíveis à doença por terem imunidade mais baixa que a dos adultos.

Na percepção de Everton Dombeck, médico cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini, a incidência é maior entre a população mais carente, pela dificuldade de acesso a tratamento médico.

Predisposição genética

Nem toda infecção de garganta evolui para uma febre reumática, segundo avisa Dombeck, então não é necessário alarmismo. “Apenas pessoas predispostas e que tiveram contato com a bactéria específica”, observa.

Ele acrescenta que é difícil detectar a predisposição à doença, visto que no Brasil ainda é difícil fazer um trabalho de mapeamento genético, mas que caso exista histórico da doença na família, já é um bom indicativo.

Prevenção

Mas como evitar que uma dor de garganta evolua para a febre reumática? Tanto o cardiologista quanto o otorrinolaringologista concordam que a prevenção às infecções de garganta e o tratamento correto delas, caso ocorram, são imprescindíveis.

“Melhorar a nutrição, a higiene, e até mesmo o estado psicológico pode ajudar a evitar as infecções”, afirma Dombeck. No caso do estado psicológico, uma pessoa muito estressada, por exemplo, pode ter uma queda na imunidade, favorecendo o surgimento da doença.

Em caso de infecção na garganta, Fonseca recomenda que é imprescindível evitar o contato com outras pessoas, de modo a não passar a doença para irmãos pequenos ou colegas de escola.

“Importante ensinar a ‘manobra do Batman’, que é a de usar o braço, e não as mãos, para cobrir tossidas e espirros”.

Seguir as recomendações médicas ao pé da letra também é essencial. “É comum que alguns pais suspendam os antibióticos dos filhos ao notarem melhoria na febre e na dor, mas é essencial que o tratamento seja cumprido até o fim”, alerta o otorrinolaringologista.

De acordo com o especialista, isso evita o quadro de infecção por repetição, que é quando o paciente sofre vários episódios ao longo do ano.

“Caso aconteçam cinco ou mais casos ao longo de um ano, é preciso ficar alerta”, recomenda. Segundo o especialista, tamanha reincidência já apresenta riscos, e uma cirurgia de remoção das amígdalas pode ser considerada.

Sintomas e tratamento

Dombeck afirma que os primeiros sintomas de febre reumática podem passar despercebidos, uma vez que se assemelham muito aos sintomas da gripe.

No entanto, é necessária atenção caso o paciente apresente sinais como:

Dores articulares;

Febre;

Cansaço;

Perda de peso;

Taquicardia;

Falta de ar.

Uma vez confirmado o diagnóstico de febre reumática, o tratamento se dá por meio de antibióticos, aplicados a cada 15 dias. Em casos mais graves, e quando há comprometimento cardíaco, o tratamento pode ser ser mais intenso.

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