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Cresce número de mulheres que bebem quatro doses a cada saída. Efeitos são piores nelas

A faixa etária que mais representa o aumento no consumo abusivo vai dos 18 aos 24 anos; corpo feminino metaboliza o álcool de forma diferente do masculino

Há quase 50% mais mulheres bebendo abusivamente no Brasil, alerta o Ministério da SaúdeHá quase 50% mais mulheres bebendo abusivamente no Brasil, alerta o Ministério da Saúde (Foto: Bigstock)

Cervejas, drinks e vinhos estão mais presentes no cotidiano de muitas brasileiras, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Entre 2006 e 2018, o órgão registrou um aumento de 42,9% no consumo abusivo de bebidas alcoólicas entre as mulheres, conforme a pesquisa Vigitel 2018, passando de 7,7% (2006) para 11% (2018).

Isso significa um crescimento significativo entre as mulheres que afirmam beber quatro doses ou mais a cada saída. Para fins de comparação, a dose máxima de bebida alcoólica para o organismo feminino estima o consumo de 30 g, número que representa uma lata de cerveja, 100 mL de vinho ou 30 mL de bebidas destiladas. 

O que poucas mulheres sabem, porém, é que o corpo delas metaboliza o álcool de forma diferente do corpo masculino, e a tolerância ao álcool chega a ser a metade da dos homens.

Por isso que as mulheres tendem a ficar bêbadas mais rapidamente que os homens. Tentar acompanhar um colega na competição de bebidas com certeza será mais danoso ao corpo dela.

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“O organismo da mulher tolera muito menos álcool que o masculino. Para produzir danos, como a cirrose, a taxa de álcool necessária é de 50% em relação aos homens. A quantidade, em cerveja, para fazer cirrose, é de sete a 10 latas por semana, o que é pouco. É muito importante esse novo dado [do Ministério da Saúde] para alertar que a mulher não tolera muito álcool, e isso independe da tolerância psicológica. Não estamos falando de dependência, mas de abuso”, explica Daphne Benatti Morsoletto, médica gastroenterologista, com ênfase em hepatologia e transplante hepático e professora da Universidade Positivo, em Curitiba.

Dos riscos à saúde que o consumo abusivo de álcool predispõe, a especialista lista:

  • Pancreatite crônica;

  • Cirrose;

  • Distúrbios psiquiátricos e até suicídio;

  • Doenças cardiovasculares.

“Quando há um período de abuso de bebidas alcoólicas e surge uma doença, é preciso que a paciente tenha uma abstinência absoluta e permanente. É muito difícil o retorno a um uso social da bebida alcoólica. Muitas vezes, a busca pela bebida alcoólica vem para bloquear um problema psicológico, como uma depressão. É preciso investigar por que há esse consumo abusivo”, reforça a médica.

Vida independente favorece o consumo de álcool

A faixa etária que mais representa o aumento no consumo abusivo, conforme dados da pesquisa, vai dos 18 aos 24 anos, idade em que as mulheres passam a ser mais independentes e com uma vida social mais ativa, dando início ao ensino superior e a entrada ao mercado de trabalho.

Essa é, inclusive, a principal justificativa do Ministério da Saúde para o número expressivo identificado pelo Vigitel 2018.

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“Quando as mulheres começaram a ser mais iguais em termos de gênero, a diminuir as diferenças, teve o lado bom e o ruim. Uma das consequências negativas é ela estar exposta também a comportamentos negativos, que eram mais frequentes entre os homens, como beber mais, fumar e fazer menos exercício porque precisa trabalhar”, explica Ana Beatriz Pedriali Guimarães, psicóloga especialista em dependência química feminina.

Isso não significa que outras gerações não bebiam, conforme explica a psicóloga especialista, mas que o consumo alcoólico ficava escondido e os problemas decorrentes dele também.

“Mulheres que hoje têm 60 anos, elas bebiam mais escondido, porque tinha esse estigma social. Bebiam em casa, tinham vergonha de falar que bebiam. Ainda tem o estigma de ver uma mulher bêbada que, em relação ao homem bêbado, ela é muito mais recriminada. A procura pelo tratamento também era mais difícil entre elas, mas estudos perceberam que quando há um local voltado ao cuidado apenas delas, há uma adesão maior de pacientes mulheres”, reforça Ana Beatriz.   

Embora as mulheres tenham mais facilidade, do que em relação aos homens, a desenvolver uma dependência química (homens que fazem uso abusivo de álcool demoram, em média, 10 anos para desenvolver alcoolismo, enquanto mulheres levam apenas cinco anos, conforme a psicóloga Ana Beatriz), é importante diferenciar o consumo abusivo de uma dependência.

Diferenças

Uso abusivo: a pessoa passa a ter problemas com o uso, como ficar de ressaca o dia todo, faltar ao trabalho, receber um alerta de amigos para o consumo das bebidas, colocar-se em risco. Do uso abusivo ao uso social é mais fácil fazer a transição — diferentemente de quando a pessoa desenvolve uma dependência.

Dependência: os critérios são parecidos, mas com mais intensidade. A pessoa não tem mais controle sobre a bebida e mesmo quando diz que não vai beber por algum motivo, acaba bebendo. Não está relacionado à frequência ou quantidade, mas como o consumo afeta outras áreas da vida.

“Uma questão importante é que às vezes as mulheres iniciam o uso do álcool junto com um companheiro, e elas desenvolvem a dependência, mas eles não. Às vezes é uma influência do parceiro que bebe muito e ela tenta acompanhar”, explica a psicóloga.

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