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Saúde e Bem-Estar

Mito ou verdade: peixes que você não deve comer de jeito nenhum

A mensagem que tem circulado pelas redes sociais alerta para nove tipos de peixe que, pela quantidade de substâncias nocivas ao organismo, não deveriam ser consumidos

(Foto: Bigstock)

Circula pelas redes sociais um vídeo que alerta para nove tipos de peixe que não deveriam ser consumidos pela população. Seja pela presença de substâncias consideradas nocivas à saúde, como o mercúrio, ou pela origem em água contaminada, os argumentos para evitar a carne branca podem parecer até convincentes, mas estão errados.

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No início de março, o site Boatos.org, responsável por desfazer mitos que correm pela Internet, chamou atenção das pessoas para os erros contidos no vídeo. O argumento de que o bagre teria quantidades alarmantes de hormônios prova o primeiro equívoco. “Pois bem, além desse artigo, não encontramos nenhum outro que aponte os perigos do hormônio no peixe”, reforça o site.

Confira abaixo os argumentos e as explicações verdadeiras, conforme orientação da Marly Ranthum, farmacêutica bioquímica aposentada da Vigilância Sanitária do Paraná.

Bagre e hormônios:

O bagre é um peixe criado em tanque e, de fato, recebe rações que contêm hormônio. “Mas não podemos afirmar nada sem fazer nenhuma análise. É preciso ficar atento à procedência, se o peixe é criado em uma área com despejo de indústria. Tudo isso tem que ser avaliado”, explica a especialista.

Enguia, cavalinha, peixe-batata, badejo e atum x contaminação por mercúrio:

Não existe essa relação, segundo Ranthum. “Sempre que tem alguma relação nesse sentido, as pessoas devem ficar atentas se há algum resultado de análise do peixe divulgado. Caso contrário, é preciso desconfiar”, diz.

Tilápia e a quantidade de gordura:

A tilápia não é um peixe considerado gordo, muito pelo contrário, conforme ressalta o site Boatos.org. É um dos alimentos, inclusive, indicados no combate ao estresse.

Peixe panga e pâmpano manteiga vem de água contaminada:

Da mesma forma que a relação com hormônios ou com mercúrio, a contaminação do peixe depende do local onde é criado ou pescado e exige, sempre, análises que comprovem as afirmações – o que não é o caso do vídeo.

Cuidado com o peixe cru!

É importante lembrar, no entanto, que peixes consumidos crus precisam de um cuidado extra. Quanto mais peixe cru comemos, maior o risco de desenvolver infecções causadas por um pescado infectado. Como, por exemplo, o salmão, que pode desencadear a chamada “tênia do peixe” ou a difilobotríase.

Para evitar a contaminação, o procedimento mais adequado e que funciona sempre é congelar o peixe – caso o objetivo seja o consumo cru do mesmo. Caso o peixe seja assado ou frito, não há risco de contaminação.

Repense o consumo cru dos seguintes peixes e crustáceos, pois eles podem desencadear as doenças a seguir: Tainha (Fagicolose), Salmão (Difilobotríase), Linguado Chinês (Clonorquíase), Arenque (Anasaquíase), Bacalhau (Pseudoterranovíase), Cacharas, tipo de Pintado (Contracequíase), Lagosta, rã, caranguejo e peixes de água doce (gnatostomíase), Peixes de água doce (Capilaríase), Catfish, Mirabaia, Perca (Eustrongilidíase) e Chub (Dioctofimose).

Problemas 
Até o momento, foram registradas 12 doenças em todo o mundo relacionadas às infecções de peixes crus. No Brasil, há o registro de pelo menos quatro doenças com pessoas contaminadas, e uma quinta doença de pessoas que se contaminaram fora do país.

Consumo baixo
Por ano por, o brasileiro consome cerca de 10 quilos de peixe, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura — a média mundial é de 18 quilos. No Japão, 86 quilos e, na Irlanda, 80 quilos. Portugal com 55 quilos, Espanha com 35 quilos e a França com 24 quilos.

Veja o vídeo com as dicas erradas e não caia em fake news

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