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“Aposentar foi uma oportunidade que melhorou nosso relacionamento”

Depois que a aposentadoria chega e os filhos saem de casa, o maior desafio do casal é reencontrar aquela boa vida a dois

Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Mesmo os casais apaixonados, que estão juntos e felizes após muitos anos, sentem o baque no relacionamento quando chega o momento da aposentadoria, os filhos saem de casa e o tempo de convívio aumenta bastante. Isso acontece porque há uma quebra na rotina e o casal, que tinha funções bem definidas por anos, passa a precisar redescobrir seus papéis como marido e esposa.

Essa redescoberta é mais simples para uns e mais difícil para outros, mas algumas medidas podem ser aplicadas no dia a dia por qualquer um. A primeira delas é ver essa mudança como uma oportunidade para tomar decisões que antes estavam amortecidas, em função de outras prioridades, como a família e o trabalho, e criar momentos juntos.

“Planeje essa nova fase como se fosse uma viagem. Crie uma rotina de fazer as coisas juntos, não importa o que seja. O importante é criar mais horas de convivência, porque normalmente os casais passam boa parte da vida diária separados, nos seus trabalhos, e depois precisam reaprender a conviver juntos”, explica Ana Cristina Limongi-França, psicóloga, especialista em qualidade de vida e trabalho e professora da USP.

Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

O impacto deste momento é tão grande que pode até parecer que se está criando um “novo” relacionamento, diz Márcia Sena, especialista em qualidade de vida na terceira idade na empresa de serviços para pessoas acima dos 60 anos, Senior Concierge, e isso não é algo negativo. “Diferentemente dos relacionamentos na adolescência e em outras fases da vida, entre idosos a relação é mais madura, com mais compreensão de cada parte. Quando se é mais jovem, a pessoa deposita na outra a necessidade de ser e de fazer feliz e, em geral, na terceira idade isso está bem resolvido”, diz.

Mudança radical

Levando ao pé da letra a história de mudanças, o casal Walmir e Mercedes Kesseli decidiu se colocar à disposição de organizações não governamentais (ONGs) internacionais há cinco anos, quando ambos se aposentaram e viram os filhos saindo de casa. De lá para cá, a rotina do casal se transformou em viagens pelo mundo, inclusive pelo continente africano e três anos em Lisboa, em Portugal, com trabalhos voluntários mesclados a passeios e turismo.

Aposentar foi uma oportunidade que a gente teve de melhorar a qualidade do nosso relacionamento, porque aumentou o tempo que ficamos juntos. Hoje fazemos atividades físicas juntos, ambos gostamos de viajar e de caminhar pela praia e até escrevemos dois livros juntos. São nossos hobbies”, diz Walmir, economista aposentado, de 58 anos, casado com Mercedes Holmes Kesseli, também economista aposentada, de 59 anos.

Quandos e aposentaram e viram os filhos saírem de casa, Walmir e Mercedes Kesseli  até escreveram livros juntos. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Quando se aposentaram e viram os filhos saírem de casa, Walmir e Mercedes Kesseli até escreveram livros juntos. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Foram também os hobbies em comum que uniram o casal Niuza de Jesus Oliveira Sinei, de 65 anos, e Edgar Sinei, de 77 anos. Por muito tempo, o trabalho de metalúrgico manteve Edgar longe da rotina da casa, mas depois da aposentadoria ele encontrou novas formas de estar junto da esposa, que faz trabalho voluntário na Associação de Moradores do Bairro Alto.

“Agora ele me ajuda nesse trabalho, cuida de todo o serviço burocrático por mim e nós passamos um período maior juntos. Vamos também ao teatro juntos, tomamos café da manhã, almoçamos e jantamos juntos, o que antes era bem mais difícil. Ficamos realmente mais próximos depois da aposentadoria”, diz Niuza.

Niuza e Edgar Sinei: trabalho voluntário e quase todas as refeições juntos. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Niuza e Edgar Sinei: trabalho voluntário e quase todas as refeições juntos. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Reescreva a história a dois

O relacionamento pode ser novo ou ter anos de existência, mas passadas as mudanças que vêm com a terceira idade, a história do casamento pode ser reescrita. Confira algumas sugestões das especialistas para ter uma vida pós-aposentadoria mais tranquila!

Implicância de menos

Deixe para trás os erros, implicâncias e não tente remoer o que aconteceu há anos. O que aconteceu, passou, e agora é uma nova história. Essa sugestão cabe mais aos casais que nunca tiveram um relacionamento muito forte e acabaram ficando juntos pelos filhos ou por acomodação. Seja aberto às novidades e mudanças. Isso pode ser difícil para quem tem suas manias e crenças, mas vale a pena abrir mão disso para se reinventar.

Repense as críticas

Uma característica muito comum nesse momento de transição para qualquer uma das partes é o aumento nas críticas. “Você nunca fez isso direito”, “Não é assim que se faz”, entre outras péssimas frase. Mude o discurso de um lado negativo para algo positivo. Em vez de criticar, diga como gostaria que tal tarefa fosse feita.

Felicidade não depende do outro

Tenha em mente que esse “novo” relacionamento pode ser diferente, a começar pela maturidade do casal. Depois dos 60 anos, as pessoas buscam alguém mais pela companhia, para conversar e viajar. Cobrança exagerada, ciúmes, bem como a expectativa em relação ao outro, são bem menores.

Avalie a vida a dois

Reflita sobre tudo o que houve de bom na história dos dois. O que construíram juntos, as histórias que os mantiveram ligados todos esses anos, e se apegue aos pontos positivos. Procurem por ajuda profissional, caso sintam que o relacionamento está tenso, triste ou vazio. Pode ser desde um psicoterapeuta, coach de relacionamento e até grupos religiosos, que oferecem suporte aos casais.

Encontre hobbies em comum

A melhor coisa a fazer quando se perde a rotina do trabalho é trocá-lo por um hobbie. Além de buscar algo para você, procure incluir o cônjuge em uma atividade que agrade aos dois. Pode ser desde um curso na universidade, um trabalho voluntário ou mesmo viajar pelo mundo.

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