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Projeto garante direito de criança visitar pais que estiverem hospitalizados

Especialistas veem a proposta como benéfica tanto para a criança quanto para o adulto em tratamento, reduzindo uso de medicamentos e tempo de permanência no hospital

Projeto de lei que prevê direito de crianças e adolescentes em visitarem pais hospitalizados segue em discussão na Câmara FederalProjeto de lei que prevê direito de crianças e adolescentes em visitarem pais hospitalizados segue em discussão na Câmara Federal Foto: Bigstock.

Crianças e adolescentes poderão ter o direito de visitarem os pais que estiverem internados em unidades de saúde, caso o projeto de lei 9990/18 seja aprovado.

Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não traz regras sobre a presença dos menores de idade em ambientes hospitalares, mas especialistas acreditam que as visitas podem ser benéficas tanto para filhos quanto para os pais.

A proposta, de autoria da deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), foi aprovada pela comissão de Seguridade Social e Família e segue em tramitação pela Câmara dos Deputados. A próxima análise do projeto será feita pela comissão de Constituição e Justiça e Cidadania.

Encontro saudável

Deixar a criança à parte de uma situação de doença na família não é a melhor escolha, conforme explica Stefanie Silva da Silva, psicóloga com formação na área de Educação, que atua no atendimento de crianças e famílias.

“Em momentos de doença ou de luto, é comum que as famílias afastem as crianças, mas isso não é saudável, porque a criança percebe que teve uma alteração na dinâmica, que os familiares estão preocupados com alguma coisa. É importante inclui-la, mas de forma saudável.”

Essa forma saudável, conforme explica a psicóloga, incluir explicar à criança o que ela poderá ver durante a visita, como o pai ou a mãe estará lá, se haverá outros pacientes juntos e, o mais importante, acolher os sentimentos da criança.

“Criança muito pequena não consegue regular muito bem as emoções. Ela precisa que a família ou o responsável converse com ela e a prepare para a visita”, explica.

Dos pontos que os familiares não podem se esquecer:

  • Explicar à criança como será a visita;

  • Contar à ela o que poderá ver no hospital, como outros pacientes acamados, pessoas com curativos e partes do corpo expostas, pessoas entubadas ou com fios à mostra;

  • Avisar que o pai ou a mãe poderá estar com machucados, curativos, tubos e fios à mostra;

  • Lembrar que o pai ou a mãe poderá não voltar para a casa com ela naquele momento, mas que poderá visitá-lo em outra visita ou esperá-lo em casa;

  • Se a criança ficar triste ou chorar, acolher esse sentimento;

  • Sempre responder às dúvidas que a criança tiver em uma linguagem acessível.

“Se a pessoa que a criança for visitar estiver com curativo aparente, é bom explicar antes da visita se a pessoa sente dor ou não. No mundo da criança, se ela não tiver as dúvidas sanadas, pode imaginar que os pais estão em sofrimento, com dor. Essas questões precisam ser faladas antecipadamente, não no momento da visita”, reforça a psicóloga.

Os cuidados prévios ajudam a deixar o encontro mais leve. “É um momento em que a saudade vai ser aliviada. Se for feito de uma maneira pensada e trabalhada, é muito positivo”, diz.

Rapidez na recuperação

Se os benefícios para as crianças são significativos, para os pais que estiverem internados, rever os filhos pode acelerar o processo de recuperação — e não apenas do ponto de vista psicológico.

De acordo com Rafael Deucher, médico intensivista, ao trazer a família para o paciente no hospital, o sistema límbico, responsável pelas emoções, é estimulado.

“Às vezes a pessoa precisa de menos carga de analgésico em um momento pós-operatório quando o paciente recebe a visita de um familiar. A dor passa pelo sistema límbico e nem sempre o medicamento alivia 100%. Mas ao levar a criança, a carga do analgésico diminui porque emocionalmente se compensa”, explica o também coordenador das Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital VITA Batel, de Curitiba. 

Pacientes com uma saúde psicológica melhor também se recuperam mais rápido, conforme explica Mariana Singer, cirurgiã do aparelho digestivo e coordenadora da Urgência e Emergência do hospital Angelina Caron.

“A melhora [do paciente] é visível. O paciente passa a focar em um objetivo fora dali, do hospital. Ele tem um motivo para ficar melhor e isso o estimula a se cuidar, a andar, a comer. Não temos números, porque essa é uma abordagem muito nova, mas dados na literatura mostram que quando um paciente tem uma melhora psicológica importante, a cura vem mais rápido”, completa.

Preparação dos pacientes

Isso não significa que ele também não deva ser preparado para o encontro com os filhos. Segundo Stefanie Silva, psicóloga, o encontro precisa ser preparado para não ser emocionalmente pesado para o paciente. “O paciente pode ter de lidar com sentimentos muito fortes, como a criança chorar, não querer ir embora. É bom que tudo isso seja pensado. O paciente precisa entender que também deve fortalecer a criança nesse momento”, explica.

Cabe também à equipe médica avaliar se o paciente está emocionalmente preparado para receber a visita. “É claro que a visita vai mobilizar emoções. Mas, se depois que a criança for embora, o paciente ficar afetado por estar doente, por querer estar em casa com a família, é uma situação que precisa ser avaliada. Pode ser muito saudável, desde que com cuidados”, reforça a psicóloga.

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