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Mãe dá à luz bebê três meses depois de morte cerebral

Depois da morte cerebral da mãe, família decidiu esperar bebê se desenvolver mais para poder dar uma chance à vida do filho

Nasce bebê que se desenvolveu depois de mãe receber diagnóstico de morte cerebralSalvador nasceu nesta quinta-feira (28), com 1,7 kg e 40 centímetros (Foto: Bigstock)

Em dezembro de 2018, a atleta portuguesa Catarina Sequeira, de 26 anos, sofreu um ataque de asma e foi diagnosticada pela equipe médica com morte cerebral. A família, porém, não pode deixá-la ir por uma razão específica: a jovem estava grávida de três meses.

Desde então, o corpo de Catarina ficou ligado a aparelhos, que permitiram que o bebê Salvador recebesse os nutrientes e oxigênio necessários para o seu desenvolvimento. Quando fosse possível, o parto seria realizado — fato que ocorreu nesta quinta-feira (28), conforme noticiou a imprensa local.

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Em entrevista a uma emissora de televisão de Portugal, a mãe de Catarina, Maria de Fátima Branco, compartilhou do sentimento da família tanto na época em que a filha morreu, quanto agora, com o nascimento do neto:

“A Catarina era uma jovem independente e responsável, e doeu-me muito ter que decidir o futuro dela e do filho. Foi mais a pensar no Bruno [pai do bebê] que nós tomamos esta decisão. Ele sempre quis ser pai”, disse Maria

Para conseguir manter o corpo da filha ligado aos aparelhos, Maria de Fátima e o restante da família reuniram-se com a Comissão de Ética do hospital de São João, na cidade de Porto, em Portugal, onde a jovem estava internada. Com o nascimento de Salvador, o corpo de Catarina será enterrado nesta sexta-feira (29).

A equipe médica ainda não sabe se a dificuldade respiratória da mãe afetou, ou não, o desenvolvimento do bebê. Salvador nasceu com 1,6 kg, 40 centímetros e em 31 semanas. Embora o parto estivesse marcado para ocorrer nesta sexta, complicações clínicas anteciparam o nascimento, que foi realizado por meio de uma cesárea urgente.

Ele está internado no serviço de Neonatologia do hospital e está sendo tratado como um bebê prematuro. Em entrevista à imprensa local, Filipe Almeida, médico responsável pela Comissão de Ética e do serviço de humanização do hospital, disse que o pai de Salvador esteve presente durante todos os 56 dias em que Catarina esteve internada e estava com o bebê desde o parto.

Nasce bebê que se desenvolveu depois de mãe receber diagnóstico de morte cerebral

Nasce bebê que se desenvolveu depois de a mãe, Catarina Sequeira, de 26 anos, receber diagnóstico de morte cerebral (Foto: reprodução)

Como é possível?

Enquanto está em desenvolvimento no útero, o bebê é 100% dependente da mãe. Afinal, o que o mantém vivo é a passagem de sangue do organismo da mãe pela placenta, levando oxigênio e nutrientes necessários. Quando há uma quebra nessa passagem, o desenvolvimento pode ser comprometido.

“Se a mãe tem uma morte cerebral, a oxigenação não vai parar até o momento em que ela tenha uma parada cardiorrespiratória, que diminui a oxigenação para o bebê. Ao manter a mãe com a passagem de sangue para o filho, ela mantém esse aporte sanguíneo. Isso favorece a maturidade e a vitalidade do bebê”, explica Antônio Paulo Mallman, médico ginecologista obstetra da maternidade Santa Brígida, em Curitiba.  

Ao manter as condições que possibilitem a vida, o bebê consegue se desenvolver normalmente e o papel dos médicos e da equipe de profissionais da saúde é buscar o equilíbrio entre o crescimento fetal e o tempo necessário ao parto.

“Enquanto não tiverem complicações maternas nesse período, e enquanto não existir perigo ao bebê, procura-se levar a gestação ao máximo de tempo possível”, explica Francisco Furtado Filho, médico ginecologista, especialista em reprodução humana, diretor proprietário da clínica Fertway, em Curitiba.

Prejuízo ao bebê

Se a crise de asma da mãe, ou o tempo em que o bebê foi gerado desde dezembro, trouxe algum prejuízo ao desenvolvimento do bebê, só o tempo irá dizer, conforme explica Francisco Furtado Filho, especialista em reprodução humana.

“Como ela chegou em crise e logo foi induzida ao coma, em nenhum momento deve ter passado por uma hipóxia [ausência de oxigênio] grave que pudesse trazer algum prejuízo ao bebê. Digo isso sem acompanhar o caso, mas não vi nenhuma informação nesse sentido”, explica o médico.

Para manter o corpo da mãe em condições para continuar a gravidez, os médicos devem ter usado de medicação que favorecesse esse quadro — esses medicamentos, conforme Furtado Filho, provavelmente foram escolhidos favorecendo à saúde da criança em desenvolvimento.

“O tempo vai mostrar a evolução do bebê. Mas, do ponto de vista fisiológico, o que levou a essa evolução foi uma dedicação muito grande da equipe de terapia intensiva, ao manter os órgãos vitais da mãe em ótimas condições”, diz o médico, que completa:

“Espero que essa história sirva da exemplo para uma eventual situação que possamos vivenciar por aqui. Que tenhamos a compreensão da família, mesmo em um momento tão difícil, da equipe médica, dos planos de saúde que uma vida já se foi e não podemos abandonar uma segunda, que está em andamento.”

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