Patrocínio

Hospital Pilar X-Leme Diagnóstico Por Imagem Mantis Diagnósticos Avançados

“Se eu engordar, faço uma lipo” é uma frase que não faz sentido, dizem cirurgiões plásticos

As cirurgias plásticas, sejam estéticas ou reparadoras, estão cada vez mais populares; procedimentos têm impacto na saúde física e mental de mulheres e homens

As cirurgias plásticas hoje têm recuperação mais fácil., mas ainda há riscos no procedimento. Foto: Bigstock.As cirurgias plásticas hoje têm recuperação mais fácil., mas ainda há riscos no procedimento. Foto: Bigstock.

Vista como um luxo ao alcance de pouquíssimas pessoas há cerca de 20 anos, a cirurgia plástica vem ganhando popularidade no Brasil a ponto de o país ser, hoje, o vice-líder mundial em número de procedimentos, atrás apenas dos Estados Unidos, com quase 1,5 milhão de operações realizadas por ano.

O aumento do número de profissionais, a oferta cada vez maior de tratamentos, o avanço nas técnicas e, principalmente, a redução do valor de uma cirurgia tem mudado o perfil do paciente que procura pela cirurgia plástica.

>> Médicos levam paciente terminal para sessão de cinema com filha

Os procedimentos, agora, passam a ser uma alternativa buscada, também, por jovens, homens e pessoas de classe média que estão procurando a correção de alguma imperfeição física, rejuvenescimento, ou apenas uma melhor aparência.

Censo realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de 2016 aponta que foram realizadas naquele ano, 1.472.435 cirurgias plásticas no Brasil, sendo 57% delas exclusivamente de caráter estético.

“A quantidade de pessoas que tem acesso a uma cirurgia plástica hoje é muito maior. Temos mais cirurgiões plásticos atuando no Brasil, o que faz com que cidades com 50 mil habitantes já tenham cirurgiões plásticos. Além disso, quando se aumenta o acesso, melhora o valor. Um implante de mama, hoje, custa muito menos do que há 10, 15 anos atrás. Isso quer dizer que a plástica se popularizou”, enfatiza a diretora da Sociedade Paranaense de Cirurgia Plástica Anne Groth.

Ela explica também que as cirurgias hoje têm recuperação mais fácil, então o custo hospitalar também diminuiu. Outros fatores são que são cada vez são menos invasivas, com cicatrizes menores, resultados mais satisfatórios e retorno mais rápido às atividades.

O impacto de um procedimento estético pode ter grande influência na saúde física e, principalmente, mental do paciente. Foto: Alexandre Mazzo/Gazeta do Povo.

Estética x Reparadoras

Anne Groth lembra que a cirurgia plástica é uma das especialidades mais novas dentro da medicina. “Ela surgiu na Segunda Guerra Mundial, para cuidar das lesões não letais dos soldados. Na medida em que essas cirurgias reparadoras começaram a conseguir resultados importantes, em que os narizes reconstruídos ficavam “quase perfeitos”, pensou-se: ‘por que não podemos usar essas técnicas para melhorar o nosso próprio corpo?’ E, assim, esse braço da cirurgia estética começou a ganhar maior força, ultrapassando até mesmo a cirurgia reparadora”, conta.

>>>Nas mulheres, vontade incontrolável de comer doces indica redução hormonal

Ela comenta que, apesar dessa divisão entre cirurgias reparadoras (a correção de uma má-formação congênita ou a reconstrução de uma parte do corpo danificada por um acidente ou queimadura, por exemplo) e estética, o impacto de um procedimento estético pode ter grande influência na saúde física e, principalmente, mental do paciente.

“Às vezes a cirurgia estética muda a vida da pessoa. Uma redução mamária pode evitar que a pessoa ela tenha problema de coluna, mas, com certeza, muda na hora a forma como ela se vê dentro da sociedade. Uma pessoa que corrige alguma característica do seu corpo que a incomoda, recupera sua autoestima, consegue, a partir dali, reconstruir a vida, por ‘fazer parte’”, diz.

