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Sarampo faz duas vítimas bebês em São Paulo

Casos foram registrados na última sexta-feira (30). Estado concentra a maioria dos casos de infecções

bebê com sarampo

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou na última sexta-feira, 30, a morte de dois bebês na Grande São Paulo. As vítimas foram uma menina de 4 meses, de Osasco, e um menino de 9 meses, morador da capital, segundo a secretaria. As duas vítimas estavam fora da faixa etária indicada para a vacina.

Já são três óbitos confirmados pela doença após um período de 22 anos sem o vírus fazer vítimas fatais no estado. São Paulo foi também o primeiro Estado a confirmar uma morte provocada pela doença neste novo ciclo do surto, iniciado em junho. Trata-se de um homem de 42 anos que não havia sido vacinado. O secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber Oliveira, afirmou que há ainda outro óbito suspeito de sarampo em investigação no País. O caso é de uma criança menor de um ano, residente no interior de Pernambuco.

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Doença Contagiosa

O sarampo é altamente contagioso. Transmitida por tosse, espirro e saliva, a doença pode levar à morte e provocar sequelas anos depois de a infecção ter sido debelada. A estimativa é de que uma pessoa infectada tenha capacidade de contaminar 40 pessoas próximas. Isso pode ocorrer mesmo antes de a pessoa apresentar o sintoma, o que dificulta as ações de identificação.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo concedida há duas semanas, o pesquisador da Fiocruz, Cláudio Maierovitch, observou, por essas características, é muito difícil controlar um surto de sarampo rapidamente. “Se o paciente busca o serviço de saúde, há o risco de ele contaminar o profissional que o atende, as pessoas na sala de espera.”

Neste novo ciclo de sarampo registrado no País, foram identificados inúmeros casos da doença entre profissionais de saúde. A constatação levou o Ministério da Saúde a reforçar a recomendação de que todos os trabalhadores da área estejam imunizados. O Ministério da Saúde considera novo ciclo da doença aquele em que casos são identificados nos últimos 90 dias. O início dessa nova onda começou em São Paulo, com a importação de casos vindos de Israel e da Espanha.

Vacina contra o sarampo

Apesar do aumento do número de casos, o Ministério da Saúde manteve a conduta adotada na semana passada, que é a de estender a vacinação apenas para crianças entre seis meses e um ano, em todo o território nacional. Batizada de dose zero, a estratégia tem como objetivo antecipar a proteção dessa população, considerada mais vulnerável. Nessa faixa etária, a relação é de 46 casos a cada 100 mil habitantes. Entre bebês de 1 a 4 anos, a relação é de 12 casos a cada 100 mil habitantes. Entre jovens de 20 a 29 anos, a taxa de casos é de 10 a cada 100 mil.

vacina sarampo

Não há intenção de se fazer campanhas de vacinação específicas contra a doença, mas na cidade de São Paulo, o epicentro do surto, uma campanha de maior extensão foi realizada, a partir do dia 10 de junho. Foto: Shutterstock

A dose zero é uma espécie de reforço antecipado. A aplicação da vacina não dispensa as duas demais doses, que ocorrem aos 12 e 15 meses. Nesta segunda, o Ministério da Saúde iniciou o envio de 1,6 milhão de doses extras de vacina tríplice para todos os Estados para atender a nova estratégia.

Além da inclusão da vacinação para crianças entre 6 meses e 1 ano, o Ministério da Saúde manteve medidas de praxe. Uma delas é a recomendação da atualização da carteira vacinal A indicação é de que a população entre 12 meses e 29 anos recebam duas doses do imunizante. Para aqueles entre 30 e 49, a prescrição é de uma dose. Outra medida é a vacinação de bloqueio, em que todas as pessoas que tiveram contato com caso suspeito são imunizadas, num período de até 72 horas.

Campanha

Não há intenção de se fazer campanhas de vacinação específicas contra a doença. Como o jornal O Estado de S. Paulo adiantou, essa decisão é tomada por causa dos estoques da vacina. Oliveira vem repetindo que o imunizante é suficiente para as ações que foram desenhadas até o momento. Não haveria quantitativo para fazer uma campanha para uma extensão maior da população.

O secretário argumentou ainda que na cidade de São Paulo, o epicentro do surto, uma campanha de maior extensão foi realizada, a partir do dia 10 de junho. A iniciativa, de acordo com ele, será concluída até dia 31.

“Não há justificativa técnica para fazer o mesmo em outros Estados. Não temos imunobiológicos para todo o Brasil” – Wanderson Kleber Oliveira, secretário de Vigilância do Ministério da Saúde.

Na análise de Oliveira, a iniciativa proposta pela pasta dá trabalho, é mais demorada, mas é mais eficiente e evita desperdícios. Ele argumenta ainda que, além do imunizante, seria necessário mobilizar uma verba significativa para realizar uma campanha específica para jovens adultos, por exemplo.

O único pedido feito pelo ministério foi o de antecipação da entrega da encomenda já realizada. Para reforçar os estoques de todo o País, o Ministério da Saúde recorreu à Organização Pan-Americana de Saúde. Foram feitas duas encomendas. Uma, de 10 milhões de doses que serão entregues de forma escalonada, em 60, 9 e 100 dias. Foram encomendados mais 18 milhões. A previsão, contudo, é de que esse novo carregamento seja entregue somente no próximo ano.

Além de São Paulo, surto de Sarampo foi identificado no Rio (12 casos), Pernambuco (5 casos), Santa Catarina (4 casos), Distrito Federal (3 casos). Bahia, Paraná, Maranhão, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Sergipe, Goiás e Piauí registraram um caso cada, um. Embora o número possa parecer pequeno, ele preocupa o Ministério da Saúde.

Isso porque a cobertura vacinal em parte das unidades da federação está bem abaixo do que seria considerado ideal. Oliveira faz um paralelo com outro ciclo da epidemia de sarampo, ocorrido entre 2018 e 2019, nos Estados do Norte do País. “Numa região de 2 milhões de habitantes, registramos 8 mil casos. Em São Paulo, que tem 12 milhões, foram 1.900.” Kleber avalia que, se a vigilância paulista e as ações de autoridades sanitárias não fossem ágeis, os números poderiam ser ainda muito maiores.

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