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Saúde e Bem-Estar

Ciência recomenda qual é o momento ideal para ter filhos

Os 40 anos ou mais, do ponto de vista da medicina, representa a época mais crítica para a gestação

  • PorCarolina Kirchner Furquim, especial para a Gazeta do Povo
  • 06/08/2018 09:00
Momento ideal também é definido pela ciência e não só pelo desejo dos pais. Foto: Bigstock
Momento ideal também é definido pela ciência e não só pelo desejo dos pais. Foto: Bigstock| Foto:

Uma gravidez planejada geralmente é influenciada pelo momento do casal. Ao optar por começar uma família, é quase impossível não fazer uma análise de tudo aquilo que envolve a decisão: estabilidade profissional, equilíbrio físico, preparo emocional e, entre muitos outros fatores, a idade, diretamente ligada à saúde, ao organismo e à fertilidade da mulher. Seja qual for a escolha, é preciso saber que cada década contribui para uma experiência diferente de maternidade quanto ao curso da gestação, acompanhamento, necessidades e probabilidades.

>> Ibuprofeno usado na gravidez prejudica a fertilidade das futuras gerações, aponta estudo 

Embora muitos especialistas concordem que não existe momento certo para dar início a uma família, outros defendem que o intervalo entre os 20 e 30 anos, seja o ideal. Isso porque a fertilidade da mulher está em alta nesse período e engravidar se torna uma tarefa mais rápida e fácil. “A mulher mais jovem apresenta menor risco de desenvolver problemas durante a gravidez, como hipertensão e diabetes gestacional. Além disso, ela geralmente tem a saúde física e reprodutiva completa”, explica Karam Abou Saab, professor de Reprodução Humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diretor do  Centro de Fertilidade Saab e membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa).

Em relação à saúde feminina, a medicina assinala que mulheres que engravidaram mais jovens têm menos chance de desenvolver doenças como câncer de mama e ovários.

Fertilidade

Quanto mais novos os óvulos, menores as chances de um bebê apresentar falhas cromossômicas, com destaque para a trissomia do 21, responsável pela Síndrome de Down. Ao nascer, uma menina já carrega consigo os óvulos que vai liberar durante toda a vida. A partir da puberdade, acontece a maturação dessas células reprodutoras, que são liberadas em grande quantidade a cada ciclo. Aos 20 anos, a chance de o bebê ser afetado por doenças decorrentes de mutações cromossômicas é de 1 em 3000; aos 30 anos 1 chance em 1400; aos 35 anos 1 chance em 1000; aos 40 anos 1 chance em 100 e aos 45, 1 chance em 40.

Em mulheres com idades na casa dos 30 anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos começam a decair, levando ao declínio da fertilidade. “Essa situação pode gerar resultados mais lentos, mesmo que a saúde da mulher seja perfeita. É uma condição natural que se acentua a partir dos 35 anos e favorece o surgimento de complicadores gestacionais, com risco crescente para placenta prévia, descolamento placentário, pré-eclâmpsia e eclâmpsia”, comenta o professor Saab.

Risco de perder o bebê

A taxa de abortos espontâneos, bem como o número de natimortos, também aumenta a partir da metade da década dos 30. Condições como cardiopatias, hipertensão, endometriose e infecções das tubas uterinas, se observadas na mulher, desfavorecem uma gravidez saudável. Ainda que os dados causem alguma insegurança, a medicina considera, de modo geral, uma época propícia para gerar uma criança.

Estima-se que mulheres de 35 anos tenham 80% mais de chances de engravidar naturalmente em relação a uma de 40 – o que comprova que o tempo é mesmo o maior vilão da fertilidade.