Para ela, a cirurgia plástica é a busca da pessoa ‘por pertencer’. “É uma atitude saudável e positiva. Se a paciente vem ao consultório insatisfeita com o tamanho de sua mama, ou com o excesso de rugas, o resultado vai deixá-la extremamente satisfeita e, a partir dali ela vai construir uma coisa melhor em sua vida”, conclui.

Procedimentos mais procurados

De acordo com o Censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as cirurgias de mama são as mais procuradas no Brasil. Seja para o aumento dos seios (288,6 mil procedimentos em 2016), o reposicionamento – mastopexia (144,3 mil), ou mesmo para a redução (141,4 mil).

“A cirurgia de mama, principalmente o aumento mamário, segue sendo o procedimento mais procurado. O implante de prótese mamário tem se tornado um procedimento cada vez mais simples, com um pós-operatório tranquilo, uma cicatriz praticamente invisível e o custo está bem menor que há 10, 15 anos, o que tem feito cada vez mais mulheres buscarem o procedimento para ter a mama do tamanho que julgam ideal”, explica Anne Groth.

Além disso, cita a médica, a prótese de silicone não interfere na amamentação, nem nos exames de rotina para a prevenção do câncer de mama (ao contrário da mastopexia que, por necessitar de incisão na mama, pode prejudicar a amamentação), o que diminui as contraindicações para o procedimento.

“Hoje, a cirurgia [de mamas] só não é indicada para quem tem alguma doença cardiovascular ou endocrinológica, além das questões psicológicas. Não fazemos cirurgia em quem está em tratamento psiquiátrico sem controle ou em quadro de depressão”.

Em segundo lugar na lista de procedimentos mais procurados está a lipoaspiração: a retirada de gorduras superficiais, por punção e aspiração a vácuo, com 229,7 mil procedimentos realizados em 2016. “Lipoaspiração é uma cirurgia que alguns pacientes acham que é um método de emagrecimento, mas não é”, esclarece a cirurgiã.

“É uma cirurgia para dar uma harmonia para o corpo, retirando gordura localizada. É impossível fazer lipoaspiração da cabeça aos pés. Você vai fazer em alguns lugares, principalmente na região do abdome, dorso, flancos ou mesmo nos membros inferiores. Agora, em uma paciente que está muito acima do peso e que quer fazer a lipoaspiração, ela não vai ter um resultado estético interessante”, diz. “Aquela frase comum: ‘se eu engordar faço uma lipo’, não faz sentido”, conclui.

A médica conta que a sociedade de cirurgia plástica, em parceria com a Sociedade de Anestesiologia, estabeleceu alguns limites para a lipoaspiração. “Porque quando você tira gordura, uma parcela dessa gordura vem com sangue. Então, se você faz uma lipo muito grande, você pode causar uma depleção grande de sangue, podendo criar um quadro de anemia pós-operatória”.

Cirurgia por robô, câmeras e impressora 3D

Grande parte da popularização da cirurgia plástica se deve à constante inovação na área. Novos procedimentos, produtos e técnicas vêm aprimorando os resultados, reduzindo o tempo de recuperação e aumentando o rol de opções para os pacientes. Uma das principais novidades já em uso no país é a cirurgia robótica para a construção de mama. Em 29 de janeiro deste ano foi realizada, no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, a primeira cirurgia robótica de mama no Brasil.

“O cirurgião tem um console, uma mesa com dois instrumentos como se fossem joysticks, e a movimentação de seus dedos é transmitida para o robô. Então, a precisão é muito maior, podemos, por exemplo, fazer uma rotação de 360º com a pinça, o que é humanamente impossível”, explica Anne Groth, que também é responsável pelo departamento de cirurgia plástica do Erasto Gaetner.

