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Menos fumantes, mais cânceres de pulmão! Entenda este enigma

Apesar da queda de 40% no número de fumantes entre 2006 e 2018, casos da doença seguem em ascensão no Brasil

Número de casos de câncer são altos pois ainda não refletem diminuição recente de numero de fumantes no país. Foto: Bigstock.Número de casos de câncer são altos pois ainda não refletem diminuição recente de numero de fumantes no país. Foto: Bigstock.

O número de brasileiros que se declaram fumantes está em queda, conforme mostrou, em julho, a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2018.

De 2006 até o último relatório, houve uma queda de 40% no consumo de tabaco no país.

Apesar dessa redução, o câncer de pulmão, que tem relação íntima com o tabagismo, segue em ascensão, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para cada ano do biênio 2018-2019, o Instituto estima mais de 31 mil casos novos de câncer de pulmão entre homens e mulheres. Por quê?

Inicialmente, é necessário compreender o cenário brasileiro. Mesmo com a diminuição no consumo de tabaco, o número de fumantes ainda é bastante alto.

Porto Alegre, por exemplo, alcançou o ingrato título de capital mais fumante do país. Conforme a Vigitel, os fumantes, de ambos os sexos, chegam a 14,4% na capital gaúcha, contra 4,8% em Salvador e São Luís, ambas com o menor índice do país.

Outro aspecto que pesa para os elevados números de câncer de pulmão é que essa redução do tabagismo é recente, como explica o oncologista clínico do Grupo OncoClínicas Juliano Cé Coelho:

“Temos dados de que o tabagismo está diminuindo. Vemos isso a partir da década de 1980. Na minha percepção, ainda não houve impacto (nos casos de câncer de pulmão) porque não deu tempo. O que tem acontecido é reflexo de quem fumava até os anos 1980, 1990 e 2000. Não é imediato.”

Embora não seja possível precisar quanto tempo é necessário entre a queda no número de fumantes e a influência real sobre os tumores, a oncologista do serviço de Oncologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre Manuela Zereu lembra que os benefícios de deixar o hábito são, sim, imediatos:

“A mensagem é: parar de fumar é benéfico a partir do momento em que tu paras. Os benefícios vão se agregando, inclusive com redução do risco de câncer de pulmão ao longo dos anos.”

Existem outros fatores de risco

O tabagismo ainda é a causa de 85% a 90% dos casos de câncer de pulmão. Assim, os demais fatores se tornam menos significativos, comenta a médica oncologista Juliana Janoski de Menezes, preceptora da residência médica do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Mas eles existem.

Exposição a fumaça e o fumo passivo também são apontados como fatores de risco para o câncer de pulmão. Pessoas que trabalham ou convivem em ambientes com muita fumaça ou aquelas que vivem com fumantes têm risco maior em relação às demais.

De acordo com Juliano Cé Coelho, que também é pesquisador da Unidade de Pesquisa em Oncologia Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), o fumo passivo também impacta na saúde, embora menos do que o ativo:

“São casos em que o companheiro (a) fuma dentro de casa e a pessoa acaba convivendo com isso ao longo dos anos, aumentando o risco em relação àquelas que ocasionalmente são expostas ao cigarro na rua. Mesmo assim, é difícil mensurar o quanto o passivo nos coloca em risco.”

A oncologista Juliana complementa:

“Existem casos, mas não tem como mensurar. Isso depende da quantidade de cigarro a qual o indivíduo é exposto ao longo da sua vida, quando começou a ser exposto.”

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