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Azia e queimação não são suficiente para pedido de endoscopia

Sintomas como azia e queimação necessitam de investigação para além da endoscopia; uso de medicamentos deve ter indicação precisa e data para acabar

A sensação de azia e “queimação” na boca do estômago, sintomas conhecidos da doença do refluxo gastroesofágico, não significa necessariamente uma ida à endoscopia.

Sozinho, o procedimento não diagnostica a doença que, em cerca de 40% dos casos, passa despercebida pelo endoscópio, ou pode resultar em falsos positivos, tornando o exame ineficaz.

Mesmo sabendo disso, gastroenterologistas brasileiros por vezes cedem aos apelos de pacientes, sejam eles de hospitais públicos, conveniados ou particulares. Como é invasiva, a endoscopia também traz riscos tanto na sedação quanto durante o procedimento, podendo causar hemorragias, perfurações e infecções.

“Muitas pessoas têm o costume de solicitar o exame somente porque têm o direito a fazê-lo, ou ainda porque acham ‘bonito’ ter a endoscopia na pasta de exames”, afirma o médico endoscopista e professor de Gastroenterologia Clínica da Univer­­sidade Federal de São Paulo, Stephan Geocze.

Os custos e possíveis riscos do procedimento levaram a American College of Physicians, sediada nos Estados Unidos, a desenvolver as diretrizes clínicas para o uso da endoscopia alta (que verifica esôfago, estômago e duodeno – primeira parte do intestino delgado) no caso da doença do refluxo gastro­­esofágico.

As orientações limitam o uso do procedimento, não bastando ao paciente apresentar a conhecida ‘queimação’, mas ter também outros sintomas, como sangramento, anemia e vômito recorrente.

Ema­grecimento, falta de apetite, dificuldades ao engolir e mudança no padrão da dor também podem levar ao exame. “No Brasil, um indivíduo que há 20 anos tem azia, mas de repente sente o mal-estar mesmo tomando um copo de água, acaba tendo de passar pela endoscopia para descartar outros distúrbios”, diz Carlos Naufel, cirurgião do aparelho digestivo.

Outros distúrbios

Gastrites, úlceras e esofagites deixam sinais claros no revestimento do estômago e esôfago verificados pela endoscopia. Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Gustavo Andrade de Paulo, são os casos em que o procedimento é mais indicado. “A endoscopia não faz diagnóstico do refluxo, mas da esofagite. Se tiver esofagite, pode ter o refluxo. Mas, às vezes, tem o refluxo e não tem a inflamação no esôfago”, explica.

Remédio demais causa efeito rebote

Recorrer corriqueiramente ao omeprazol – o tipo de bomba de próton mais comum e livre de receita médica–, de maneira contínua, indiscriminada e sem orientação contra azia, refluxo e queimação pode causar graves problemas ou esconder a doença original.

Quando há úlcera, gastrite ou refluxo gástrico, a principal indicação dos gastroenterologistas é a prescrição desse tipo de remédio. Porém, os especialistas têm percebido que muitos pacientes chegam aos consultórios após o uso rotineiro do medicamento, às vezes de forma equivocada. “Sem orientação médica, ele pode mascarar uma disflexia funcional, como o mau funcionamento do estômago, gastrite e úlceras”, diz o gastroenterologista Olival Ronald Leitão, professor da Universidade Federal do Paraná.

O uso corrente do medicamento influencia não apenas os órgãos do sistema digestório. “Há estudos que mostram pacientes que adquiriram certa dificuldade de absorção de cálcio, promovendo a descalcificação, piorando a osteoporose, principalmente em mulheres”, diz Júlio Pisani, especialista em endoscopia digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva e também professor da UFPR.

Quem utiliza o inibidor da bomba de prótons por um período longo (de seis meses a um ano) tem maior risco de sofrer o efeito rebote do medicamento, segundo o membro da Federação Brasileira de Gastro­­en­­terologia, Odery Ramos Junior. O inibidor bloqueia a produção de ácido, a partir das glândulas produtoras, causando alívio. Quando o medicamento é interrompido, o ácido retorna de forma mais intensa, formando uma hipersecreção causada pela hipertrofia das glândulas que produzem o ácido. “Isso pode desencadear pequenos pólipos de natureza glandular no estômago, identificados pela endoscopia e associados ao uso crônico do inibidor”, explica Ramos. O efeito rebote causa ainda um círculo vicioso ao paciente, que, ao deixar de tomá-lo, vê ampliarem-se os sintomas, acabando por voltar instintivamente a utilizá-lo, sem tratar o problema original.

Baixa toxicidade

O omeprazol não possui alto grau de toxicidade, desde que administrado com cautela. “É tolerável que pessoas com sintomas leves usem o medicamento, desde que por pouco tempo. Se a dor persistir por mais de 30 dias, deve consultar um médico”, complementa o gastroenterologista Olival Leitão. Nos pacientes diagnosticados com úlceras, o tratamento com o inibidor leva de seis a oito meses, e pode passar de um ano em alguns casos. “Mas é raro, pois nesses casos também fazemos a erradicação da bactéria H. pylori, causadora do problema”, afirma Leitão.

Quem toma por muito tempo

Em casos específicos, o inibidor da bomba de prótons é recomendado para um período longo, chegando a um ano. “Pacientes com gastrite e úlceras tomam o inibidor para melhorar os sintomas, enquanto a bactéria causadora do desequilíbrio entre o ácido e a proteção do estômago é combatida por antibióticos. O inibidor só é utilizado enquanto for prescrito o antibiótico”, explica Odery Ramos Junior. Pacientes que utilizam anti-inflamatórios tendem a ter a proteção do estômago reduzida, por este motivo recebem também a prescrição do inibidor para o período de uso.

Diferenças importantes

Doença do refluxo gástrico

É a passagem do conteúdo gástrico para o esôfago. Como o conteúdo é ácido, forma uma inflamação no esôfago, conhecida por esofagite. Entre os principais sintomas, a pessoa sente uma queimação na região. O tratamento se dá por orientações nos hábitos de vida, controle do peso, redução no volume das refeições, bem como o aumento da frequência das mesmas, e redução do cigarro, álcool e cafeína. Segundo gastroentero­logistas, geralmente o tratamento clínico traz resultados positivos. Caso contrário, prescreve-se o inibidor.

Cirurgia

Pacientes com inflamações mais graves e com alteração anatômica, como a hérnia de hiato, são indicados para cirurgias. No entanto, são situações isoladas.

Gastrite

Trata-se de uma inflamação do revestimento do estômago, decorrente ou da presença da bactéria H. pylori ou do uso frequente de anti-inflamatórios analgésicos que alteram a barreira protetora do estômago. A bactéria é considerada pelos especialistas a principal causa do distúrbio e primeiro fator a ser combatido, medida conjunta à prescrição do inibidor da bomba de prótons.

Úlcera

Trata-se de uma inflamação mais profunda do revestimento do estômago, decorrente das mesmas causas da gastrite. O tratamento é feito por antibióticos e inibidores para garantir a redução do ácido no período de cicatrização da inflamação.

Fonte: Odery Ramos Junior, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

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