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O que acontece com o corpo (e com a mente) em 15 dias de restrição alimentar

Editora do Viver Bem testa uma das dietas de restrição alimentar e passa 15 dias tomando sopa, shakes, chás e muita água

Depois de 15 dias testando uma dieta de restrição, a jornalista Katia Michelle conta os resultados. Foto: Alexandre Mazzo

Consumimos matérias de saúde o tempo inteiro. Nos interessamos pelo tema, que está relacionado não só a doenças, mas também a melhorar nossa qualidade de vida. Sabemos que fumar faz mal, que devemos beber moderadamente e que aquela fritura no fim do dia, depois de ficar horas sem comer, pode não ser uma boa ideia. Informação não nos falta.

Mas por que continuamos agindo como ogros detonando nossa saúde, nos alimentando mal, adotando hábitos sedentários, usando muito mais o carro ou transporte público do que as pernas, nos enfurnando nas telas e sabotando o que poderia nos equilibrar? Ok, pode não ser um senso totalmente comum e você pode estar fazendo a sua parte na cozinha e na academia, mas não é isso que mostra a realidade.

A Organização Mundial de Saúde (OMS)  aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos. Sim, é uma estatística que assusta e mesmo que você ou eu não façamos parte dela, está muito próximo disso acontecer. Somos uma população que luta contra a balança.

E é nesse cenário que surgem dietas “milagrosas”, medicamentos e produtos que prometem ajudar a vencer essa batalha, reduzindo o peso que deveríamos perder com mudanças de hábito. Nem todas são vilãs, claro. Eu resolvi testar uma delas.

A escolhida foi um programa de emagrecimento desenvolvido dentro do sistema americano conhecido como Slim in Short-Term, que significa emagrecer em curto prazo. O programa em questão é novo e foi lançado nacionalmente em junho de 2019. Chamado de Metabolic Blend, promete eliminar até 15 quilos em 30 dias. Eu segui durante 15 dias e fui altamente disciplinada. Mesmo assim, perdi menos de 4 quilos.

Durante o período, ingeri apenas os produtos oferecidos pela empresa. Chá pela manhã, shake sabor chocolate no almoço, o mesmo chá termogênico a tarde e uma sopa sabor cogumelos a noite. No caso dessa dieta em questão, o jejum intermitente é a grande premissa. Se a fome apertar, apenas alguns alimentos são permitidos, como banana e ovo. Recorri a esse recurso poucas vezes durante a dieta.

>> O que é jejum intermitente? 

Sobrevivi bem e, como queria contar o resultado, fui bem disciplinada muito mais para saber os efeitos da dieta no corpo do que em busca do resultado real. Além de consumir os produtos, fui fiel à academia durante os 15 dias de duração do programa. Se alguém notou a diferença? Pouca gente, mesmo os que convivem diariamente comigo.

A restrição alimentar pode afetar o humor? Para Katia Michelle, que testou durante 15 dias, não, mas cada caso é um caso e cada organismo reage de um jeito. Foto: Alexandre Mazzo

Disseram que a falta de uma alimentação regrada não afetou o meu humor. Acho que foi gentileza. Afetou, sim. Mas isso acontecia quando eu já tinha deixado o trabalho e estava em casa. Normalmente no horário em que uso a cozinha como um processo de descompressão do dia, cortando, picando e cozinhando coisas enquanto converso com minha filha e depois sentamos à mesa para falar sobre a descoberta culinária do dia.

A falta desse hábito me incomodou mais do que ficar sem comida. Fora isso, senti os benefícios de uma desintoxicação. Sem açúcar e carboidratos, o corpo fica mais leve. O inchaço diminui consideravelmente, a pele fica menos oleosa e você aprende a controlar a vontade compulsiva de comer e não só a fome.

O programa

A nutricionista Loriany de Paula, consultora do programa explica que a Metabolic Blend não é dieta liquida, como eu pensava. Afinal, passei duas semanas apenas ingerindo líquidos.  “Desenvolvemos substitutos de refeições (shake para o almoço e sopa para o jantar), incluímos o jejum porque é provado e acreditamos na promoção da destoxificação para a manutenção de uma vida saudável”, explica.

