Saiba qual é o remédio mais caro do mundo e o que ele trata

Por alguns milhões de dólares será possível tratar uma doença genética que atinge crianças

O membro da ONU Jorge Bermudez, criticou o alto valor atribuído a nova droga e disse que o Zolgensma foi desenvolvido em um hospital infantil com recursos públicos. Foto: Bigstock.O membro da ONU Jorge Bermudez, criticou o alto valor atribuído a nova droga e disse que o Zolgensma foi desenvolvido em um hospital infantil com recursos públicos. Foto: Bigstock.

A agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, FDA aprovou esta semana a distribuição do remédio mais caro do mundo.

Trata-se do Zolgensma, uma droga que utiliza a terapia genética e pretende tratar crianças com Atrofia Muscular Espinhal (AME). O medicamento custará cerca de 2 milhões de dólares para o tratamento com duração de cinco anos.

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A AME é uma doença genética degenerativa que atinge uma criança a cada 11 mil nascidas. A enfermidade interfere na capacidade do corpo de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores.

Por esse motivo as pessoas que têm a AME vão perdendo o controle e força musculares, ficando incapacitados de se mover, engolir ou mesmo respirar, podendo, inclusive, morrer.

No final do mês passado, o Ministério da Saúde brasileiro havia anunciado que o concorrente do Zolgensma, o medicamento Spinraza começaria a ser incorporado no Sistema Único de Saúde do país. O Spinraza custa em média R$ 1,3 milhão para o tratamento anual e no ano passado, 90 pacientes solicitaram a droga judicialmente ao Ministério da Saúde.

Em artigo publicado pelo Centro de Estudos Estratégicos da FioCruz, o pesquisador  e membro da ONU (Organização das Nações Unidas), Jorge Bermudez, criticou o alto valor atribuído a nova droga e defendeu que o Zolgensma foi desenvolvido em um hospital infantil com recursos públicos.

“Cada vez mais, as grandes empresas farmacêuticas compram pequenas indústrias e seu portfólio de produtos e tentam recuperar esses investimentos em pouco tempo, estabelecendo preços fictícios, que não correspondem aos custos reais”, escreveu. “Mais grave do que isso, existem exemplos de produtos desenvolvidos em universidades norte-americanas com cessão de patentes à indústria, gerando monopólios e preços descabidos”, criticou.

O pesquisador disse que o valor do medicamento é proibitivo até em países ricos. “Não se trata de proteção patentária para recuperar recursos investidos em pesquisa e desenvolvimento, mas de lucro extorsivo e desmedido. Até onde vai a cobiça desse setor? A pergunta que se faz necessária é: vamos tratar as crianças ou a indústria?”, resumiu Bermudez.

Em comunicado a norte-americana CNBC o laboratório Novartis responsável por desenvolver o Zolgensma, disse que está trabalhando com as seguradoras para definir formas de pagamento “inovadoras” para o tratamento.

O diretor executivo da Novartis, Vas Narasimhan defendeu que o custo do tratamento único será 50% mais barato do que o disponível atualmente, uma vez que a duração da terapia com o concorrente é de dez anos e sai por 4,2 milhões de dólares.

“Acreditamos que, ao adotar essa abordagem responsável, ajudaremos os pacientes a se beneficiar dessa inovação médica transformadora e gerar economias de custo significativas para o sistema (de saúde) ao longo do tempo”, disse Narasimhan.

 

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