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Como os sintomas da sepse pela bactéria Staphylococcus podem ser confundidos com meningite

As duas doenças citadas no diagnóstico do neto do ex-presidente Lula, que morreu em março deste ano, apresentam quadros semelhantes

Febre alta, dor de cabeça, confusão mental são alguns dos sintomas semelhantes das duas doenças. Foto: Bigstock

O diagnóstico equivocado do neto do ex-presidente Lula que morreu dia 1º de março pode ocorrer devido à semelhança de sintomas entre meningite e a sepse (infecção generalizada) originada pela bactéria Staphylococcus aureus. Na época dos fatos, o Hospital Bartira, da rede D’Or, afirmou que Arthur Araújo faleceu cinco horas após ser internado com um quadro de meningite meningocócica. No entanto, a causa da morte não foi essa.

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De acordo com o bioquímico Marcos Kozlowski, especialista em bacteriologia, a meningite meningocócica também é causada por uma bactéria, mas ocorre em um local diferente do corpo. “Ela atinge o sistema nervoso porque é uma infecção das membranas que envolvem o cérebro e a medula, enquanto a sepse ocorre no sangue, ou seja, no sistema circulatório”, explica.

No entanto, ainda que sejam registradas em áreas diferentes, as duas infecções apresentam sinais semelhantes no organismo como febre alta, dor de cabeça, confusão mental e outras. “Na sepse, o paciente sente, principalmente, um mal estar geral e pode entrar em choque, ficando desacordado e pálido”, pontua o especialista.

Também há casos da infecção generalizada em que a pessoa apresenta náuseas, vômitos, coloração azul-arroxeada nas extremidade, manchas e dores musculares. “Esses sintomas ocorrem em menor incidência, mas podem dificultar o diagnóstico”, informa Kozlowski.

Menino Arthur, neto do ex-presidente Lula, não teria morrido em decorrência de meningite, mas de bactéria que causou infecção generalizada. Foto: Divulgação

Já a meningite é caracterizada pela febre alta, vômito, confusão mental e pela dificuldade em movimentar o pescoço. “Essa rigidez da nuca é bem comum na meningite, mas cada organismo pode reagir de modo diferente”. Há casos, por exemplo, em que o paciente também apresenta sonolência, perda de apetite, manchas vermelhas na pele e convulsões.

Segundo a nota divulgada pelo Hospital Bartira na data da morte de Arthur, o paciente apresentava dor de cabeça, febre, dor muscular, erupções vermelhas na pele, má oxigenação do sangue, náuseas e dores abdominais. Em poucas horas, o quadro do menino evoluiu para confusão mental e ele veio a óbito.

Como os sintomas se confundem, o bioquímico afirma que o diagnóstico deve ser confirmado apenas após avaliação clínica e exames complementares como hemograma, que analisa os elementos presentes no sangue, e a hemocultura — que identifica a presença de microrganismos patogênicos no sangue. “Já no caso de suspeita de meningite, também é necessário o exame do líquor [popularmente conhecido como líquido da espinha]”.

Em situações de emergência, ele informa que esses testes ficam prontos em aproximadamente duas horas, mas nem sempre é possível salvar o paciente.

“Alguns casos podem evoluir muito rápido e não há tempo para tratar, mas eles são extremamente raros porque o nosso corpo é muito resistente. Então, não há motivo para pânico”, garante.

De acordo com ele, o Staphylococcus aureus está presente no nariz de cerca de 30% dos adultos saudáveis e na pele de cerca de 20%. Ele também pode ser movido com as mãos para outras partes do corpo e transmitido pela inalação de pequenas gotículas ao espirrar ou tossir, mas dificilmente causará a sepse. “São situações muito pontuais em que as pessoas estão com o sistema imunológico muito comprometido, como em pacientes com doenças oncológicas, por exemplo”.

Prevenção

Mesmo assim, atitudes simples como lavar as mãos com frequência e evitar colocá-las em contato com boca, nariz, olhos e ouvidos quando estiverem sujas farão a diferença. “Também é importante manter o corpo descansado e bem alimentado porque isso ajuda o sistema imunológico a se manter forte”, alerta Kozlowski, que pontua a importância de manter o ambiente sempre ventilado, apesar do frio.

O  bioquímico ainda ressalta a importância de higienizar bem os alimentos — especialmente saladas cruas —, não reaquecer mais de uma vez a comida já pronta e sempre consumir água filtrada ou fervida.

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