Patrocínio

Hospital Pilar X-Leme Diagnóstico Por Imagem Mantis Diagnósticos Avançados

De laxante ao omeprazol: 11 remédios que você deveria parar de tomar imediatamente

Especialistas norte-americanos selecionaram os medicamentos comuns no dia a dia dos adultos que deveriam deixar de ser prescritos. Entenda os riscos

Na tentativa de reduzir o consumo desnecessário de remédios e exames, médicos norte-americanos criaram o movimento Choosing Wisely, que lista remédios que devem ter o uso interrompido. Foto: Bigstock.

Quem faz uso de cinco ou mais remédios, todos os dias, está vivendo um problema conhecido pelos médicos como a polifarmácia. A condição é mais comum entre os idosos, devido a uma prevalência maior de doenças e comorbidades. Mas, mesmo adultos podem se ver vítimas dos efeitos colaterais e das interações negativas entre os medicamentos — e os médicos estão atentos aos exageros.

>> Check up em extinção? Médicos debatem a era das incertezas na medicina

Na tentativa de reduzir o consumo desnecessário de remédios e exames, médicos norte-americanos criaram o movimento Choosing Wisely, em 2012. A ideia é que cada especialidade médica separe, em uma lista, os procedimentos e remédios que deveriam ser deixados para trás, por não terem os benefícios cientificamente comprovados. E os pacientes são incentivados a sempre perguntarem aos seus médicos a necessidade e a evolução dos tratamentos propostos.

Entre os geriatras, a lista chega a ser bem extensa, e os especialistas norte-americanos selecionaram no fim de 2018 os medicamentos comuns no dia a dia de idosos (mas também de adultos) que poderiam deixar de ser prescritos. Dentre eles, chama atenção os laxantes, em especial o docusato de sódio.

Confira abaixo a lista completa dos remédios que deveriam deixar de ser prescritos:

Laxantes (docusato de sódio);

Antibióticos (antes de procedimentos odontológicos);

3º Inibidores da bomba de prótons (omeprazol é o mais conhecido);

Estatinas (como medicamentos de prevenção primária);

Benzodiazepínicos (entre idosos);

Betabloqueadores (anti-arrítmicos ou anti-hipertensores de uso prolongado);

7º Remédios para asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (em pacientes sem o diagnóstico das doenças);

8º Anti-muscarínicos (contra incontinência urinária);

9º Inibidores de colinesterase para Alzheimer;

10º Relaxante muscular para dor nas costas;

11º Suplementos

Constipado? Nem pense em usar laxantes

O docusato de sódio, medicamento da classe dos laxantes catárticos, é velho conhecido (e temido) dos gastroenterologistas. Se usado de forma crônica para tratar a constipação — e sem orientação de um especialista –, o laxante pode levar a uma ineficiência da evacuação.

“O paciente fica dependente desses laxantes para evacuar e cada vez tem que usar uma quantidade maior do medicamento, porque o intestino passa a ficar viciado nesse tipo de laxante. Da mesma classe do docusato, que são laxantes catárticos”, explica Jonathas Stifft, médico gastroenterologista do hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), e integrante da Federação Brasileira de Gastroenterologista.

Além de gerar esse efeito colateral importante, os laxantes podem estar escondendo outras causas da constipação — que esses medicamentos não terão como tratar. Por exemplo, o hipotireoidismo e os medicamentos analgésicos opioides, derivados morfina, também levam a sintomas de constipação. Mesmo câncer do intestino grosso pode apresentar, dentre os sintomas, a dificuldade para evacuar.

“O docusato é um laxante usado para situações agudas e eventuais. Se um paciente estiver muito constipado, e não apresenta melhora com outros tratamentos, pode ser usado durante poucos dias para resolver o problema em um curto período de tempo”, explica o especialista.

Se você já fez (ou ainda faz) uso desses tipos de laxantes, procure um gastroenterologista para dar seguimento ao tratamento. “Quando eu encontro um paciente, e não é raro, que faz uso crônico desse tipo de laxante, tentamos mudar para outros tipos, como óleo mineral, que é um lubrificante do intestino. Retiramos os catárticos e adaptamos. Também fazemos as recomendações nutricionais, além de repor as fibras”, afirma Stifft.

Idosos em alerta

Idosa

Idosos devem ficar ainda mais alertas para não tomarem medicação em excesso. Foto: Brunno Covello / Agencia de Noticias Gazeta do Povo.

Além da prevalência de múltiplas doenças crônicas, os idosos exigem atenção maior de médicos e familiares no consumo de medicamentos porque o envelhecimento gera alterações de absorção.

“O tempo de ação do remédio pode ser diferente, o momento em que ele age pode mudar. Há, portanto, aumento no risco de toxicidade dos medicamentos. O principal risco dos benzodiazepínicos é que eles geram sono e, nos idosos, pioram a memória. Podem fazer também queda de pressão e facilitar quedas, e com isso aumentar a taxa de fraturas”, alerta Geraldine Guimarães, médica geriatra do hospital VITA Batel, de Curitiba.

Outro medicamento listado pelo movimento Choosing Wisely é o inibidor da bomba de prótons, sendo o mais conhecido deles o omeprazol. Embora esse remédio seja contraindicado a qualquer paciente — apenas usado para casos específicos –, para os idosos os efeitos podem ser ainda mais danosos.

“É cultura de alguns médicos em prescrever ao paciente que faz uso de muitos medicamentos, com o objetivo de proteger o estômago. Mas, ele [omeprazol] diminui a absorção de cálcio, aumenta o risco de demência, de fraturas e diminui a função do rim. Qualquer pessoa que fizer uso crônico do omeprazol corre esse risco. No idoso, porém, o risco é maior”, reforça a especialista. 

Objetivo é orientar

Um dos grandes objetivos da criação das listas da Choosing Wisely é que elas cheguem aos pacientes, e esses tomem para si a oportunidade de saberem um pouco mais dos tratamentos e medicamentos indicados pelos médicos.

“Ela [a campanha] não tem só um objetivo educativo dentro da classe de assistência à saúde, mas também de orientar e educar a população leiga. Deve-se orientar que as pessoas busquem informações de diferentes formas, e todo mundo tem o direito e dever de questionar o médico para entender e solicitar informações adicionais dos medicamentos”, sugere Renato Bandeira de Mello, médico geriatra, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e membro da Choosing Wisely Brasil.

LEIA TAMBÉM

8 recomendações para você

Deixe seu comentário