Os 40 anos ou mais, do ponto de vista da medicina, representa a época mais crítica para a gestação. Além da concepção natural dificultada, também aumentam sobremaneira os casos de aborto espontâneo, má formação fetal e mutações cromossômicas. Com a proximidade da menopausa, a irregularidade dos ciclos e a falência ovariana também comprometem a fertilidade.

young man hugging and kissing happy pregnant woman in new apartment
young man hugging and kissing happy pregnant woman in new apartment

Saab lembra que, nessa idade, as gestações são consideradas de risco e todos os cuidados devem ser multiplicados. Dependendo da saúde da mulher, o pré-natal pode ainda ser feito com uma equipe multidisciplinar. Mulheres de 40 anos ou mais também são fortes candidatas a tratamentos para engravidar, com destaque para a fertilização in vitro (FIV), que ainda permite a realização de um diagnóstico genético pré-implantacional, de modo a evitar a transferência, para o útero, de embriões com alterações genéticas ou cromossômicas.

Um recente estudo norte-americano mostrou que mulheres que engravidam naturalmente nessa idade tendem a viver mais. Isso porque o estrogênio, o hormônio que controla a ovulação, continua sendo produzido em abundância em mulheres férteis.

Meus óvulos envelhecem?

Infelizmente, sim. Os ovários envelhecem e, junto com eles, os óvulos (que estão prontos na menina desde que ela nasce) também sentem os efeitos do passar do tempo. Quanto mais avançada é a idade da mulher, menor a qualidade da “reserva” e a frequência da liberação dos óvulos – um evento que vai deixar de acontecer naturalmente com a chegada da menopausa. Porém, exceto por problemas gerais de fertilidade (tanto da mulher quanto do homem), a maioria delas vai engravidar naturalmente durante a vida reprodutiva. Condutas saudáveis ao longo de toda a vida ajudam a evitar perdas na qualidade ovariana.

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Se você já se perguntou por que homens continuam a gerar filhos independente da idade, saiba que a resposta para essa pergunta é bastante simples: espermatozoides não envelhecem. Ao contrário da mulher – que nasce com uma quantidade de óvulos que varia entre 400 mil e 500 mil, dentre os quais são selecionados alguns para que ocorra a ovulação mensal durante a idade reprodutiva), os homens produzem espermatozoides continuamente por toda a vida. Isso não significa, porém, que eles continuem a produzir espermatozoides com a mesma qualidade em comparação à juventude.

Um estudo comandado por pesquisadores do Lawrence Livermore National Laboratory e do Fielding School of Public Health da University of California (UCLA), indicou que homens também têm um relógio biológico quando o assunto é fertilidade, ainda que muito diferente do das mulheres. A pesquisa analisou 97 homens com idades entre 22 e 80 anos, e descobriu um aumento na fragmentação do DNA nos espermatozoides à medida que os homens envelhecem. Antes, já se sabia que a idade colabora para a diminuição da contagem e da motilidade (capacidade de movimentação) dos espermatozoides.

Porém, diferentemente do que acontece com as mulheres mais velhas, o estudo afirma que as alterações nos espermatozoides não aumentam a possibilidade da geração de crianças com Síndrome de Down — uma das maiores preocupações em gestações tardias.

É possível engravidar na menopausa?

Segundo Almir Antonio Urbanetz, médico ginecologista, professor titular do Departamento de Tocoginecologia do setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e diretor de assuntos estratégicos da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa-PR), após a mulher entrar na menopausa de maneira definitiva, em torno dos 48 a 50 anos de idade, não há possibilidade de gravidez de modo natural.

“Em casos de Falência Ovariana Precoce, de 5% a 10% das pacientes podem engravidar espontaneamente. A gestante mais idosa nos tempos modernos foi uma mulher que deu à luz quando tinha 57 anos e 120 dias nos Estados Unidos, porém, não estava na menopausa”, diz ele.

Com as novas técnicas de reprodução assistida, todavia, é possível que uma mulher engravide após a parada definitiva das menstruações – através de ovodoação. “Há relato na literatura de uma mulher indiana de 70 anos de idade que deu à luz gêmeos após ser submetida a uma reprodução assistida. O Comitê de Ética da Sociedade Americana para Medicina Reprodutiva, contudo, defende que a gravidez na pós-menopausa seja desencorajada devido aos riscos médicos e psicológicos envolvidos. A gravidez pode ter complicações como abortamento, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, parto prematuro, crescimento intrauterino restrito, feto com baixo peso e óbito fetal intrauterino”, finaliza o médico.

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