Para ela, o uso do robô tende a ser cada vez mais comum. “Acho que o robô vai ter uma importância no futuro. A mastectomia, que é a retirada da mama, é tradicionalmente feita por um corte maior, na região da mama. Com o robô, conseguimos fazer uma incisão bem menor e longe da mama, na axila”, explica.

Diocélia Boico Pazio foi a primeira mulher no Brasil submetida a uma cirurgia de retirada de mama feita por um robô. Foto: Marcelo Andrade/Divulgação Hospital Erasto Gaertner.

Voluntária para essa primeira cirurgia, a enfermeira Diocélia Boico Pazio, que já havia retirado uma mama de forma convencional, disse ter ficado muito satisfeita com o resultado da operação.

>>> Os desafios da primeira fisioterapeuta com síndrome de Down do Brasil

“Tive câncer em 2016, retirei, da forma convencional, 50% da minha mama direita. Mas como tive a doença muito jovem, com 36 anos, os médicos recomendaram fazer um painel genético, que deu positivo para câncer hereditário, indicando o risco da doença voltar na outra mama. Então a sugestão era de que eu retirasse também a mama esquerda. Mas, como, na prática, eu não estava doente, teria que entrar em uma fila bastante longa, já que a preferência é para as pacientes de câncer. Então, surgiu esse convite para eu ser voluntária na cirurgia robótica”, contou.

Ela conta que ficou satisfeita com os resultados. “Sou da área de saúde, sabia que toda a equipe iria me acompanhar, sei que essas coisas só são utilizadas em pessoas depois de muitos testes, então fui. Me assustei um pouco com todo o aparato colocado no centro cirúrgico, mas me tranquilizaram. O corte foi de apenas 3 cm, na axila. Não perdi aréola, não perdi tecido mamário, nada. Tomara que esse robô venha para ficar. Ele reduz muito o sofrimento da mulher”, conclui.

A utilização de câmeras e impressoras 3D também é algo que já faz parte da rotina em algumas clínicas. “Uma das inovações que ajuda o paciente a prever o resultado da cirurgia são as câmeras 3D. Elas permitem que o paciente se veja em 3D e perceba, nas simulações, como uma pequena modificação pode fazer a diferença”, conta a médica.

A impressora 3D, por sua vez, chega com uma função importante no planejamento, principalmente nas reconstruções ósseas. “Usamos essa tecnologia para modelar um segmento, que será substituído, antes do transplante ósseo. É muito utilizada na reconstrução crânio maxilo facial”, diz.

Homens também recorrem mais aos consultórios de cirurgiões plásticos. Foto: Bigstock.

Plástica também é coisa de homem

Outro dado interessante levantado pelo Censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é o crescimento da procura de homens pelos procedimentos estéticos. Segundo os números levantados na pesquisa, em cinco anos a busca de homens por técnicas cirúrgicas quadruplicou no Brasil, passando de 72 mil para 276 mil ao ano, uma média de 31 procedimentos por hora.

Incomodado com o volume das mamas que o impedia de utilizar determinados tipos de roupa e ficava marcado em camisetas esportivas, o técnico em enfermagem Henrique dos Reis, 32, procurou um cirurgião plástico para resolver seu problema.

“Não era nada exagerado, mas me incomodava. Ficava aparente na camiseta. Tinha o problema desde pequeno, emagreci bastante, fiz academia e nada resolveu. Essa gordura era bem localizada e bem resistente”, conta.

Para o seu caso foi indicada uma lipoaspiração mamária. “Aproveitei que já ia ‘para a faca’ e fiz ainda uma lipo abdominal”, conta. “Parece apenas uma questão estética, mas para quem tem o problema, incomoda muito. É outra vida, estou bem satisfeito. Livrar-se de uma coisa que te incomodou durante a vida inteira é muito importante. Não vi tabu nenhum no fato de ser homem. Era uma coisa que não me fazia bem e quis resolver”.

