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“Jet lag social” explica porque acordamos mal na segunda-feira

Tentativa de compensação de sono está ligada à sensação de mal estar e aumento no risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e psicológicas

Além de depressão e ansiedade, os efeitos do jet lag social também estão ligados ao aumento de peso, Foto: Bigstock

Se você sente dificuldade em pegar no sono no domingo a noite, acorda com a sensação de cansaço no dia seguinte, mal humorado e com dores de cabeça, seu problema pode não estar relacionado à simples “preguiça de segunda-feira”.

Você pode estar passando pelos sintomas do jet lag social, um termo cunhado para explicar porque iniciamos a semana como se estivéssemos em outro fuso horário.

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“É como se a gente viajasse para o exterior todo final de semana”, explica a otorrinolaringologista especializada em Medicina do Sono, Danielle Salvati Malaquias.

“Quando vamos a outro país é bem estabelecido que podemos passar mal, não vamos dormir direito, possivelmente vamos sentir náusea e tontura. Mas quando temos o jet lag social não estamos atentos que estamos impondo esse mesmo baque  ao nosso corpo toda semana”, resume.

A conta é simples e passa pela tentativa de compensação do sono. Durante os dias úteis as cargas pesadas de trabalho e estudo impõem um período de sono inferior a oito horas. No fim de semana, a saída é compensar trocando a rotina de seu ciclo biológico.

“Se uma pessoa, na correria, acaba espremendo seu sono no meio da semana entre meia noite e 6h, o meio de seu sono acontece todos os dias às 3h.”, exemplifica a otorrino. “Durante o final de semana vamos a eventos sociais, dormimos mais tarde, e o meio do sono é alterado. Neste exemplo é como se a mesma pessoa fosse dormir às 2 h no sábado e levantasse às 10h. Nesse dia o meio do seu sono aconteceria às 7h”, continua. “A gente calcula o jet lag fazendo a diferença do meio do sono nas duas ocasiões. É como se uma pessoa fosse para um fuso com quatro horas de diferença”, resume.

O jet lag social é um termo cunhado para explicar porque iniciamos a semana como se estivéssemos em outro fuso horário (Foto: Bigstock)

Essa descompensação horária pode trazer prejuízos já a partir de uma hora de diferença. “Essas alterações mudam nossa liberação de melatonina, o ciclo hormonal, uma verdadeira bagunça no nosso metabolismo e na interação das nossas células com o tempo e espaço”, declarou a especialista.

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Um estudo realizado em 2017 pelo Programa de Pesquisa de Sono e Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, comprovou esses prejuízos. A pesquisa revelou que cada hora a mais de jet lag social está associada com um aumento de 11% na probabilidade de sofrer de doenças cardíacas. Os cientistas calcularam o jet lag social comparando os horários de sono no meio e no final de semana de 984 adultos com idades entre 22 e 60 anos.

“As pessoas vão adoecer por não respeitarem seus ciclos. Por um lado temos o ritmo artificial do trabalho e o domínio de remédios, tomando calmantes para dormir e energéticos para acordar. Achamos que temos o controle sobre o tempo. Mas a conta vem, e o que eu vou colher por não respeitar meus horários para dormir, comer, ir ao banheiro? Certamente uma depressão e outros transtornos”, finaliza Danielle.

A psiquiatra, especialista na área, Gisele Minhoto diz que assim como os pilotos e trabalhadores de companhias áreas estão sujeitos aos efeitos do jet lag crônico, profissionais que prestam serviços em turnos alternados podem sofrer com as mesmas condições.

No entanto, Gisele acredita que o grupo que está mais propenso a sofrer com os efeitos do fenômeno são os jovens e adolescentes. “Não só porque fazem parte de um grupo que sai e tem uma vida social ativa, mas porque tradicionalmente os seus ciclos costumam ser de dormir mais tarde e acordar mais tarde. O problema é que os horários das escolas não funcionam assim”, relatou.  “Quando são forçados a cumprir essa carga escolar acabam tendo dificuldade para dormir e no final de semana existe a tentativa de compensação”, explica.

Além de depressão e ansiedade a psiquiatra explica que os efeitos do jet lag social também estão ligados ao aumento de peso. “O que dizemos é que essa tentativa de compensar, não compensa”, diz a profissional.

“O mais adequado seria adaptar nosso ritmo biológico ao horário de nossas atividades. Uma discussão que temos na Associação Brasileira do Sono é justamente essa conversa com as escolas, para adaptação do horário mais plausível com o ciclo biológico dos estudantes. É uma tentativa de minimizar os riscos à saúde da população”, encerra.

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