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Suplementos de Ômega 3, Vitamina D e B12: será que você precisa mesmo deles?

Apesar da massiva propaganda desses suplementos, apenas em poucos casos ela deve ser feita, com risco de exposição excessiva a eles

Saiba para que servem os suplementos e se você não está com o organismo sobrecarregado deles. Foto: Bigstock

Nas farmácias e lojas online, a oferta de suplementos é farta. A grande variedade disponível de marcas e substâncias deixa a dúvida: em quais situações é necessário fazer uso de suplementos vitamínicos?

Especialmente entre as “ofertas” mais comuns – Ômega 3, Vitamina D e Vitamina B12 –, é bom saber: são enormes as chances de você não ser um candidato à suplementação. Saiba para que servem as principais vitaminas e se realmente você precisa delas:

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Quer Ômega 3? Então coma peixe!

“O Ômega 3 é reconhecidamente uma gordura benéfica ao organismo”, explica o médico nutrólogo Gustavo Gomes de Castro Soares. Contudo, não existe uma maneira de dosar a gordura no indivíduo e não se conhecem, exatamente, os efeitos de sua falta sobre a saúde.

“São propagadas algumas ações sobre a reação inflamatória e sobre as funções do sistema cardiovascular. Mas, como a medicina não consegue nem medir efetivamente, nem comprovar os efeitos de uma eventual carência na prática clínica, a recomendação geral das sociedades médicas mundiais é o consumo de peixe que tenha Ômega 3, como forma de colaborar para a saúde de coração e vasos”, diz ele.

Assim, a forma ideal de obtenção da gordura (que o corpo não consegue produzir naturalmente) será sempre, e em primeiro lugar, pela alimentação e não pelo uso de suplementos.

“Se o paciente precisar suplementar, será em situações muito específicas. Para se ter uma ideia, como suplemento, o Ômega 3 não faz parte do receituário regular dos cardiologistas para pacientes com problemas no coração. O que todos devem pensar é no consumo de peixe pelo menos três vezes na semana”, orienta Gustavo.

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No Brasil, uma das barreiras é encontrar peixes ricos na substância, uma vez que as espécies comercializadas por aqui são normalmente criadas em cativeiro e se alimentam de ração — para que um peixe apresente altos índices de Ômega 3 no seu organismo, é necessário que ele consuma animais menores ricos nessa molécula.

Sardinha, salmão, atum e outros peixes de águas frias fornecem boa quantidade de Ômega 3, encontrado também em algumas fontes vegetais, sementes e oleaginosas. A suplementação, enfim, como o próprio nome diz, seria apenas para suplementar (complementar) a alimentação, em casos de inadequação nutricional.

Idosos precisam mais de Vitamina D

A reposição de vitaminas por conta própria de vitaminas, como tem ocorrido com frequência, nunca é indicada pelos médicos . Foto: Bigstock.

É um hormônio importante para diversos processos metabólicos, especialmente para facilitar a absorção de cálcio pelo organismo, essencial para a saúde dos ossos. Porém, quem pode se beneficiar dessa suplementação são pacientes com mais de 60 anos e que normalmente apresentam outras carências de vitaminas e minerais.

“Existem algumas ações comprovadas de que a vitamina seria importante no aumento da massa muscular, sendo esse um fator marcante”, diz o médico nutrólogo Gustavo Gomes de Castro Soares. Idosos, além de não se alimentarem adequadamente por diversos fatores – como estímulo, acesso e até mesmo o uso de dentadura – costumam manifestar uma policarência de vitaminas.

A exposição ao sol também é insuficiente nesse grupo. “Nesses casos, a reposição é realmente bem indicada. A melhor conduta clínica é conversar com o paciente e conhecer suas queixas. Dificilmente pessoas mais jovens têm queixas direcionadas à deficiência de Vitamina D propriamente dita. Para eles, a melhor recomendação é pegar um pouco mais de sol aos finais de semana e, sempre que possível, de preferência diariamente, fazer banho de sol com camisa de manga curta por alguns minutos. Isso é claramente eficaz para garantir os benefícios e dispensa o uso de qualquer suplementação”, orienta o nutrólogo.