Mas a dieta inclui material prescrito pela nutricionista, que indica alimentos que podem ser consumidos durante o período. “Quem segue a dieta à risca relata sentir bem-estar e mais disposição para realizar as atividades do dia a dia. Além de sentir-se mais feliz com as mudanças físicas e emocionais”, relata.

A idealizadora do programa Hevana Kosiak obteve mais sorte do que eu no resultado. Foi assim, aliás, que ela decidiu montar a empresa.

“Em junho do ano passado, eu estava bem acima do peso e chateada que não conseguia emagrecer. Estávamos em um evento em São Paulo e fui fotografada e marcada na rede social de uma empresa, quando me vi na foto, quase caí dura. Eu não me reconheci e decidi que faria algo radical para mudar esse perfil. Então, no final de agosto de 2018 coloquei um balão intragástrico e fiquei seis meses com aquele negócio no meu estômago. Tinha azia diariamente e nos últimos dois meses de balão eu passei a dormir sentada de tanto refluxo que eu tinha. Sabe quanto eu perdi nesses seis meses? Seis mil reais e nenhum grama a mais. Foi frustrante. Quando eu estava no processo de retirada do balão precisei fazer uma dieta liquido/pastosa por 7 dias e foi aí que demos o pontapé inicial no programa”, conta.

Ela colocou balão intragástrico, mas foi com os produtos que chegou a perder mais de 10 quilos. “Eu retirei o balão no final de fevereiro e iniciei a dieta Metabolic Blend na metade de março. Em meados do mês de abril, estava feliz (11 quilos mais magra) e decidida a lançar o programa MB na feira NaturalTech, que aconteceria na primeira semana de junho. Nossa equipe trabalhou muito para que isso fosse possível. Hoje, estamos recebendo depoimentos e fotos de quem teve resultados excelentes com o programa e fez as pazes com o espelho, assim como eu”, relata.

Riscos

jantar ou lanchar

Substituir alimentos por shakes e outros produtos industrializados nem sempre pode ser uma boa ideia, por isso o ideal é fazer programas com acompanhamento médico. Foto: Bigstock

Mas substituir as refeições por líquidos ou produtos industrializados nem sempre pode ser uma boa ideia. A médica nutróloga Marcella Garcez Duarte, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, comenta que existem várias empresas com programas desse tipo, de dietas que substituem as refeições.“Apesar dos relatos de casos que obtiveram sucesso, pessoalmente tenho dificuldades em acreditar na manutenção do peso em programas como esses”, diz.

Ela explica o motivo: “não são programas de reeducação alimentar e sim substituição. Para manter peso devemos manter a dieta, para sempre, bem como os hábitos adquiridos durante a dieta. Se for muito restritiva ou de substituição, é impossível mantê-la”, diz.

No entanto, ela pondera que, para pequenos períodos ou situações pontuais até pode ser lançada mão de uma estratégia dessas. “Mas sempre com orientação profissional, pois essas dietas são geralmente muito restritivas”, enfatiza.

Se aderir a um desses programas traz riscos à saúde? Ela diz que sim é preciso ficar atento a sinais de hipoglicemia, hipotensão, fraqueza, cansaço. “Essas dietas não devem ser feitas sem acompanhamento médico ou de um nutricionista”, diz.

Durante os 15 dias que eu fiz o programa, foi criado um grupo no whatsapp com outras pessoas que estavam fazendo a dieta. Eram cerca de 20 pessoas. Algumas não se manifestaram, outras relataram que sofreram tonturas, que o chá causou náuseas e que passaram muita fome.

A idealizadora do programa, uma nutricionista e uma preparadora física orientavam, falando os alimentos liberados, quando era possível bater uma fruta com o shake ou adicionar legumes à dieta. Poucos chegaram a completar os 15 dias. Houve relatos de quem perdeu até 8 quilos. Eu fiquei com os meus pouco mais que 3 a menos na balança, e por uma semana perdurou a reeducação alimentar.

Ou seja, percebi que, sim, em alguns casos descontamos a emoção na comida e comemos muito mais do que precisamos. Por isso, as dietas exigem muito mais da mente do que do corpo. Sabemos que aquela maçã no lanche será muito mais benéfica para a saúde do que o docinho árabe que a amiga acaba de trazer de uma feira e te oferece com os olhos brilhando, mas o que vale, também para o corpo e para mente, é o equilíbrio, não é mesmo?

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