O frei Juarez de Bona tem fotos bem catalogadas, mas não deixa de gravar em HDs seu “tesouro”. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo
O frei Juarez de Bona tem fotos bem catalogadas, mas não deixa de gravar em HDs seu “tesouro”. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo| Foto: Gazeta do Povo

As primeiras experiências que o frei Juarez de Bona, 61, da Ordem dos Capuchinhos, teve com a máquina fotográfica foram frustrantes, mas não o suficiente para fazê-lo desistir da aventura. Uma delas, na década de 90, foi com a câmera analógica: após inúmeras tentativas sem sucesso, por fim conseguiu encaixar o filme corretamente e bater algumas fotos. Como uma imagem que ganha vida na sala de revelação, ele descobriu um novo hobby.

Passou a fotografar os eventos da família, os alunos do seminário, as viagens de férias e tudo o que achava importante registrar. Para não se perder entre os álbuns, estabeleceu um critério de seleção, onde escreve no verso de cada foto as respostas de quatro perguntas. Até hoje, a caligrafia caprichosa indica quem bateu a fotografia, quem é o fotografado, onde e quando a foto foi tirada. “Minha memória é cronológica, me situo nos eventos que aconteceram na minha vida e a fotografia é uma aliada nisso”, explica.

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Depois de catalogar, é hora de guardar no álbum certo. Frei Juarez tem uma gaveta com mais de 20, todos etiquetados por assunto. “Gosto de arrumar tudo certinho: tenho álbuns de vida religiosa, família, amigos, férias e outros mais. Me considero um compilador de fotos e tenho fama de ser organizado”, conta ele. Pergunte-o se tem um álbum favorito e a resposta será categórica. “É como se você perguntasse a uma mãe de qual filho ela gosta mais”, brinca.

Mais fácil

Quem ainda leva fotos para revelar tenta fugir de cabos, botões e pendrives, dizem os atendentes de fotópticas. Mas é importante digitalizar e aprender a armazenar digitalmente suas fotos, para ter sempre arquivado.

Quem ainda revela fotos?

O estúdio Colorlab revela, em média, mais de mil fotos de clientes idosos por mês. O tema das fotografias é quase sempre o mesmo: viagens, netos e, de vez em quando, flores. “Muitas senhoras costumam fotografar os detalhes do jardim, depois vêm aqui e montam álbuns de suas plantas”, conta Larissa Martins, funcionária da loja que funciona há 20 anos.

Segundo ela, não importa o assunto das fotografias, os clientes que já passaram dos 60 anos compartilham de um mesmo sentimento, a nostalgia. “Eles vivem dizendo que a época das câmeras analógicas era mais fácil, quando só precisavam trazer os filmes para revelar”, afirma. Por causa da dificuldade em decifrar botões, cabos e pendrives, quase todos os clientes seniores chegam à reveladora munidos de suas câmeras digitais para que os funcionários realizem a tarefa de transferir as imagens para o computador.

O caso se repete em outras reveladoras, como na Ibiza Fotos. Angélica Tavola, funcionária da loja, afirma que metade da clientela é composta por idosos. “Eles trazem a câmera digital porque acham complicado se adaptar à tecnologia”.

Frei Juarez, por outro lado, é como uma fotografia à parte deste álbum. Aprendeu a transferir os arquivos da câmera através de um chip conectado a um pendrive. Assim, além de revelar as fotos preferidas, mantém tudo salvo no computador. “Foi uma beleza, aprendi em dois tempos. Estamos na era digital, né? Eu sei que as coisas vão mudando a cada dia, por isso a gente deve estar sempre aberto ao novo sem nunca desprezar o velho. Existem muitas coisas antigas que continuam sendo válidas hoje, mas a inovação também é importante”, explica ele.

Cúmplice da era digital

Em 2006, quando comprou sua primeira câmera digital, frei Juarez entendeu que os tempos estavam mudando. Mas em vez de fechar os olhos para a tecnologia, fez dela seu cúmplice.

No computador da casa paroquial, sua caixa de tesouros, bastam poucos cliques para localizar a pasta principal, intitulada com seu nome.

Dentro dela, centenas de outras, todas recheadas de fotografias dividas por assunto: relíquias dos antepassados, do início do século 20, às mais recentes, como as da academia e viagens de férias.

Para não perder nada, ele prefere ser prevenido. “Todo sábado eu recopio todas as fotos em dois HDs externos para não correr o risco de perder nada”, confessa.

Para a eternidade

Veja dicas para montar álbuns, que segundo Débora Lopes, geriatra da Secretaria Municipal de Saúde, é um excelente estímulo para idosos:

Estímulo à memória

É possível estimular a memória com atividades prazerosas, como montar álbuns de fotos. A fotografia é uma grande aliada nesta tarefa.

Prazer revelado

Os álbuns são uma forma de reviver momentos felizes e, para o idoso, isso é algo especial.

Não economize

Organize cada álbum por época, grupos de pessoas (família, netos, amigos), viagens e capriche nos cliques!

Bons sentimentos

Decore a casa com objetos que despertem nostalgia e bons sentimentos em você. Podem ser livros, quadros e porta-retratos.

Pode parecer clichê, mas manter diários com fotos e momentos marcantes é uma ótima forma de manter a memória sempre ativa.

 

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