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Saúde e Bem-Estar

Sintomas comuns em criança esconderam diagnóstico de câncer da pequena Sophia

Sophia tinha dois anos quando os pais receberam a notícia de que ela tinha um tumor infiltrativo na coluna, mas a menina já dava sinais há meses

  • PorAmanda Milléo
  • 05/12/2018 04:00
Sophia, de cinco anos, já quis ser médica, youtuber e agora ela quer se tornar a próxima presidente do Brasil (Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)
Sophia, de cinco anos, já quis ser médica, youtuber e agora ela quer se tornar a próxima presidente do Brasil (Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)| Foto: Gazeta do Povo

Os sinais de que a pequena Sophia Gabriele Ferreira Sanabria Schmitz, hoje com quase 5 anos, tinha um tumor na coluna estavam lá desde os primeiros meses. Seus pais e o médico pediatra, porém, não viram e, como acontece em muitos casos, culpavam os sintomas a outras condições. O tumor cresceu, atingiu nove centímetros e trouxe sinais mais claros de que algo estava errado.

Se a mãe Lúcia e o pai Balério soubessem, perceberiam que o tumor de Sophia se mostrava nos vômitos que ela tinha com frequência, mas que eram erroneamente diagnosticados como intolerância a algum alimento; na dificuldade e na demora em começar a dar os primeiros passos, que vieram depois de um ano e quatro meses; nas quedas constantes quando ela, então, aprendeu a andar e até no ombro direito levemente caído, que a família achava que indicaria uma preferência da filha pela mão esquerda.

>> Conheça os sinais do câncer infantil

“Criança não chora sem motivo, não para e descansa durante a brincadeira. E a Sophia parava, ficava horas descansando. Se a gente tivesse buscado um diagnóstico mais cedo, de repente poderíamos ter retirado totalmente o tumor, já que era benigno. Hoje, não podemos mexer, não tem como tirar. Foi feita a cirurgia e a quimioterapia, que o deixou com quatro centímetros, mas será uma doença crônica que ela terá de cuidar sempre”, relata Lúcia Schmitz, mãe de Sophia, que antes era instrutora de autoescola e hoje fica em casa para os cuidados da filha.

Foi só quando Sophia sentiu dores no pescoço, como um torcicolo, e os choros ficaram mais constantes que os pais decidiram levá-la a outro especialista, na cidade de Cascavel — a família morava em Guaíra, na região oeste do estado. Lá, recebeu o diagnóstico do tumor e a cirurgia de retirada foi feita em Maringá, cidade onde eles se mudaram depois.

Para o tratamento com a quimioterapia, os pais e Sophia vieram toda semana, durante dois anos, ao hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. “Mais três semanas e a quimioterapia acaba. Então poderemos vir apenas uma vez por mês até a próxima ressonância, quando os médicos vão se reunir e decidir o que será feito”, comemora a mãe.

Sophia, de quase cinco anos, recebeu diagnóstico há três anos de um tumor na medula óssea e vem, toda semana, de Maringá a Curitiba com os pais para o tratamento (Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)
Sophia, de quase cinco anos, recebeu diagnóstico há três anos de um tumor na medula óssea e vem, toda semana, de Maringá a Curitiba com os pais para o tratamento (Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)| Gazeta do Povo

Sinais inespecíficos

Embora seja fácil confundir sintomas de câncer infantil com outras condições, a médica oncopediatra Flora Watanabe, do hospital Pequeno Príncipe, lista alguns sinais de alerta.

“Na leucemia, por exemplo, a criança apresenta baixa de imunidade, e por isso pode ter infecção, febre de repetição, anemia. Ou aparecem manchas roxas, que indica sangramento embaixo da pele, e as ínguas (nódulos) no pescoço, virilha. As ínguas são comuns também nos linfomas”, explica a médica.

Os tumores do Sistema Nervoso Central, o segundo mais comum em crianças, variam conforme a idade. Em bebês, vômito com frequência, que os pais tendem a achar que é refluxo. Nas crianças mais velhas, podem apresentar alterações visuais e motoras.

“A criança que tinha uma letra boa fica feia e os pais falam que o filho não é caprichoso, não faz a lição direito. Mas é porque ele não enxerga ou porque o controle motor mudou”, reforça a especialista.

Tumores na retina, ou retinoblastoma, são uma das poucas patologias cujo sintoma inicial é fácil de identificar e está diretamente relacionado à doença:

“A criança apresenta o brilho do olho do gato. Quando faz uma foto da criança, o olho dela aparece brilhando, ou fica vermelho. Normalmente é mais notado pelos pais, mas já vi casos da mãe que alerta o pediatra sobre esse brilho diferente e o médico diz que não é nada. O sinal do olho do gato é muito importante e é preciso que se divulgue para ajudar no diagnóstico precoce, que significa salvar a visão”, reforça Watanabe.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), caso as crianças recebam o diagnóstico precoce e o tratamento adequados, a taxa de cura dos cânceres neste público chega a 80%. A maioria, inclusive, deve ter uma qualidade de vida boa após receber tratamento.

Tumores em crianças: sinais inespecíficos atrapalham tratamento A médica oncopediatra Flora Watanabe é uma das médicas que tratam de Sophia, diagnosticada com tumor na medula (Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)

Sophia para Presidente do Brasil

Como uma criança que passa os primeiros anos de vida entre idas e vindas nos hospitais, Sophia se apegou aos médicos e enfermeiros que encontra por lá. Não a toa, portanto, que um dos primeiros desejos de profissão era ser médica — e mesmo o presente de Natal deste ano não foge a esta ideia: quer uma boneca Barbie médica.

Ainda assim, Sophia já quis ser policial, youtuber (Luccas Neto é o seu youtuber preferido) e, mais recentemente, a ideia é ser uma próxima presidente. O motivo? “Para mudar o país”, responde categoricamente a pequena de cinco anos.

“Ninguém mais vai poder jogar lixo no mato, eu vou cuidar das crianças que fazem tratamento e todo mundo vai ter um ursinho”, lista a menina sobre as promessas de campanha, enquanto aguarda o chamado dos médicos para a sua vez na quimioterapia.

A vontade de se curar passa pela cabeça da menina sempre, como lembra a mãe:

“Outro dia viemos para Curitiba na van da prefeitura, e outros pacientes da oncologia estavam junto. Um senhor falou sobre tomar um suco de um limão, toda noite, e como poderia ajudar no tratamento. No dia seguinte ela levantou cedo e pediu pelo suco de limão. Eu expliquei que não era para todo mundo, nem para todo tipo de câncer, mas ela sempre quer tentar algo que ajude a ficar melhor logo”, diz Lúcia.

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