>> Paciente de 92 anos mobiliza hospital para fazer declaração de amor; assista

Bruno Cesar Kuss, 41 anos, fez, há cerca de um ano, uma cirurgia de pálpebra. “Eu tinha excesso de pele na pálpebra e gerava uma questão estética que me incomodava. Fiquei totalmente satisfeito. Mudou o meu jeito de encarar a vida. Sinto-me melhor em relação à própria imagem e, como trabalho com relação direta com pessoas, fiquei mais confiante”, diz o comerciante.

O aumento da procura de homens foi constatado pelo cirurgião plástico Bruno Beraldi. “Hoje, 20% do volume do meu consultório é de homens. Parece pouco, mas era zero há menos de 10 anos. Acredito que está mudando muito a concepção de beleza do homem e, por isso, eles têm buscado mais por essas técnicas”, relata.

Os procedimentos estéticos mais procurados entre os homens variam de acordo com a idade. Um levantamento feito pela SBCP identificou que, da infância até juventude a otoplastia –  correção das orelhas em abano – é mais comum.

Já na faixa de 20 a 30 anos, a busca fica entre a ginecomastia – cirurgia para correção das mamas masculinas – e a rinoplastia, que é a plástica no nariz. De 30 a 40 anos, os homens se interessam mais pela lipoaspiração, lipoescultura e implantes capilares, este último também entra na faixa de pessoas entre 40 a 50 anos.

A blefaroplastia (cirurgia nas pálpebras) é bastante requisitada por homens com idades de 50 a 60 anos. E, acima de 60 anos, a ritidoplastia, que é o lifting facial ou tratamento cirúrgico das rugas do rosto, é o procedimento campeão de pedidos.

A certificação do médico pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é uma segurança que o paciente deve buscar e exigir. Foto: Acervo pessoal.

Riscos

A evolução da cirurgia plástica nos últimos anos e sua consequente popularização é algo incontestável. Mas, como toda cirurgia, existem riscos que não podem ser desprezados.

Não são raras as notícias de complicações de saúde e até óbitos, em decorrência de procedimentos estéticos malsucedidos. Em muitos desses casos há um fator comum: o despreparo ou ausência de qualificação do profissional responsável pelo procedimento, principalmente para lidar com situações que fujam de seu controle, para as quais os médicos especialistas estão preparados.

A certificação do médico pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é uma segurança que o paciente deve buscar e exigir, pois significa que a pessoa será atendida por um profissional que teve acesso à formação certificada e rigorosa. E também que está habilitado para realizar todo tipo de cirurgia plástica, trabalha submetido a um código de ética e realiza as cirurgias somente em instalações médicas credenciadas, com centros cirúrgicos autorizados pela Vigilância Sanitária, com equipamentos e equipe treinada para qualquer intercorrência.

“A minha principal dica de segurança é que a pessoa procure seu médico no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e não nas redes sociais. Parece óbvio, mas as pessoas não estão se atentando a isso”, comenta a diretora da Sociedade Paranaense de Cirurgia Plástica Anne Groth.

O Conselho Federal de Medicina proíbe médicos de fazerem propaganda, de divulgar fotos de ‘antes e depois’, bem como vídeos e preços dos procedimentos. Mas nem sempre isso é cumprido.

“Estamos vendo muitas promoções em grupos fechados de Facebook, por exemplo. A popularização é um fato, está ocorrendo, mas também pode representar um perigo. Estamos vivendo a época da linha de produção. Eu opero um paciente por dia. Mas há médicos fazendo até dez cirurgias. É preciso ficar atento à qualidade do serviço prestado”, comenta o cirurgião Bruno Beraldi.

Ele ressalta que o pós-operatório é tão importante quanto a cirurgia. “Quanto mais o paciente estiver esclarecido sobre o procedimento dele, maior o sucesso. Saber e respeitar as limitações, fazer fisioterapia, procedimentos de drenagem linfática, tudo isso aperfeiçoa o resultado. Como um profissional que opera dez pessoas por dia dará esse tipo de atenção essencial ao paciente?”, questiona.