Pessoas jovens e que se expõem ao sol não têm indicação da dosagem da Vitamina D, diz Daniela Fiorin Cubas, médica endocrinologista titulada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

“Houve um modismo recente em relação à realização do exame de Vitamina D, mas há poucos estudos capazes de estabelecer uma relação entre a deficiência da vitamina e muitas doenças anunciadas por aí. O que está muito bem estabelecido diz respeito à mineralização óssea, dores musculares e quedas, portanto, os idosos sempre se beneficiam da reposição. Os valores normais são acima de 20 ng/dl para a população saudável até os 60 anos e entre 30 ng/dl e 60 ng/dl para os que estão no grupo de risco”, diz a médica endocrinologista Daniela Fiorin Cubas.

Quem deve dosar

Segundo posicionamento da SBEM e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica devem dosar a Vitamina D:

* Pertencentes aos grupos de risco, que inclui idosos, indivíduos que não se expõem ao sol — como aqueles que vivem institucionalizados;
* Com fraturas e quedas recorrentes, gestantes, lactantes, obesos, diabéticos, sarcopênicos, com osteoporose, osteopenia, raquitismo, osteomalácia, hiperparatireoidismo, doentes renais
crônicos e também com neoplasias malignas, doenças intestinais, como a Doença de Chron;
* Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica e que fazem uso de medicamentos que interferem na absorção da Vitamina D, como os corticosteroides, remédios para o tratamento do HIV e anticonvulsivantes;
* Alguns atletas que praticam exercícios de longa distância.

Casos específicos exigem suplementar com B12

Um dos pontos mais polêmicos quando se fala em suplementação seja, talvez, o caso da Vitamina B12. Não raramente as pessoas buscam a suplementação na presença de um exame indicativo da deficiência, embora ele, sozinho, não seja o suficiente para diagnosticar essa condição.

“O exame clínico e a história são muito mais importantes”, diz o nutrólogo Gustavo Gomes de Castro Soares. Segundo o profissional, quando se pensa nessa deficiência, alguns pontos precisam ser analisados.

“Pacientes com alterações no intestino delgado e do estômago – como redução na cirurgia bariátrica ou retirada do órgão (gastrectomia) –, que é onde acontece o estímulo da absorção da vitamina, podem ter o fator intrínseco necessário à absorção muito reduzido. Essa é uma possibilidade importante e, por isso, esses pacientes precisam ser observados. Outros que merecem atenção especial são os idosos, em função da atrofia da mucosa gástrica, que torna a absorção da Vitamina B12 ineficiente, portadores de algumas doenças autoimunes e pacientes em outras condições muito mais raras. Todos esses são fortes candidatos à reposição, assim como pacientes que usam uma série de medicamentos, como protetores gástricos e remédios para diabete, que também podem interferir no processo de assimilação da vitamina”, explica o médico.

Segundo a médica endocrinologista Daniela Fiorin Cubas, alguns indicativos clínicos e laboratoriais ajudam a levantar a suspeita da deficiência de Vitamina B12.

“Os sintomas geralmente incluem neuropatia (formigamentos), incontinência urinária associada à disfunção erétil, demência, depressão, psicose, glossite (inflamação na língua) e outras alterações que chamam a atenção para o problema. No hemograma, o VCM (volume corpuscular médio) das hemácias está aumentado e pode haver trombocitopenia (contagem baixa de plaquetas)”, diz Daniela Cubas.

Segundo a endocrinologista, abaixo de 300 pg/ml no exame, a reposição é indicada. Se o resultado fica entre 250 pg/ml e 350 pg/ml, isso deixa dúvidas sobre a deficiência e podem ser feitos exames adicionais. “Níveis hormonais normais de Vitamina B12 não exigem reposição”, conclui.

Excesso de algumas vitaminas, como a D, são mais nocivas do que a sua falta. (Foto: Bigstock)

A única fonte comprovada de Vitamina B12 são produtos de origem animal (carne, ovos e leite). O vegetariano restrito, que não consome absolutamente nada de procedência animal, precisa de acompanhamento. “O mais importante ainda é a consulta clínica. Há informações que o paciente pode dar que às vezes são muito mais importantes do que a dosagem expressa no exame”, comenta Gustavo.

