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Bombados e inférteis! A culpa pode ser do excesso de testosterona

Homens que fazem uso abusivo do hormônio, na busca por um corpo mais musculoso, colocam a capacidade reprodutiva em jogo

Uso abusivo da testosterona pode levar a problemas cardíacos, aumento no risco de morte súbita e infertilidade permanenteUso abusivo da testosterona pode levar a problemas cardíacos, aumento no risco de morte súbita e infertilidade permanente (Foto: Bigstock).

Músculos maiores e mais definidos, mais massa magra, resistência e menos fadiga. O uso da testosterona entre atletas e fisiculturistas parece só trazer benefícios ao corpo, mas os urologistas garantem que não é o caso.

E por que os urologistas estariam preocupados com isso? Porque são eles que normalmente estão do outro lado da mesa quando o paciente traz uma reclamação bem comum de quem faz uso abusivo da testosterona: não ter sucesso nas tentativas de engravidar.

A infertilidade, a partir da atrofia dos testículos, é uma das consequências do uso abusivo e sem indicação da testosterona

“A gente sabe quando vê o homem ‘bombado’ que há uma probabilidade de infertilidade. Normalmente, essas pessoas chegam ao consultório porque não conseguem engravidar, procuram pela ajuda do urologista, e é quando percebemos o uso abusivo da testosterona. Esse cenário é o mais comum”, explica Luiz Otávio Torres, médico urologista de Belo Horizonte (MG), presidente da International Society of Sexual Medicine (ISSM) e professor do centro universitário UniBH.

O especialista, que apresentou a palestra “Uso, mau uso e abuso da testosterona: o que sabemos” durante o Congresso Brasileiro de Urologia 2019 em Curitiba, explica que o hormônio tem, sim, benefícios. Mas apenas a alguns casos bastante específicos.

Testosterona: quando pode ser tomada?

Homens com hipogonadismo, ou quando as gônadas (no caso dos homens, os testículos) não produzem quantidades suficientes do hormônio, podem receber a dosagem extra de testosterona quando tiverem sintomas clínicos e laboratoriais.

O hormônio deve ser administrado até que o nível volte à normalidade, mas não além desse limite. Dos sinais clínicos, Torres exemplifica:

  • Redução no desejo sexual;

  • Disfunção erétil;

  • Irritabilidade;

  • Cansaço.

“Esses são sintomas presentes no dia a dia de todos, por isso que é importante a dosagem clínica do hormônio também. Se o resultado indicar uma redução na produção, só então é indicada a aplicação da testosterona. Do contrário, não”, diz o especialista.

Homens a partir dos 50 anos de idade podem apresentar redução na produção da testosterona de 10% a 12% por década de vida. “O homem nunca para totalmente de produzir a testosterona, mas pode ter uma diminuição. Por isso que não é chamado de andropausa, como a menopausa é para as mulheres, porque não há uma redução total no hormônio, como no caso das mulheres”, explica Torres.

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Mau uso?

O mau uso da testosterona pode ser tanto culpa do próprio paciente, que faz uso do hormônio por indicação de amigos, quanto de profissionais de saúde sem orientação adequada.

“Médicos desavisados, que querem colocar vitaminas e outras coisas para o paciente, e acabam incluindo a testosterona. Ou uma pessoa que toma porque ouviu de outra pessoa que faria bem. Mas desse cenário surge o abuso, que nos preocupa bastante”, explica o especialista.

Quem busca pela testosterona está a procura de mais músculos, em menos tempo. Aumentar a massa magra, a resistência e favorecer a recuperação da fadiga após o treino também são consequências consideradas positivas.

Para tanto, a aplicação – além de não indicada – é realizada de forma errada. “Teoricamente é necessário receita para conseguir, mas eles conseguem tudo pela internet. E eles usam doses cavalares, a cada dois dias, quando uma indicação normal seria semanal. Alguns fazem uso da testosterona animal, que é mais barata”, explica Luiz Otávio Torres, médico urologista.

Das consequências mais graves, é esperado:

  • Aumento no risco cardiovascular;

  • Aumento no risco de morte súbita;

  • Depressão;

  • Atrofia do testículo, que leva a infertilidade;

  • Permanentemente estéril;

  • Câncer;

  • Demência cerebral;

Uso da testosterona em mulheres

Mulheres também têm níveis, ainda que bem menores que os homens, de testosterona. O que ainda não é consenso entre os médicos, porém, é a quantidade que as mulheres poderiam receber.

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“Também existe o uso abusivo da testosterona nas mulheres. O hormônio favorece o desenvolvimento de músculos, mas também engrossa a voz, aumenta a quantidade de pelos, aumenta a laringe, formando aquele gogó característico dos homens, aumento no clitóris. São as consequências do abuso, mas o uso ainda é controverso”, explica Torres.

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