Procedimentos não cirúrgicos

Cirurgião plástico não realiza apenas procedimentos que precisam de intervenção cirúrgica. O que mais tem crescido nos consultórios são as buscas por técnicas não cirúrgicas: preenchimentos, aplicação de tratamentos químicos ou por laser, por exemplo.

“Hoje existe uma busca pelo mais natural, o menos invasivo, então percebemos o aumento pela procura de técnicas como essas”, comenta a cirurgiã Anne Groth.

Os procedimentos não cirúrgicos são intervenções minimamente invasivas que podem otimizar ou sustentar os resultados de procedimentos maiores. Procedimentos simples, feitos no próprio consultório, sem necessidade de recuperação prolongada e que, muitas, vezes, são o suficiente para recuperar a harmonia da face ou do corpo.

Nesses casos, o alerta da diretora da Sociedade Paranaense de Cirurgia Plástica é para o risco da aplicação por profissionais não habilitados. “Para a medicina, quem está habilitado para fazer esses procedimentos são os cirurgiões plásticos e os dermatologistas. Há, hoje, outros profissionais, muitos não médicos, fazendo aplicações. Eles até são capacitados para fazer os procedimentos, mas não são para lidar com eventuais complicações desses procedimentos”, comenta.

Botox

Entre esses procedimentos mais realizados estão a aplicação de toxina botulínica, conhecida como botox (nome comercial), que resulta na paralisação temporária de músculos, tendo como efeito atenuação de rugas, se for aplicado na face. Quando bem indicada, a aplicação dessa substância pode ser um grande armamento para o cirurgião. Porém, o uso indiscriminado pode levar a resultados não naturais.

Peelings

A exposição solar frequente e o hábito de fumar são fatores que contribuem intensamente para o aceleramento do envelhecimento da pele. A diminuição da elasticidade resulta em rugas que nem sempre são atenuadas de forma efetiva durante um lifting facial. Em casos como esse, os médicos podem indicar o peeling, que pode ser químico (através de ácidos e cremes), mecânico (através de esfoliação por aparelhos abrasivos) ou por meio de laser.

Preenchimentos

A aplicação de substâncias de preenchimento também pode ser utilizada, desde que com cautela e indicação precisa. Preenchimentos com ácido hialurónico e outras substâncias que são absorvidas após alguns meses possuem boa indicação em rugas finas e mais profundas da face, com o inconveniente de resultados bons apenas no curto prazo.

O preenchimento com gordura do próprio organismo é uma boa escolha em muitos casos, seja na face ou no contorno corporal. A vantagem é que não existe rejeição e atinge resultados naturais quando bem indicada. A desvantagem é que pode ser necessária reaplicação, pois ocorre um grau de absorção da gordura pelo organismo.

Curitiba é referência em cirurgias de reconstrução

Quando a ultrassonografia de Maria Clara, terceira filha da empresária Daniela Zachi, indicou que a menina nasceria com fissura labial, a família entrou em choque. “Visualizei toda a dificuldade que minha filha poderia enfrentar na vida por ter uma deficiência, principalmente por ser no rosto”, conta Maria Clara.

A mãe de Matheus Pauli, Ilga Pauli lembra que passou três dias chorando sem parar e que seu nível de ansiedade pela doença do filho quase o fez nascer prematuramente. “Mas logo fui tranquilizada. Os médicos me informaram que era uma situação totalmente reversível e que em Curitiba existia um dos melhores centros de tratamento do Brasil”, diz Daniela.

Ilga também recebeu suporte quando soube da notícia. “Fui acalmada pela equipe médica, dizendo que era um problema reversível, que não deixaria nenhuma sequela na formação dele. Tive atendimento psicológico desde a gravidez”, conta ela.