Além dos vegetarianos e veganos, alcoólatras e idosos precisam incluir o exame de Vitamina B12 na rotina.  Pacientes com gastrite atrófica, gastrite crônica, infeção por H. pylori, bariatrizados, com história de pancreatite crônica, Doença de Crohn, doença celíaca, gestantes e quem faz uso de contraceptivos orais, reposição hormonal e drogas como a metformina (diabéticos), protetores gástricos, ranitidina e cimetidina, também devem ser dosados.

Problemas técnicos com a dosagem, que podem dar informação errada tanto para menos quanto para mais, também são comuns. Isso significa que exames de sangue com resultado de baixa dosagem ou próximo ao valor inferior podem não significar que o paciente esteja deficiente.

“Isso sem falar quando o exame acusa um valor adequado, mas a dosagem intracelular é mais baixa. Não podemos nos apoiar exclusivamente no exame de sangue, daí a importância do diálogo com o paciente”, diz o médico. Segundo ele, é preciso entender que não é necessário suplementar a Vitamina B12 na ausência de sintomas e fora dos grupos de risco.

Os sintomas extremos da deficiência – e que não surgem em fase inicial – são, entre outros, cansaço, fadiga, astenia, raciocínio lento e falta de memória, típicos de uma anemia chamada megaloblástica, que ocorre pela produção insuficiente e ineficiente de glóbulos vermelhos e hemoglobina. Porém, são sinais que se confundem com outros problemas de saúde. Por isso, a necessidade de uma análise criteriosa de acordo com a idade e condição clínica de cada um.

Excessos perigosos

A reposição por conta própria de vitaminas, como tem ocorrido com frequência, nunca é indicada pelos médicos. A vitamina em excesso é oxidante para o organismo, segundo a endocrinologista Daniela Cubas, e prejudica a saúde.

“No caso da Vitamina B12, não existe um consenso sobre a quantidade ideal diária e o quanto ela pode ser benéfica, principalmente para indivíduos saudáveis. O protocolo de reposição é muito específico e abrange, sobretudo, pacientes com problemas de absorção”, fala.

Antes da suplementação, há também um excesso na realização de exames laboratoriais. “As pessoas querem dosar e saber de tudo, mas não pensam nas consequências disso, como tratamentos excessivos e desnecessários, intervenções dispensáveis e oneração do sistema. É comum ouvir pacientes que, por arcarem com os custos do plano de saúde, desejam realizar um ‘check up do corpo inteiro’, solicitando até mesmo exames de ressonância e PET Scan”, diz ela, que aponta que não é assim que deve funcionar.

No encontro com o médico, segundo ela, o mais importante é sempre ouvir as queixas e realizar a anamnese e o exame físico, que vão determinar o estado clínico do paciente. “Somente a partir disso o médico elabora um raciocínio para determinar possíveis exames que devem ser feitos, com respaldo inclusive da literatura médica”, diz ela.

A hipervitaminose D, caracterizada pelo excesso de Vitamina D geralmente por ingestão de suplementos vitamínicos, é mais prejudicial à saúde do que a sua deficiência.
Um estudo conduzido pela Universidade de Copenhague, na Dinamarca (que até 2015 se constituiu a maior base para uma pesquisa nessa área), apontou que altos níveis da vitamina no sangue se relacionam a uma maior mortalidade por AVC, doenças coronarianas e eventos renais. Foram analisadas amostras de sangue de 247.574 dinamarqueses, dos quais 16.545 haviam morrido após sete anos da coleta inicial.

A partir daí, estabeleceu-se uma relação entre suas mortes e os níveis de Vitamina D encontrados nos exames. “Ter muita dessa vitamina no sangue pode ser ruim para a nossa saúde e isso nunca havia sido provado. Os resultados do estudo exercem grande influência na ingestão de suplementos nutricionais, uma vez que há grande foco na obtenção de Vitamina D. Devemos usar essas informações para nos perguntar se devemos ou não continuar a fazer uso de suplementos nutricionais como se fossem doces. Não há sentido em querer usar para se sentir melhor. Essa vitamina só deve ser consumida em estreita coordenação com o médico”, concluiu o professor e pesquisador Peter Schwartz em artigo publicado no Journal of Endocrinology and Metabolism.

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