Elas referem-se ao Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Labiopalatal (CAIF), que funciona desde 1991, no Hospital do Trabalhador, na capital paranaense. Com 13 mil pacientes em tratamento e realizando até 30 cirurgias por semana, o CAIF recebe todos os pacientes do Sistema Único de Saúde de Curitiba e região e de alguns municípios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo diagnosticados com lábio leporino.

A fissura labiopalatina é a má-formação de face mais frequente. Uma em cada mil crianças que nascem tem o problema. No Paraná, são cerca de 250 crianças por ano. Enquanto a fissura labial é mais aparente, mas trata-se de uma deformação exclusivamente estética, a fissura de palato (abertura no céu da boca) é funcional, pois dificulta a alimentação, a formação da dentição e a fala.

“A fissura é diagnosticada ainda no útero e a família já é encaminhada para o CAIF. Passa por acompanhamento psicológico e orientação com a equipe de cirurgiões. Seis meses após o nascimento, fazemos a cirurgia de lábio; com um ano, a de palato”, explica o diretor médico do CAIF, Renato Freitas.

Henri Gabriel Baumgartner, aos quatro anos, segue em tratamento após já ter se submetido a duas cirurgias plásticas para correção dos lábios. Foto: Acervo pessoal.

Em alguns casos essa cirurgia é o primeiro passo do tratamento. “Em meia hora o lábio fica bonito e com uma cicatriz mínima. Mas o tratamento odontológico pode levar até seis anos, o tratamento fonoaudiológico até três anos, com sessões semanais”, conta o cirurgião, explicando que o paciente é acompanhado até a idade adulta. Além disso, alguns casos requerem, ainda, uma cirurgia de enxerto ósseo na idade de troca de dentição e uma plástica de nariz para corrigir deformações depois que o rosto já está formado, na fase adulta.

O cenário encontrado no tratamento da fissura labial é o buscado pelos médicos que atuam no tratamento do câncer de mama. Por força de lei, desde 2013, toda paciente diagnosticada com câncer de mama e submetida à mastectomia (cirurgia da retirada da mama) tem direito à cirurgia de reconstrução do seio no mesmo ato cirúrgico. Mas, como a lei ainda é muito recente e não veio acompanhada da alocação de recursos para o seu cumprimento, o número de pacientes atendidas ainda está longe do ideal.

Mesmo assim, Curitiba é referência nacional e o Hospital Erasto Gaetner atingiu um índice de 50% de reconstrução em pacientes com câncer de mama. “O que mostra que ainda temos muito a crescer, mas é um bom índice para cinco anos de lei se compararmos à média nacional que deve, ainda, tender ao zero”, comenta a médica Anne Groth.

Ela destaca o papel do cirurgião plástico no tratamento do câncer. “É fundamental, porque as sequelas de uma ressecção oncológica são, às vezes brutais. Você perder uma mama, um osso que te permite falar e comer, uma língua. Então, o objetivo da cirurgia plástica é fazer uma recuperação funcional”, conta.

Especificamente para o câncer de mama, ela cita que, novamente, entra-se no entrelace da cirurgia reparadora com a estética. “É possível uma mulher viver sem mama? É. Mas qual a qualidade de vida dela em termos psicológicos e funcionais? A mulher que passa pela reconstrução da mama volta para a vida dela, para o convívio familiar e social, para o trabalho, de uma maneira muito melhor. Por isso, hoje, é um direito da mulher ter a reconstrução da mama no ato da retirada da mama. Salvo contraindicação do mastologista, por alguma comorbidade”.

Além de ser referência na realização de cirurgias plásticas para pacientes com câncer e com fissura labiopalatal, Curitiba tem, também, no Hospital Evangélico, um dos principais centros de atendimentos a queimados do Brasil. O serviço de cirurgia plástica e queimados do hospital existe desde 1968, realiza, em média, 15 procedimentos por dia e dispõe do primeiro banco de pele humana do Paraná.

LEIA TAMBÉM

8 recomendações para você

Deixe seu comentário